Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador pais da igreja. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pais da igreja. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de janeiro de 2026

A Relação Teológica, Doutrinária, Ortodoxa e Histórica entre o Pentecostalismo Clássico e a Patrística

11.01.2026


O período patrístico se refere à era dos pais da Igreja, sucessores dos apóstolos, seus escritos e pensamentos, que formam a literatura cristã antiga. A expressão “teologia patrística” foi criada pelos teólogos do século XVIII, quando expuseram a doutrina dos pais da Igreja, distinguindo-a da “teologia bíblica, escolástica, simbólica e especulativa”.

A patrística tem caráter doutrinal, se relacionando também com a teologia moral, teologia espiritual, a Sagrada Escritura e a liturgia. A patrística teve sua origem na necessidade urgente de consolidar a tradição ortodoxa, tendo assim um peso de autoridade (não absoluto) para validar as doutrinas ou opor-se a elas.

O termo “pai” ou “padre”, de onde se origina “patrística”, é um título já encontrado entre os filósofos gregos e entre os judeus para indicar o mestre que se ocupa da instrução e formação e que faz com que o discípulo nasça para uma nova vida.

A relação teológica e doutrinária entre o Pentecostalismo Clássico e a teologia ortodoxa dos Pais da Igreja, pode ser constatada através das inúmeras citações feitas a esse período por teólogos pentecostais. Observemos alguns exemplos:

Myer Pearlman

“Como foi preservada a doutrina da Trindade de não deslocar para os extremos, nem para o lado da Unidade (sabelianismo) nem para o lado da Tri-unidade (triteísmo)? Foi pela formulação de dogmas, isto é, interpretações que definissem a doutrina e a protegessem contra o erro. O seguinte exemplo de dogma acha-se no Credo de Atanásio formulado no quinto século […].” (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Vida, 1987, p. 52).
“Embora as seguintes palavras do credo de Niceia (século quarto) tenham sido, como ainda são, recitadas por muitos de maneira formalista, não obstante, elas expressam fielmente sincera convicção da igreja primitiva […].” (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Vida, 1987, p. 100)

Raimundo de Oliveira

“O primeiro concílio da Igreja que fez uma lista de vinte e sete livros do Novo Testamento, foi o Concílio de Cartago, na África, no ano 397, da nossa Era. Livros soltos do Novo Testamento já eram considerados como Escritura canônica bem antes desse tempo, enquanto que a maioria foi aceita nos anos posteriores aos apóstolos.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 36)

“O arianismo encontrou em Atanásio o seu mais corajoso oponente. Ao seu tempo escreveu Atanásio: ‘A verdade revela que o Logos não é uma dessas coisas criadas; ao invés disso, é seu Criador’ […]. Cirilo conseguiu a condenação de Nestório no Sínodo romano de agosto de 430, ratificada no Sínodo de Alexandria. […] Se alguém não confessar que o Verbo de Deus sogreu na carne e foi crucificado na carne… seja anátema. O Concílio de Éfeso, realizado em 431, aprovou esta carta contendo os doze anátemas de Cirilo. […] Numa tentativa de pôr fim às demandas cristológicas dos primeiros quinhentos anos da história da Igreja, o Concílio de Calcedônia, reunido em 451, firmou e aprovou o seguinte documento […].” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 95-98)

“Grandes vultos da Igreja Primitiva, comumente chamados de ‘Pais da Igreja’, tinham como ponto pacífico a crença quanto à imagem de Deus no homem, a qual consistia principalmente nas características racionais e morais do homem, e em sua capacidade de santificar-se. […] A distinção entre a imagem e a semelhança de Deus no homem, feita por alguns Pais da Igreja, foi aceita e seguida por muitas escolas de interpretações que iriam influir no pensamento cristão nos anos seguintes.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 163,164)

“Na igreja latina, porém, apareceu uma tendência diferente através da pessoa de Tertuliano, que segundo alguns teólogos, foi o homem que depois de Paulo teve maior senso a respeito do pecado. Tertuliano considerou o pecado original uma infecção hereditária. Ambrósio, outro famoso Pai da Igreja latina, foi além de Tertuliano na questão do pecado original e o descreveu como um estado, e fez uma distinção entre a corrupção inata e a resultante culpa do homem. Porém, foi através do talento e do espírito de Agostinho que a doutrina do pecado original alcançou um total desenvolvimento.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 199,200)

