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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A Inabalável Âncora da Alma: A Esperança da Vida Eterna em Cristo

15.01.2025

Publicado pelo pastor Irineu Messias

A vida é uma jornada complexa, marcada por incertezas, desafios e a inevitável consciência de nossa finitude. Em meio a tantas indagações sobre o propósito da existência e o destino final da humanidade, o coração humano anseia por algo que transcenda o tempo e o espaço. Para o crente, essa profunda busca encontra sua gloriosa e segura resposta na esperança da vida eterna, um dom inestimável concedido por nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.


Vamos explorar essa esperança em alguns pontos essenciais:


1. A Condição Humana e a Realidade do Pecado


  • A Queda e suas Consequências: A Bíblia nos revela que, desde a queda da humanidade no Éden, o pecado entrou no mundo. Como resultado, todos os seres humanos nascem com uma natureza pecaminosa, separados de Deus.
  • A Sentença de Morte: A consequência mais grave do pecado é a morte, não apenas física, mas principalmente espiritual, que nos impede de ter comunhão plena com nosso Criador. A Escritura declara: "Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram" (Romanos 5:12). E mais diretamente: "Porque o salário do pecado é a morte..." (Romanos 6:23a). Esta seria a nossa sentença final, não fosse a intervenção divina.

2. A Solução Divina em Jesus Cristo


  • O Amor de Deus em Ação: Felizmente, a narrativa bíblica não termina no desespero. Em seu infinito amor e misericórdia, Deus proveu um caminho de redenção e vida. Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, veio ao mundo.
  • O Sacrifício e a Ressurreição: Ele viveu uma vida perfeita, sem pecado, e voluntariamente entregou-se como sacrifício na cruz, levando sobre Si a penalidade de nossos pecados. Sua morte não foi o fim, mas o meio para a vitória. No terceiro dia, Ele ressuscitou dos mortos, triunfando sobre o pecado, a morte e o diabo (1 Coríntios 15:3-4, 54-57).
  • A Promessa da Vida Eterna: A ressurreição de Cristo é o pilar de nossa fé e a garantia de que nós também ressuscitaremos para uma nova vida. O evangelho de João resume essa esperança: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16).

3. A Natureza da Vida Eterna


  • Não Apenas Duração, mas Qualidade: A vida eterna não é meramente uma existência prolongada sem fim, mas uma qualidade de vida em profunda e ininterrupta comunhão com Deus. Ela começa no momento em que cremos em Cristo e se concretiza plenamente após nossa jornada terrena.
  • Uma Herança Incorruptível: É a promessa de uma herança divina que é incorruptível, imaculada e imperecível, reservada para nós nos céus (1 Pedro 1:3-4).
  • A Certeza Presente: O apóstolo João nos assegura: "E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna" (1 João 5:11-13).
  • O Futuro Glorioso: A Bíblia nos descreve um futuro glorioso: Deus enxugará toda lágrima de nossos olhos, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor (Apocalipse 21:4). Viveremos em novos céus e nova terra, na eterna e perfeita presença de Deus (Apocalipse 21:1-3). Nosso Senhor Jesus prometeu: "Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar" (João 14:2).

4. Como Abraçar a Vida Eterna


  • Pela Graça, Mediante a Fé: Essa esperança gloriosa não é conquistada por méritos ou obras humanas, mas é um dom gratuito de Deus, recebido pela fé em Jesus Cristo.

  • Arrependimento e Entrega: Para abraçá-la, somos chamados ao arrependimento de nossos pecados e a uma entrega sincera a Jesus como nosso Senhor e Salvador. A Palavra de Deus é clara: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9). Ao crermos, o Espírito Santo habita em nós, transformando nossas vidas e nos dando um antegozo dessa vida eterna.

5. O Impacto da Esperança Eterna na Vida Presente


  • Nova Perspectiva para o Agora: A esperança da vida eterna não nos distancia da realidade presente, mas nos capacita a vivê-la com um propósito renovado e uma perspectiva divina.
  • Força para as Adversidades: Ela nos concede coragem para enfrentar as provações (Romanos 8:18), paciência nas dificuldades (Romanos 5:3-5) e uma alegria inabalável, sabendo que nossa verdadeira cidadania e nosso lar estão nos céus (Filipenses 3:20).
  • Motivação para a Santidade: Essa esperança nos motiva a viver vidas que glorifiquem a Deus, servindo ao Jesus Cristo pela ação do Espírito Santo, amando ao próximo, buscando a justiça e testemunhando da maravilhosa graça que Cristo nos concedeu.

