10.02.2021
Do portal CPAD NEWS, 30.03.2015
Por Ciro Sanches Zibordi

Conquanto
a Palavra de Deus ordene: “Obedecei a vossos pastores, e
sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas” (Hb 13.17),
aumenta a cada dia o número de cristãos rebeldes, que não se
sujeitam aos líderes eclesiásticos chamados verdadeiramente por
Deus e pensam que estão certos. Não respeitam pastores, verberam
contra a liderança e afirmam que só devem obediência a Deus.
“Igreja não é quartel general”, afirmam. E, generalizando,
chamam qualquer liderança firme e segura de coronelista. Na Bíblia,
a Palavra de Deus, vemos que o próprio Deus prioriza e hierarquiza.
Ele — que podia ter formado todas as coisas com uma única palavra
— fez questão de formar tudo a seu tempo, dia após dia (Gn 1). O
Senhor também pôs em ordem as tribos de Israel (Nm 2). Nosso Deus é
um Deus de ordem (1 Co 14.40).
De acordo com 1 Coríntios
12.28, vemos que Deus hierarquiza dons e ministérios. A hierarquia,
nesse caso, existe, não para que o portador de certo dom e
ministério se considere superior aos outros, e sim para que haja
ordem. Deus pôs na igreja “primeiramente apóstolos” (1 Co
12.28; Ef 4.11). Os apóstolos são homens de Deus, enviados por Ele,
com grande autoridade, e não autoritarismo, que formam a liderança
maior da igreja — independentemente dos títulos empregados pelas
denominações (pastores presidentes, bispos, reverendos, pastores,
presbíteros, etc.). Mas não se deve confundir títulos com
ministérios e dons. Estes vêm do Espírito Santo, enquanto os
títulos são conferidos pelos homens. Na Assembleia de Deus fiel ao
seu perfil teológico-eclesiástico-consuetudinário original, por
exemplo, não existe o título de apóstolo. Mas isso não significa
que não exista o ministério apostólico. Este, segundo a Bíblia,
perdurará “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao
conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da
estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).
O texto de 1
Coríntios 12.28 afirma, também, que Deus pôs na igreja “em
segundo lugar, profetas”, mencionados em Efésios 4.11 na mesma
posição, depois dos apóstolos. Os profetas que receberam, de fato,
o ministério profético, não devem ser confundidos com os crentes
que falam em profecia nos cultos, também chamados de profetas em 1
Coríntios 14.29. O ministério profético neotestamentário é
formado por pregadores (pregadores, mesmo!) da Palavra de Deus,
portadores de mensagens proféticas. Em seguida, a Palavra do Senhor,
ainda em 1 Coríntios 12.28, assevera: “em terceiro, doutores”.
Veja como essa hierarquização ocorria na igreja de Antioquia da
Síria: “havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e
Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora
criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo” (At 13.1). Nesse caso, os
doutores, que atuam juntamente com os profetas, são ensinadores da
Palavra de Deus. Há casos, como o de Paulo, em que três ou dois dos
ministérios mencionados (apóstolo, profeta e doutor) estão
presentes (1 Tm 2.7). Os ministérios de pastor e evangelista
certamente fazem parte dos três escalões mencionados em 1 Coríntios
12.28, posto que são títulos relacionados com a liderança maior da
igreja.
Em 1 Coríntios 12.28, também está escrito:
“depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos,
variedades de línguas”. Milagres só vêm depois de apóstolos,
profetas e doutores? Isso mesmo. Na hierarquização feita por Deus,
o ministério da Palavra é mais prioritário que os milagres, haja
vista serem estes o efeito da pregação do Evangelho (Mc 16.17).
Observe que João Batista foi considerado por Jesus o maior profeta
dentre os nascidos de mulher, mesmo sem ter realizado sinal algum (Jo
10.41). Se não houver hierarquia nas igrejas, para que servirão os
cargos e funções? Qualquer pessoa, dizendo-se usada por Deus,
poderá mandar no pastor. Aliás, isso estava acontecendo na igreja
de Tiatira, e o próprio Senhor Jesus repreendeu aquele obreiro
frouxo que não estava exercendo a liderança que recebera do Senhor
(Ap 2.20).
Deus é Deus de ordem! Os princípios divinos
da priorização e da hierarquização aparecem em várias outras
passagens neotestamentárias. Em 1 Coríntios 14.26, vemos que, no
culto coletivo a Deus, deve haver ordem. Quanto à ressurreição,
está escrito: “cada um por sua ordem: Cristo, as primícias;
depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (1 Co 15.23). E, na
Vinda de Jesus, tal princípio também será aplicado: “os que
morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que
ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens”
(1 Ts 4.17). Em 1 Tessalonicenses 5.23, vemos que Deus prioriza o
espírito, na santificação: “e todo o vosso espírito, e alma, e
corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de
nosso Senhor Jesus Cristo”. Essa ordem mostra que a obra
santificadora do Espírito Santo ocorre de dentro para fora, e não
de fora para dentro.
Finalmente, o apóstolo Paulo
parabenizou os crentes da cidade de Colossos porque naquela igreja
havia ordem (Cl 2.5). E ordem também significa respeitar a
hierarquia! Afinal, os ministérios e dons não são invenção
humana. Eles foram dados por Deus para edificação do Corpo de
Cristo (Ef 4.11-15).******
Ciro
Sanches Zibordi é
pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da
Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros
que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os
pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”,
“Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e
“Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos
títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática
Pentecostal”, também da CPAD.
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Fonte:Ciro Sanches Zibordi - CPADNews