“Dos oitenta e quatro chamados Pais da Igreja primitiva, só dezesseis criam que o Senhor se referiu a Pedro, quando disse “essa pedra”. Os demais, uns diziam que a expressão se referia a Cristo mesmo, outros à confissão que Pedro acabara de fazer, ou, ainda, a todos os apóstolos.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 257)

“De acordo com a História da Igreja, foram as congregações locais que escolheram espontaneamente, proeminentes bispos, como Atanásio (328- d.c), Ambrósio (374 d.C.) e Crisóstomo (398 d.C.).” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 265).

Abraão de Almeida

“A mais famosa de todas as escolas patrísticas foi a de Alexandria, onde tiveram atuação destacada Clemente, Panteno e Orígenes. No período de apogeu, os filósofos patrísticos procuram esclarecer o sentido autêntico das verdades reveladas, aproveitando, para isso, a derrota do paganismo. Agostinho, representante do período de apogeu, foi o maior filósofo da época patrística e uma das mais profundas e luminosas inteligências de todos os tempos.” (Teologia Contemporânea: A Influência das Correntes Filosóficas e Teológicas na Igreja, 12ª impressão, CPAD, 2016, p. 19).

Gary B. McGee

“Quando o Concílio Geral (título abreviado do Concílio Geral das Assembleias de Deus) veio a existir, em Hot Springs, Estado de Arkansas, em abril de 1914, já havia entre os participantes um consenso doutrinário, edificado nas verdades históricas da fé […].” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 21)

John R. Higgins

“Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Gregório Nazianso, Justino o Mártir, Irineu, Tertuliano, Orígenes, Ambrósio, Jerônimo, Agostinho […], e um número incontável de outros gigantes da história da Igreja, reconhecem que a Bíblia foi, de fato, inspirada por Deus, e que é inteiramente verdade”. (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 108)

Kerry D. McRoberts

“Entramos no labirinto eclesiástico do desenvolvimento histórico da teologia trinitariana, seguindo nos passos de Irineu. Ele era bispo de Lião, na Gália, e discípulo de Policarpo que, por sua vez, era discípulo do apóstolo João. Em Irineu, portanto, temos um vínculo direto com a doutrina apostólica. […] Tertuliano, o ‘bispo pentecostal de Cartago’ (160-230), fez contribuições de valor inestimável para o desenvolvimento da ortodoxia trinitariana. […] A Igreja avançou ainda mais através do labirinto teológico da formulação doutrinária com o trabalho do célebre Orígenes (c. de 185-254). […] Trezentos bispos da Igreja Ocidental (alexandrina) e da Igreja Oriental (antioquiana) reuniram-se em Niceia, no grande concílio ecumênico, que procuraria definir com precisão teológica a doutrina da Trindade. […] Atanásio geralmente recebe o crédito de ter sido o grande defensor da fé no Concílio de Niceia. A parte maior da obra de Atanásio, porém, foi consumada depois desse grande concílio ecumênico.” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 165-175)

Carolyn Denise Baker e Frank D. Macchia

“Nos primeiros séculos depois de Cristo, os pais da igreja pouco disseram a respeito dos anjos. A maior parte de sua atenção era dedicada a outros assuntos, mormente à natureza de Cristo. Mesmo assim, todos eles acreditavam na existência dos anjos.” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 192)

Claudionor de Andrade

“Os ortodoxos afirmam que a Bíblia é a Palavra de Deus. […] Tertuliano escreveu Contra Marcião, numa apaixonada apologia do cânon atual da Bíblia Sagrada. Orígenes de Alexandria, nascido no Egito por volta de 185, também saiu com presteza, a fim de defender o cânon das Sagradas Escrituras. […] Nascido em 296, Atanásio tornou-se conhecido como o pai da ortodoxia em virtude de seu apaixonado zelo pela pureza doutrinária da fé cristã. À semelhança de seus predecessores, fez ele uma brilhante apologia da inspiração divina das Escrituras Sagradas como a Palavra de Deus.” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 24,25)