Conclusão:


Que possamos, como seguidores de Cristo, manter firmemente essa gloriosa esperança em nossos corações. Ela é, de fato, a âncora de nossa alma, firme e segura, que nos penetra até o Santo dos Santos (Hebreus 6:19). É a inabalável certeza de que o melhor ainda está por vir, e que nossa jornada culminará em uma eternidade na amorosa presença Daquele que nos amou primeiro. 

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Verdadeiro Conhecimento à Luz da Palavra de Deus

12.01.2026

Publicado pelo pastor Irineu Messias


Vivemos em uma época de excesso de informações, opiniões e teorias. Mas afinal, o que é conhecimento verdadeiro? Filósofos como Platão, Kant e Popper refletiram sobre isso em seus tempos. E, surpreendentemente, suas ideias podem nos ajudar a compreender melhor o que a Bíblia já nos ensina há séculos.

Platão: das sombras para a luz

Platão dizia que conhecer é sair das sombras da caverna e enxergar a realidade. A Bíblia nos mostra que essa realidade é Cristo: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (João 8:12)

Assim como Platão falava das sombras, a Escritura revela que sem Jesus vivemos em trevas. O verdadeiro conhecimento é andar na luz que vem de Cristo.

Kant: razão iluminada pelo temor do Senhor

Kant acreditava que o conhecimento nasce da interação entre experiência e razão. A Bíblia valoriza a razão, mas ensina que ela deve ser guiada pelo temor do Senhor“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento.” (Provérbios 9:10)

Ou seja, não basta organizar dados com a mente. A verdadeira sabedoria vem de Deus e é dada àqueles que O buscam: “Se alguém dentre vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente.” (Tiago 1:5)

Popper: o limite humano e a eternidade da Palavra

Popper dizia que o conhecimento humano é sempre provisório e precisa ser testado. A Bíblia confirma que nosso saber é limitado, mas aponta para a verdade eterna: “Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.” (Isaías 40:8)

Enquanto as teorias mudam, a Palavra de Deus permanece firme. “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente.” (Hebreus 13:8)

Conclusão

Platão nos lembra da necessidade de sair das sombras → Cristo é a luz. Kant valoriza a razão →, mas a Bíblia ensina que ela deve ser guiada pelo temor do Senhor. Popper mostra a limitação humana → e a Escritura revela a eternidade da Palavra de Deus.

O verdadeiro conhecimento não está na filosofia ou na ciência, mas na revelação divina. Em meio às incertezas do mundo, podemos descansar na certeza de que a Palavra de Deus é eterna e suficiente.

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domingo, 11 de janeiro de 2026

A Relação Teológica, Doutrinária, Ortodoxa e Histórica entre o Pentecostalismo Clássico e a Patrística

11.01.2026


O período patrístico se refere à era dos pais da Igreja, sucessores dos apóstolos, seus escritos e pensamentos, que formam a literatura cristã antiga. A expressão “teologia patrística” foi criada pelos teólogos do século XVIII, quando expuseram a doutrina dos pais da Igreja, distinguindo-a da “teologia bíblica, escolástica, simbólica e especulativa”.

A patrística tem caráter doutrinal, se relacionando também com a teologia moral, teologia espiritual, a Sagrada Escritura e a liturgia. A patrística teve sua origem na necessidade urgente de consolidar a tradição ortodoxa, tendo assim um peso de autoridade (não absoluto) para validar as doutrinas ou opor-se a elas.

O termo “pai” ou “padre”, de onde se origina “patrística”, é um título já encontrado entre os filósofos gregos e entre os judeus para indicar o mestre que se ocupa da instrução e formação e que faz com que o discípulo nasça para uma nova vida.

A relação teológica e doutrinária entre o Pentecostalismo Clássico e a teologia ortodoxa dos Pais da Igreja, pode ser constatada através das inúmeras citações feitas a esse período por teólogos pentecostais. Observemos alguns exemplos:

Myer Pearlman

“Como foi preservada a doutrina da Trindade de não deslocar para os extremos, nem para o lado da Unidade (sabelianismo) nem para o lado da Tri-unidade (triteísmo)? Foi pela formulação de dogmas, isto é, interpretações que definissem a doutrina e a protegessem contra o erro. O seguinte exemplo de dogma acha-se no Credo de Atanásio formulado no quinto século […].” (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Vida, 1987, p. 52).
“Embora as seguintes palavras do credo de Niceia (século quarto) tenham sido, como ainda são, recitadas por muitos de maneira formalista, não obstante, elas expressam fielmente sincera convicção da igreja primitiva […].” (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Vida, 1987, p. 100)

Raimundo de Oliveira

“O primeiro concílio da Igreja que fez uma lista de vinte e sete livros do Novo Testamento, foi o Concílio de Cartago, na África, no ano 397, da nossa Era. Livros soltos do Novo Testamento já eram considerados como Escritura canônica bem antes desse tempo, enquanto que a maioria foi aceita nos anos posteriores aos apóstolos.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 36)

“O arianismo encontrou em Atanásio o seu mais corajoso oponente. Ao seu tempo escreveu Atanásio: ‘A verdade revela que o Logos não é uma dessas coisas criadas; ao invés disso, é seu Criador’ […]. Cirilo conseguiu a condenação de Nestório no Sínodo romano de agosto de 430, ratificada no Sínodo de Alexandria. […] Se alguém não confessar que o Verbo de Deus sogreu na carne e foi crucificado na carne… seja anátema. O Concílio de Éfeso, realizado em 431, aprovou esta carta contendo os doze anátemas de Cirilo. […] Numa tentativa de pôr fim às demandas cristológicas dos primeiros quinhentos anos da história da Igreja, o Concílio de Calcedônia, reunido em 451, firmou e aprovou o seguinte documento […].” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 95-98)

“Grandes vultos da Igreja Primitiva, comumente chamados de ‘Pais da Igreja’, tinham como ponto pacífico a crença quanto à imagem de Deus no homem, a qual consistia principalmente nas características racionais e morais do homem, e em sua capacidade de santificar-se. […] A distinção entre a imagem e a semelhança de Deus no homem, feita por alguns Pais da Igreja, foi aceita e seguida por muitas escolas de interpretações que iriam influir no pensamento cristão nos anos seguintes.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 163,164)

“Na igreja latina, porém, apareceu uma tendência diferente através da pessoa de Tertuliano, que segundo alguns teólogos, foi o homem que depois de Paulo teve maior senso a respeito do pecado. Tertuliano considerou o pecado original uma infecção hereditária. Ambrósio, outro famoso Pai da Igreja latina, foi além de Tertuliano na questão do pecado original e o descreveu como um estado, e fez uma distinção entre a corrupção inata e a resultante culpa do homem. Porém, foi através do talento e do espírito de Agostinho que a doutrina do pecado original alcançou um total desenvolvimento.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 199,200)

“Dos oitenta e quatro chamados Pais da Igreja primitiva, só dezesseis criam que o Senhor se referiu a Pedro, quando disse “essa pedra”. Os demais, uns diziam que a expressão se referia a Cristo mesmo, outros à confissão que Pedro acabara de fazer, ou, ainda, a todos os apóstolos.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 257)

“De acordo com a História da Igreja, foram as congregações locais que escolheram espontaneamente, proeminentes bispos, como Atanásio (328- d.c), Ambrósio (374 d.C.) e Crisóstomo (398 d.C.).” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 265).

Abraão de Almeida

“A mais famosa de todas as escolas patrísticas foi a de Alexandria, onde tiveram atuação destacada Clemente, Panteno e Orígenes. No período de apogeu, os filósofos patrísticos procuram esclarecer o sentido autêntico das verdades reveladas, aproveitando, para isso, a derrota do paganismo. Agostinho, representante do período de apogeu, foi o maior filósofo da época patrística e uma das mais profundas e luminosas inteligências de todos os tempos.” (Teologia Contemporânea: A Influência das Correntes Filosóficas e Teológicas na Igreja, 12ª impressão, CPAD, 2016, p. 19).