“Jerônimo (331-414) jamais deixará de ser honrado como um dos mais notáveis eruditos da Igreja Cristã. Designado por Dâmaso (305-384), bispo de Roma, a revisar a Vetus Latina, entregou aos cristãos do Império Romano uma tradução primorosa da Bíblia Sagrada em latim (Vulgata).” (A Bíblia: A sempre atual Palavra de Deus, Edições Bernhard Johnson, 2021, p. 81)

“Os mais conceituados teólogos aceitam, defendem e proclamam a inerrância da Bíblia Sagrada como a inspirada e infalível Palavra de Deus. Têm-na eles como uma das colunas do Cristianismo; sem ela, nossa fé não teria qualquer razão de ser. Agostinho (354-430) também é firme no que concerne à inerrância bíblica: ‘Creio firmemente que nenhum daqueles autores errou em qualquer aspecto do que escreveu.’” (A Bíblia: A sempre atual Palavra de Deus, Edições Bernhard Johnson, 2021, p. 115)

Esequias Soares

“Muitos afirmam que Mateus escreveu o seu evangelho originalmente em hebraico e que depois ele foi traduzido para o grego. Isso com base na declaração dos pais da igreja, principalmente Papias (70-155), conforme registrada por Eusébio de Cesareia (264-340), historiador da igreja (história Eclesiástica, Livro III.39). […] Marcos não foi testemunha ocular dos fatos que escreveu. Segundo Irineu de Lião (125-202), Marcos ouviu de Pedro o que registrou em seu evangelho (Contra as Heresias 3.1), o que parece ter a confirmação em 1 Pedro 5.13. […] Lucas, o médico amado (Cl 4.14), foi companheiro de Paulo e dele certamente ouviu muitas coisas sobre Jesus (2 Tm 4.11). Irineu afirma que Lucas registrou o que ouviu nas pregações do apóstolo Paulo (Contra as Heresias, 3.1). […] Irineu afirma que João escreveu o seu evangelho em Éfeso (Contra as heresias, 3.1).” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 15-17)

“Justino, o Mártir (100-165), afirmava que as sementes da sabedoria divina foram semeadas por todo o mundo, portanto os cristãos podiam encontrar lampejos da verdade divina por toda parte, ou seja, na filosofia secular da Grécia. […] resumindo: nem tudo que foi ensinado pelos filósofos estava fora das Escrituras.” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 20,21)

“Os pais da igreja rebateram as heresias gnósticas, entre eles, Irineu de Lião, o principal expositor cristão que combateu o gnosticismo em sua obra Adversus Haerese (Contra as Heresias). […] Tertuliano (145-220), de Cartago, reconhecido como o Pai do Cristianismo Latino, refutou outras heresias e, entre elas, o gnosticismo em Contra Marcião e Contra Valentino. Hipólito de Roma (170-236), discípulo de Irineu, combateu o gnosticismo bem como outras heresias em Contra Todas as Heresias.” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 63)

“Atanásio (296-373) foi o inimigo implacável da doutrina arianista, dizia que o Filho é eterno e da mesma substância do Pai, ou seja, (homoousios), ‘da mesma substância; consubstancial’. O termo é central para o argumento de Atanásio contra Ário e a solução do problema trinitariano oferecido no Concílio de Niceia (325 d.C).” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 67)

“Os escritores cristãos, até o século III, referiram-se ao termo ‘teologia’ de forma negativa, como mitologia pagã. Orígenes foi o primeiro a emprega-lo no contexto cristão como ‘a sublimidade e a majestade da teologia’ (Contra Celso, 6.18). […] Qual é a fonte da teologia cristã? A própria palavra de Deus. […] É de Agostinho de Hipona a expressão: ‘creio para compreender’ […].” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 51,52).