Gary B. McGee

“Quando o Concílio Geral (título abreviado do Concílio Geral das Assembleias de Deus) veio a existir, em Hot Springs, Estado de Arkansas, em abril de 1914, já havia entre os participantes um consenso doutrinário, edificado nas verdades históricas da fé […].” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 21)

John R. Higgins

“Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Gregório Nazianso, Justino o Mártir, Irineu, Tertuliano, Orígenes, Ambrósio, Jerônimo, Agostinho […], e um número incontável de outros gigantes da história da Igreja, reconhecem que a Bíblia foi, de fato, inspirada por Deus, e que é inteiramente verdade”. (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 108)

Kerry D. McRoberts

“Entramos no labirinto eclesiástico do desenvolvimento histórico da teologia trinitariana, seguindo nos passos de Irineu. Ele era bispo de Lião, na Gália, e discípulo de Policarpo que, por sua vez, era discípulo do apóstolo João. Em Irineu, portanto, temos um vínculo direto com a doutrina apostólica. […] Tertuliano, o ‘bispo pentecostal de Cartago’ (160-230), fez contribuições de valor inestimável para o desenvolvimento da ortodoxia trinitariana. […] A Igreja avançou ainda mais através do labirinto teológico da formulação doutrinária com o trabalho do célebre Orígenes (c. de 185-254). […] Trezentos bispos da Igreja Ocidental (alexandrina) e da Igreja Oriental (antioquiana) reuniram-se em Niceia, no grande concílio ecumênico, que procuraria definir com precisão teológica a doutrina da Trindade. […] Atanásio geralmente recebe o crédito de ter sido o grande defensor da fé no Concílio de Niceia. A parte maior da obra de Atanásio, porém, foi consumada depois desse grande concílio ecumênico.” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 165-175)

Carolyn Denise Baker e Frank D. Macchia

“Nos primeiros séculos depois de Cristo, os pais da igreja pouco disseram a respeito dos anjos. A maior parte de sua atenção era dedicada a outros assuntos, mormente à natureza de Cristo. Mesmo assim, todos eles acreditavam na existência dos anjos.” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 192)

Claudionor de Andrade

“Os ortodoxos afirmam que a Bíblia é a Palavra de Deus. […] Tertuliano escreveu Contra Marcião, numa apaixonada apologia do cânon atual da Bíblia Sagrada. Orígenes de Alexandria, nascido no Egito por volta de 185, também saiu com presteza, a fim de defender o cânon das Sagradas Escrituras. […] Nascido em 296, Atanásio tornou-se conhecido como o pai da ortodoxia em virtude de seu apaixonado zelo pela pureza doutrinária da fé cristã. À semelhança de seus predecessores, fez ele uma brilhante apologia da inspiração divina das Escrituras Sagradas como a Palavra de Deus.” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 24,25)

“Jerônimo (331-414) jamais deixará de ser honrado como um dos mais notáveis eruditos da Igreja Cristã. Designado por Dâmaso (305-384), bispo de Roma, a revisar a Vetus Latina, entregou aos cristãos do Império Romano uma tradução primorosa da Bíblia Sagrada em latim (Vulgata).” (A Bíblia: A sempre atual Palavra de Deus, Edições Bernhard Johnson, 2021, p. 81)

“Os mais conceituados teólogos aceitam, defendem e proclamam a inerrância da Bíblia Sagrada como a inspirada e infalível Palavra de Deus. Têm-na eles como uma das colunas do Cristianismo; sem ela, nossa fé não teria qualquer razão de ser. Agostinho (354-430) também é firme no que concerne à inerrância bíblica: ‘Creio firmemente que nenhum daqueles autores errou em qualquer aspecto do que escreveu.’” (A Bíblia: A sempre atual Palavra de Deus, Edições Bernhard Johnson, 2021, p. 115)

Esequias Soares

“Muitos afirmam que Mateus escreveu o seu evangelho originalmente em hebraico e que depois ele foi traduzido para o grego. Isso com base na declaração dos pais da igreja, principalmente Papias (70-155), conforme registrada por Eusébio de Cesareia (264-340), historiador da igreja (história Eclesiástica, Livro III.39). […] Marcos não foi testemunha ocular dos fatos que escreveu. Segundo Irineu de Lião (125-202), Marcos ouviu de Pedro o que registrou em seu evangelho (Contra as Heresias 3.1), o que parece ter a confirmação em 1 Pedro 5.13. […] Lucas, o médico amado (Cl 4.14), foi companheiro de Paulo e dele certamente ouviu muitas coisas sobre Jesus (2 Tm 4.11). Irineu afirma que Lucas registrou o que ouviu nas pregações do apóstolo Paulo (Contra as Heresias, 3.1). […] Irineu afirma que João escreveu o seu evangelho em Éfeso (Contra as heresias, 3.1).” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 15-17)