“A religiosidade humana é um fato universal e incontestável. Agostinho de Hipona declarou: ‘Ó Deus! Tu nos fizeste para ti mesmo, e a nossa alma não achará repouso, até que volt a ti’ (Confissões I.I)”. (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 51,52, p. 55)

“[…] Tertuliano chamou-os de monarquianistas – gr. monarchia, ‘governo exercido por um único soberano’ […]. Práxeas foi discípulo de Noet, e o seu principal opositor foi Tertuliano. […] Hipólito, em Contra Todas as Heresias, refutou essas ideias, que hoje são defendidas pelos unicistas. […] Atanásio (296-373), o inimigo implacável da doutrina de Ário, dizia que o Filho é eterno e da mesma substância do Pai, ou seja, (homoousios), ‘da mesma substância; consubstancial’. O termo é central para o argumento de Atanásio contra Ário e a solução do problema trinitariano oferecido no Concílio de Niceia (325 d.C).” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 93-95)

“O credo de Atanásio ou Atanasiano. […] Mais longo que o Niceno, trata-se de um credo que enfatiza, de modo mais pormenorizado, a Trindade. […] Na verdade, o Credo Atanasiano traz esse nome porque Atanásio defendeu tenazmente a ortodoxia cristã; no entanto, o autor do tal credo é desconhecido. […] Cada uma das três Pessoas desempenha um papel na igreja. Essa verdade ensinada primeiramente aos crentes de Éfeso, consta também do Credo de Atanásio […].” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 96,97,101)

“Muitos documentos foram produzidos através dos séculos com o propósito de simplificar e facilitar a compreensão do pensamento cristão para o crescimento espiritual da Igreja, para protegê-la das heresias e para atender a necessidade regional de uma denominação. Os credos e confissões de fé ocupam um espaço importante na vida das igrejas, daí a importância de conhecer sua história e seu desenvolvimento.” (Credos e Confissões de Fé, Editora Bereia, 2013, p. 11)

William W. Menzies e Stanley Horton

“Em 367 d. C., o mais ortodoxo dos teólogos da época, o grande campeão da verdade bíblica, Atanásio, fez uma seleção de todos os livros que até então circulavam no mundo mediterrâneo, e que se diziam documentos apostólicos. Seu exame concluiu que apenas 27 livros (os mesmos que temos hoje no Novo Testamento) podiam ser considerados de fato como a infalível e inspirada Palavra de Deus.” (Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé, CPAD, 2011, p. 25)

Além da aprovação do Conselho de Doutrina da CGADB em todas as obras da CPAD aqui citadas, a ligação teológica, doutrinária, ortodoxa e histórica inequívoca entre o Pentecostalismo Clássico e a Patrística, e isso em relação aos pontos cardeais ou centrais da fé cristã, foi consolidada no Brasil através da Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2. ed., CPAD, 2017, p. 217-220), que publicou em seu apêndice os Credos Ecumênicos (o Credo dos Apóstolos, o Credo Niceno, o Credo Niceno-Constantinopolitano, o Credo de Calcedônia e o Credo de Atanásio ou Atanasiano):

“Os credos considerados universais são conhecidos como “credos ecumênicos”, visto que a sua aceitação é ampla e não se restringe a uma ou outra região. […] Seu conteúdo consta aqui neste apêndice, demonstrando que temos muitos pontos em comum com os primeiros cristãos. Esses credos são geralmente aceitos por católicos romanos, ortodoxos gregos e protestantes, pois seu conteúdo é comum às principais religiões que ostentam a bandeira de Cristo. […] A Comissão Especial pesquisou os credos ecumênicos e as principais confissões de fé históricas durante mais de um ano inteiro examinando seu conteúdo, forma e apresentação.” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus , 2. ed., CPAD, 2017, p. 16-18)

****
Fonte: https://altairgermano.com.br/a-relacao-teologica-doutrinaria-ortodoxa-e-historica-entre-o-pentecostalismo-classico-e-a-patristica/

segunda-feira, 10 de junho de 2024

FILOSOFIA CRISTÃ: Patrística

10.06.2024

Do blog RESUMOS, 07.07.2020

patrística pode ser entendida tanto como uma filosofia ou uma escola que representou um momento importante de transição entre a filosofia antiga para a filosofia da idade média, a mesma pode ser vista como uma filosofia de pensamento que surgiu entre os séculos I e IV d.C.

A patrística era formada pelos chamados pais da igreja, esses representantes estavam desenvolvendo os primeiros ensinamentos da doutrina, por esse fato se deu o nome “Patrística”, esses pais foram os primeiros a conduzir a retificação doutrinaria cristã com os seus escritos conciliando a fé com a razão e a teologia com a filosofia. Clemente Romano (97 d.C) é considerado o primeiro pai da igreja, pois foi o mesmo que trouxe os primeiros escritos teológicos.

Em linhas gerais, a patrística foi um momento de grandes trabalhos filosóficos para a fundamentação da doutrina cristã, e o combate as heresias que iam surgindo com o tempo, uma vez que a bíblia por si só não comporta todas as respostas doutrinarias, e nesse caminho foi necessário o esforço de alguns pensadores da época para combater tais erros de interpretação.

CONTEXTO HISTÓRICO

A patrística surgiu juntamente com a fundação da igreja cristã que representou o primeiro momento filosófico dentro da concepção cristã. No início da era cristã houve-se a necessidade de fazer apologias do cristianismo, pois o mesmo só se torna uma religião oficial no império romano no século II d.C mesmo assim não era uma doutrina tão popular.

Nesse contexto, os primeiros pensadores precisavam defender os ideais cristãos e convencer as pessoas a aderir à doutrina popularizando o seu pensamento, essa função ficou a cargo dos chamados “Pais Apologistas” e podemos citar dois principais nomes, Tertuliano (160- 220 d.C) e Justino (100-165 d.C).

Cada um dos padres citados acima tinha uma concepção diferente, por exemplo, Tertuliano era considerado um crítico ferrenho da racionalização da fé, ou seja, ele era contra a utilização da filosofia grega para se justificar a fé e os dogmas cristãos que estava surgindo.

Já Justino seguia uma linha diferente de pensamento, o mesmo era adepto a filosofia grega, principalmente voltada aos escritos de Platão e através disso difundir o pensamento cristão ao maior número de pessoas, não se esquecendo de citar que Justino também acreditava na racionalização da fé.

E é nesse início de apologia cristã que surgiram as primeiras doutrinas da igreja (inicio da teologia cristã) fundamentados sob a influência de Platão e o seu Neoplatonismo com os primeiros pensadores neoplatônicos (Plotino e Porfírio) dando uma roupagem mais cristã ao pensamento e que se encaixasse nos moldes do cristianismo.

Fases da Patrística

A patrística pode ser entendida em três fases principais para o melhor compreendimento da história da Igreja:

  • Período Ante-Niceno (até 325 d.C): Nessa primeira geração de pais da igreja surgiram os primeiros pais apostólicos que orientaram o começo do caminho da igreja na história e compreendem também os escritos entre o século I e IV d.C, os principais nomes são:  Policarpo, Inácio de Antioquia, Justino Mártir, Irineu de Lyon.
  • Período Anti-Niceno (até 325 d.C -451 d.C): É nesse período que surge os primeiros grandes sistemas filosóficos do cristianismo e as principais sistematizações filosóficas, tanto que é considerado o século de ouro da patrística, pois a perseguição do império romano a doutrina havia cessado, e os grandes teólogos cristãos puderem se dedicar fielmente a composição de obras que dispõem de um grande valor nos dias atuais. É nesse período que os padres da igreja fizeram valiosas descobertas acerca da fé crista e constituíram as primeiras doutrinas da igreja.
  • Período Pós- Niceno (451 d.C):Terceiro período e fase final da patrística é visto a decadência da parte ocidental do império romano e o surgimento e crescimento do islamismo, a partir desse contexto, toda obra patrística começou a diminuir até o século VII. 

Principais pensadores

No período surgiram diversos pensadores importantes para o desenvolvimento da patrística, mas não podemos deixar de citar  Agostinho de Hipona (354-430 d.C) Boécio (480-524 d.C).

Como sabemos Agostinho não teve uma formação cristã desde pequeno, por mais que a sua mãe tivesse grande influência para a sua conversão, mas Agostinho só foi converte-se a religião na idade adulta por volta dos 31-32 anos, é nesse período que  Agostinho narra sua trajetória dentro de outras vertentes religiosas e utiliza-se disso para explicar em seu livro “Confissões” como deveria ser esse período de transição e aceitação da fé em cristo.