“Justino, o Mártir (100-165), afirmava que as sementes da sabedoria divina foram semeadas por todo o mundo, portanto os cristãos podiam encontrar lampejos da verdade divina por toda parte, ou seja, na filosofia secular da Grécia. […] resumindo: nem tudo que foi ensinado pelos filósofos estava fora das Escrituras.” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 20,21)

“Os pais da igreja rebateram as heresias gnósticas, entre eles, Irineu de Lião, o principal expositor cristão que combateu o gnosticismo em sua obra Adversus Haerese (Contra as Heresias). […] Tertuliano (145-220), de Cartago, reconhecido como o Pai do Cristianismo Latino, refutou outras heresias e, entre elas, o gnosticismo em Contra Marcião e Contra Valentino. Hipólito de Roma (170-236), discípulo de Irineu, combateu o gnosticismo bem como outras heresias em Contra Todas as Heresias.” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 63)

“Atanásio (296-373) foi o inimigo implacável da doutrina arianista, dizia que o Filho é eterno e da mesma substância do Pai, ou seja, (homoousios), ‘da mesma substância; consubstancial’. O termo é central para o argumento de Atanásio contra Ário e a solução do problema trinitariano oferecido no Concílio de Niceia (325 d.C).” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 67)

“Os escritores cristãos, até o século III, referiram-se ao termo ‘teologia’ de forma negativa, como mitologia pagã. Orígenes foi o primeiro a emprega-lo no contexto cristão como ‘a sublimidade e a majestade da teologia’ (Contra Celso, 6.18). […] Qual é a fonte da teologia cristã? A própria palavra de Deus. […] É de Agostinho de Hipona a expressão: ‘creio para compreender’ […].” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 51,52).

“A religiosidade humana é um fato universal e incontestável. Agostinho de Hipona declarou: ‘Ó Deus! Tu nos fizeste para ti mesmo, e a nossa alma não achará repouso, até que volt a ti’ (Confissões I.I)”. (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 51,52, p. 55)

“[…] Tertuliano chamou-os de monarquianistas – gr. monarchia, ‘governo exercido por um único soberano’ […]. Práxeas foi discípulo de Noet, e o seu principal opositor foi Tertuliano. […] Hipólito, em Contra Todas as Heresias, refutou essas ideias, que hoje são defendidas pelos unicistas. […] Atanásio (296-373), o inimigo implacável da doutrina de Ário, dizia que o Filho é eterno e da mesma substância do Pai, ou seja, (homoousios), ‘da mesma substância; consubstancial’. O termo é central para o argumento de Atanásio contra Ário e a solução do problema trinitariano oferecido no Concílio de Niceia (325 d.C).” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 93-95)

“O credo de Atanásio ou Atanasiano. […] Mais longo que o Niceno, trata-se de um credo que enfatiza, de modo mais pormenorizado, a Trindade. […] Na verdade, o Credo Atanasiano traz esse nome porque Atanásio defendeu tenazmente a ortodoxia cristã; no entanto, o autor do tal credo é desconhecido. […] Cada uma das três Pessoas desempenha um papel na igreja. Essa verdade ensinada primeiramente aos crentes de Éfeso, consta também do Credo de Atanásio […].” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 96,97,101)

“Muitos documentos foram produzidos através dos séculos com o propósito de simplificar e facilitar a compreensão do pensamento cristão para o crescimento espiritual da Igreja, para protegê-la das heresias e para atender a necessidade regional de uma denominação. Os credos e confissões de fé ocupam um espaço importante na vida das igrejas, daí a importância de conhecer sua história e seu desenvolvimento.” (Credos e Confissões de Fé, Editora Bereia, 2013, p. 11)

William W. Menzies e Stanley Horton

“Em 367 d. C., o mais ortodoxo dos teólogos da época, o grande campeão da verdade bíblica, Atanásio, fez uma seleção de todos os livros que até então circulavam no mundo mediterrâneo, e que se diziam documentos apostólicos. Seu exame concluiu que apenas 27 livros (os mesmos que temos hoje no Novo Testamento) podiam ser considerados de fato como a infalível e inspirada Palavra de Deus.” (Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé, CPAD, 2011, p. 25)

Além da aprovação do Conselho de Doutrina da CGADB em todas as obras da CPAD aqui citadas, a ligação teológica, doutrinária, ortodoxa e histórica inequívoca entre o Pentecostalismo Clássico e a Patrística, e isso em relação aos pontos cardeais ou centrais da fé cristã, foi consolidada no Brasil através da Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2. ed., CPAD, 2017, p. 217-220), que publicou em seu apêndice os Credos Ecumênicos (o Credo dos Apóstolos, o Credo Niceno, o Credo Niceno-Constantinopolitano, o Credo de Calcedônia e o Credo de Atanásio ou Atanasiano):

“Os credos considerados universais são conhecidos como “credos ecumênicos”, visto que a sua aceitação é ampla e não se restringe a uma ou outra região. […] Seu conteúdo consta aqui neste apêndice, demonstrando que temos muitos pontos em comum com os primeiros cristãos. Esses credos são geralmente aceitos por católicos romanos, ortodoxos gregos e protestantes, pois seu conteúdo é comum às principais religiões que ostentam a bandeira de Cristo. […] A Comissão Especial pesquisou os credos ecumênicos e as principais confissões de fé históricas durante mais de um ano inteiro examinando seu conteúdo, forma e apresentação.” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus , 2. ed., CPAD, 2017, p. 16-18)

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Fonte: https://altairgermano.com.br/a-relacao-teologica-doutrinaria-ortodoxa-e-historica-entre-o-pentecostalismo-classico-e-a-patristica/

sábado, 10 de janeiro de 2026

Entendendo e Resistindo ao Gnosticismo: Lições da Igreja Primitiva para Hoje

10.01.2026

Postado por pastor Irineu Messias

Nos primeiros séculos do cristianismo, a Igreja enfrentou inúmeros desafios — não apenas perseguições externas, mas também ameaças internas à pureza do evangelho. Entre essas ameaças, uma das mais sutis e perigosas foi o gnosticismo. Embora tenha surgido há quase dois mil anos, seus ecos ainda ressoam em muitos ensinos contemporâneos que prometem “conhecimento secreto”, experiências místicas ou uma espiritualidade desvinculada da verdade bíblica.

Neste artigo, vamos explorar três pilares essenciais para compreender e resistir ao gnosticismo:

  1. O que é o gnosticismo?
  2. Qual o seu contexto histórico e por que ele é enganoso?
  3. Como os primeiros cristãos responderam a essa ameaça?

Que estas reflexões nos ajudem a permanecer firmes na fé que “foi entregue aos santos de uma vez por todas” (Judas 1:3).

1. O Que É o Gnosticismo?

O gnosticismo (do grego gnōsis, que significa “conhecimento”) era um movimento religioso-filosófico que surgiu no século I d.C., especialmente nas regiões do Império Romano onde culturas judaica, grega e oriental se encontravam. Seus seguidores acreditavam que a salvação não vinha pela fé em Cristo, mas por meio de um conhecimento esotérico e secreto, acessível apenas a uma elite espiritual.

Características principais:

  • Dualismo radical: o mundo material é mau; só o espiritual é bom.
  • Rejeição da criação física: Deus verdadeiro não criaria um mundo “sujo” — logo, o mundo teria sido feito por um deus inferior (chamado Demiurgo).
  • Cristo sem corpo real: muitos gnósticos negavam que Jesus tivesse vindo “em carne” (1 João 4:2–3), pois achavam impossível que o divino se unisse à matéria.
  • Salvação elitista: só os “iluminados” seriam salvos, enquanto os demais permaneceriam presos na ignorância.

Por que isso importa hoje?

Embora o gnosticismo antigo tenha sido condenado pelos pais da Igreja, suas ideias persistem. Hoje, vemos traços dele em:

  • Ensinos que valorizam “revelações pessoais” acima da Bíblia;
  • Movimentos que desprezam o corpo, a criação ou a vida cotidiana como “menos espirituais”;
  • Correntes que prometem acesso a “mistérios ocultos” ou níveis superiores de espiritualidade.

A Palavra de Deus, porém, afirma que a salvação é pela graça, mediante a fé em Cristo — e não por conhecimento secreto (Efésios 2:8–9).