Ambos os pensadores fundamentaram a questão do livre arbítrio, questão essa muito relevante dentro da concepção cristã, pois é uma marca que se apresenta entre a relação do pecado e o agir bem, ou seja, já nos tempos antigos havia o dilema “Se Deus é bom e todo-poderoso, por qual fato ele deixa a pessoa cair no pecado?” Agostinho e Boécio então colocam a questão do livre arbítrio, Deus deixa as criaturas livres para seguirem o seu caminho, ou seja, se a pessoa busca o caminho de Deus, ele está buscando o caminho do bem, se ele se afasta do caminho que leva a deus, ele está mais longe do bem e chegando ao mal, levando a outra questão teológica: “Se Deus é todo-poderoso, por qual fato existe o mal?” E Agostinho reafirma, o mal é ausência de Deus.

Quanto mais perto de Deus há a presença do bem, quanto mais longe a presença do mal.

Além disso, podemos citar outros pensadores divididos conforme a localização da igreja:

Igreja Ocidental

  • Ambrósio de Milão
  • Jerônimo de Estridão
  • Gregório Magno

Igreja Oriental

  • Basílio Magno
  • Atanásio
  • Gregório Nazianzeno
  • João Crisóstomo

HEREGES

  • Os arianos negavam a divindade de Cristo contrapondo-se a divindade plena colocada pela patrística, e tal heresia acabou sendo condenada.

  • Os pais da igreja também lidaram com heresias contra as duas naturezas de Jesus Cristo, ou seja, a natureza divina e humana, que causava grandes debates na época.

  • E também lideram com diversas outras heresias combatidas: monofisismo, Nestorianismo e Apolinarismo, que, entre outros aspectos, negavam a natureza de Cristo e concebiam a ideia que a mãe de Jesus, Maria, não deu à luz a Jesus.

  • Além disso, deturpavam conceitos como a necessidade universal da graça, santíssima trindade, sacramentos, dentre outros.

PATRÍSTICA X ESCOLÁSTICA

Durante todo pensamento construído na história, duas escolas de pensamentos de suma importância surgiram em um período importante para a construção dos ideais doutrinários da igreja. A patrística surgiu em um período de grandes transformações e permaneceu precisadamente até o século VIII na chamada filosofia medieval.

Assim, por longos sete séculos a filosofia patrística foi à principal forma de pensamento no campo religioso, nesse caminho, o pensamento concebeu assuntos importantes acerca da igreja e os seus ensinamentos concebidos por padres, teólogos, bispos, chamados de “Homens da Igreja”.

No campo da escolástica a principal figura sem sombras de dúvida foi “São Tomás de Aquino” (1225-1274) tanto que ficou reconhecido como “Príncipe da Escolástica”, os seus principais estudos foram acerca do tomismo e devido a sua grande importância foi nomeado doutor da igreja em 1567.

 O ponto em comum entre as duas formas de pensamento, é que a escolástica também concebeu as suas principais concepções acerca da filosofia grega e na religião cristã, não deixando de citar a conciliação entre fé e a razão com o objetivo de proporcionar o crescimento do ser.

Foi na filosofia aristotélica que a escolástica encontrou meios de construção da sua filosofia cristã, diferentemente da patrística que sofreu grande influência do idealismo platônico.

Em linhas gerais, a patrística teve como objetivo principal difundir o pensamento cristão e derrubar qualquer forma de heresias, já a escolástica com a concepção do racionalismo objetivou explicar a existência de um ser divino relacionado com os princípios do homem, da fé e a razão.

LIVROS DA PATRÍSTICA

A patrística juntamente com o segmento escolástico produziu diversos livros de grande destaque para a história, veja abaixo alguns deles:

  • Enéadas
  • Isagoge
  • Confissões
  • Cidade de Deus

****

Fonte:https://resumos.soescola.com/filosofia/patristica/

domingo, 10 de janeiro de 2016

BIOGRAFIA: Policarpo de Esmirna

10.01.2016
Do blog ASSEMBLEIANOS PURITANOS, 28.04.2011
Cedido Por www.Explosãodemilagres.com.br

Nascido em uma família cristã por volta dos anos 70, na Ásia Menor (hoje Turquia), Policarpo dizia ser discípulo do Apóstolo João. Em sua juventude costumava se sentar aos pés do Apóstolo do amor. Também teve a oportunidade de conhecer Irineu, o mais importante erudito cristão do final do segundo século. Inácio de Antioquia, em seu trajeto para o martírio romano em 116, escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna. Nos dias do Papa Aniceto, Policarpo visitou Roma, a fim de representar as igrejas da Ásia Menor que observavam a Páscoa no dia 14 do mês de Nisan. Apesar de não chegar a um acordo com o papa sobre este assunto, ambos mantiveram uma amizade. Ainda estando em Roma, Policarpo conheceu alguns hereges da seita dos Valencianos, e encontrou-se com Márcio, o qual Policarpo denominava de “primogênito de Satanás”.