2. O Contexto Histórico da Gnose: Origens e Enganos

O gnosticismo não surgiu do nada. Ele foi fruto de uma mistura sincretista de ideias:

  • Filosofia grega (especialmente o platonismo, com sua visão negativa do corpo);
  • Religiões de mistério (que prometiam salvação por rituais secretos);
  • Elementos do judaísmo apocalíptico e até do zoroastrismo persa.

Essa “sopa cultural” gerou sistemas complexos, com deuses, eons, anjos caídos e narrativas mitológicas — tudo apresentado como a “verdadeira” interpretação do cristianismo.

As falácias centrais do gnosticismo:

  1. Negava a bondade da criação — contradizendo Gênesis 1:31 (“Deus viu tudo o que havia feito, e eis que era muito bom”).
  2. Desumanizava Jesus — negando Sua encarnação real, Sua morte redentora e Sua ressurreição corporal.
  3. Criava divisões na Igreja — entre “espirituais” (os que tinham gnosis) e os “simples fiéis”.
  4. Substituía a cruz por um sistema de iluminação intelectual — tirando o foco da graça e colocando-o no mérito humano.

Por que combatê-lo?
Porque o gnosticismo corrompe o evangelho. Ele transforma o Cristo crucificado e ressurreto — Salvador de todos os que creem — em um mero transmissor de sabedoria oculta. E isso é outro evangelho, que Paulo advertiu ser anátema (Gálatas 1:8).

3. A Apologética Cristã Contra a Gnose: A Resposta da Igreja Primitiva

Diante dessa ameaça, os primeiros cristãos não ficaram em silêncio. Eles levantaram a voz com clareza, coragem e fidelidade às Escrituras.

Grandes defensores da fé:

  • Irineu de Lyon (século II): escreveu Contra as Heresias, um dos mais importantes tratados contra o gnosticismo. Ele defendeu a encarnação real de Cristo, a unidade da Bíblia (Antigo e Novo Testamento) e a tradição apostólica como guardiã da verdade.
  • Tertuliano: usou lógica e ironia para expor as contradições dos sistemas gnósticos.
  • Hipólito de Roma e outros bispos: trabalharam para identificar e excluir falsos mestres das comunidades cristãs.

Estratégias eficazes:

  • Apelo à sucessão apostólica: a verdade não estava em revelações novas, mas naquilo que os apóstolos ensinaram.
  • Defesa da materialidade da salvação: se Cristo não assumiu verdadeiramente um corpo, “nossa fé é vã” (1 Coríntios 15:17).
  • Formação do cânon bíblico: a Igreja começou a definir quais escritos eram autenticamente apostólicos — justamente para combater textos gnósticos falsos (como o Evangelho de Tomé).

Lição para nós hoje:

Assim como os primeiros cristãos, somos chamados a “combater pelo evangelho” (Filipenses 1:27). Isso não significa agressividade, mas discernimento, estudo da Palavra e fidelidade à sã doutrina.

Em um mundo cheio de vozes que prometem “novas verdades”, precisamos voltar sempre à fonte: Jesus Cristo, a Palavra encarnada, revelada nas Escrituras.

Conclusão: Firmes, na Verdade, Livres da Ilusão

O gnosticismo antigo pode parecer distante, mas seus apelos — conhecimento exclusivo, espiritualidade sem encarnação, desprezo pelo mundo físico — continuam sedutores. Por isso, mais do que nunca, precisamos:

Conhecer bem a Bíblia — nossa única regra de fé e prática.
Valorizar a tradição cristã histórica — que preservou a fé contra erros antigos.
Viver uma espiritualidade encarnada — que ama a Deus com a mente, o coração e o corpo, e que cuida da criação como dom de Deus.

Que o Senhor nos conceda sabedoria para discernir o espírito da verdade do espírito do erro (1 João 4:6) — e que nossa fé seja sempre simples, bíblica e centrada em Cristo.

“Guardai-vos dos falsos profetas... Pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7:15–16)

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Saiba mais:  

Livro Gnosticismo: As Origens Gnósticas das Heresias na Igreja Primitiva A Verdade Revelada sobre as Heresias do Segundo Século

As Origens Gnósticas do Calvinismo

Por que deixei de ser calvinista (Parte 1): O calvinismo apresenta uma Bíblia descontextualizada da história

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