A Carta

Apesar de escrever várias cartas, a única preservada até a data, foi a endereçada aos Filipenses no ano 110. Nesta carta, Policarpo enfatiza a fé em Cristo, e o desenvolvimento da mesma através do trabalho para Cristo na vida diária. Também faz alusão à carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses e usa citações diretas e indiretas do Velho e Novo Testamento, atestando-os como canônicos. Na mesma carta, ele repete muitas informações recebidas dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, ele é uma testemunha valiosa da vida e da obra da Igreja primitiva no segundo século. Policarpo exorta os Filipenses a uma vida virtuosa, às boas obras e à firmeza, mesmo ao preço de morte, se necessária, uma vez que tinham sido salvos pela fé em Cristo. As 60 citações do Novo Testamento, das quais 34 são dos escritos de Paulo, evidenciam seu profundo conhecimento da Epístola do Apóstolo aos Filipenses e outras do mesmo Testamento. Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em administração eclesiástica, mas antes em fortalecer a vida diária prática dos cristãos.

O Martírio

O martírio de Policarpo é descrito um ano depois de sua morte, em uma carta enviada pela Igreja de Esmirna à Igreja de Filomélio. Este registro é o mais antigo martirológio cristão existente. Diz a história que o procônsul romano, Antonino Pius, e as autoridades civis tentaram persuadí-lo a abandonar sua fé em sua avançada idade, a fim de alcançar sua liberdade. Ele entretanto, respondeu com autoridade: “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou? Eu sou um crente”! No ano 156, em Esmirna, Policarpo é colocado na fogueira. Milagrosamente as chamas não o queimaram. Seus inimigos, então, o apunhalaram até a morte e depois queimaram o seu corpo numa estaca. Depois de tudo terminado, seus discípulos tomaram o restante de seus ossos e o colocaram em uma sepultura apropriada. Segundo a história, os judeus estavam tão ávidos pela morte de Policarpo quanto os pagãos, por causa de sua defesa contra as heresias.

(Segundo a igreja católica Romana,  o Papa São Aniceto (em latim, Anicetus) foi o décimo-primeiro papa católico, entre os anos 154 e166 D.C).
 

****
Fonte:http://assembleianospuritanos.blogspot.com.br/2011/04/biografia-policarpo-de-esmirna.html

Resenha do livro: "Lendo as Escrituras com os Pais da Igreja"

10.01.2016

Do blog GRAÇA LIVRE, 08.01.14
Por Thiago Velozo Titillo

HALL, Christopher A. Lendo as Escrituras com os pais da igreja. 2. ed. Tradução Rubens Castilho e Meire Santos. Viçosa, MG: Ultimato, 2007. 248 p.

A pergunta que permeia a obra de Hall é: a leitura bíblica dos pais da igreja tem algo a me acrescentar hoje?

Para responder a essa questão, o autor, logo no primeiro capítulo, apresenta motivos para ler os pais da igreja ("por que ler os pais?"). Hall desenvolve um cuidadoso trabalho no sentido de quebrar preconceitos protestantes acerca dos pais como sendo os promotores dos abusos medievais amparados pela tradição católica. O próprio Lutero interagiu com os pais, em particular, com Agostinho, insistindo que "é necessário comparar os livros dos pais com a Escritura e julgá-los de acordo com sua luz" (p. 19). Mesmo o moto "sola scriptura" não deve ser entendido como absoluto individualismo (oriundo do iluminismo). Lutero e Calvino consideraram seriamente a história, os credos e concílios, a tradição e os pais. Para tais reformadores, fechar-se a tais fontes era uma tolice cometida por arrogantes (p. 20). Como apelo final, Hall menciona a jornada teológica de Thomas Oden da teologia moderna (e liberal!) para a paleo-ortodoxia através do criterioso estudo do pensamento patrístico. Em última análise, esquecer o passado cristão é navegar à deriva no imenso mar do cristianismo histórico.

No capítulo dois, intitulado "a mente moderna e a interpretação bíblica", Christopher Hall mostra o impacto do iluminismo na teologia em geral, e na interpretação bíblica, em particular. O afastamento da cosmovisão cristã da realidade logo tornou o ateísmo uma opção filosófica amplamente aceita (pp. 31-32). A filosofia e a hermenêutica pós-moderna, no entanto, questionam a pretensão iluminista de uma razão autônoma. Doutro lado, cristãos conservadores buscavam interpretar a Bíblia como um livro que caiu do céu, lendo-a como se ninguém antes a tivesse lido. Tal fuga da tradição apenas alimenta o exagerado individualismo epistemológico e teológico prevalecentes hoje. Contra tal postura, Wilken argumenta que "nós aprendemos a pensar lendo bons pensadores e deixando que seus pensamentos formem nossos pensamentos" (p. 36). Eles já passaram pela prova do tempo. 

Ao construirmos pontes que nos levem ao mundo dos pais, poderemos encontrar respostas não-viciadas para questões atuais. Agostinho é um exemplo de como a questão do comportamento sexual também fazia parte da vida de um homem dos idos de 400 d.C. Sua sociedade também era sexualmente permissiva (p. 41). Clemente de Alexandria denuncia a extravagância e ostentação em suas próprias congregações (p. 42). Um argumento significativo em favor de se "ler as Escrituras com os pais da igreja" é a proximidade hermenêutica destes em relação aos textos sagrados. Hall cita Allison mencionando que nenhum comentário moderno sobre Mateus liga à afirmação de Jesus ("Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra"; Mateus 5.5) a Moisés. Todavia, Crisóstomo, Teodoreto de Ciro e Eusébio veem nas palavra de Jesus uma referência a Números 12.3, onde é dito que Moisés é o homem mais manso da terra, embora não tenha entrado na terra da promessa. Não seria sóbrio considerar tal alusão, tendo em vista a proximidade hermenêutica dos pais em relação às Escrituras?

No capítulo três, o autor define os critérios para ser um pai da igreja: 1) antiguidade; 2) santidade de vida; 3) doutrina ortodoxa; 4) aprovação eclesiástica.

No capítulo seguinte, Hall apresenta a abordagem hermenêutica dos quatro doutores do Oriente: Atanásio, Gregório de Nazianzo, Basílio o Grande e João Crisóstomo.

O capítulo cinco, segue a apresentação hermenêutica dos quatro doutores do Ocidente: Ambrósio, Jerônimo, Agostinho e Gregório o Grande.

No capítulo seis ("Os pais e a Escritura"), Christopher Hall apresenta a exegese em Alexandria, segundo a qual a Bíblia era tida como um texto polissêmico, contendo um significado mais profundo e espiritual do que aquele aparente num primeiro olhar. Para alguns pais a distinção entre tipologia e alegoria era uma linha tênue demais. As exegeses de Justino, Irineu, Filo (judeu) e Orígenes são tratadas nesse capítulo.

No capítulo seguinte, Hall apresenta a resposta de Antioquia, através de uma exegese fundamentada na "theoria" (tipologia) cristológica, priorizando o sentido histórico do texto. Deodoro de Tarso (seu comentário sobre os Salmos) e Teodoro de Mopsuéstia recebem atenção nesse capítulo. No fim do capítulo, o autor apresenta as singularidades das escolas alexandrina e antioquena sobre a questão da riqueza e da pobreza, principalmente à luz da passagem sobre o jovem rico.

O oitavo e último capítulo, intitulado, "Dando sentido à exegese patrística", busca fortalecer a ideia prévia de que a leitura dos pais é oportuna para os cristãos hodiernos. Isso porque há uma tradição comum entre os cristãos de segmentos diferentes, inclusive naqueles que pensam que existem sem qualquer tradição. Ouvir os pais e recordar aquilo que o Espírito deu aos seus servos do passado não é apenas sábio, mas um sinal de confiança no Deus que agiu no passado e continua a agir hoje.

****
Fonte:http://graca-livre.webnode.com/news/resenha-do-livro-lendo-as-escrituras-com-os-pais-da-igreja/