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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A Morte da Razão, de Francis Schaeffer: Uma reflexão a partir da perspectiva pentecostal

06.02.2026
Publicado por pastor Irineu Messias

Francis A. Schaeffer, renomado teólogo e filósofo cristão, é amplamente reconhecido por suas contribuições ao pensamento evangélico, especialmente por sua defesa da verdade objetiva e sua crítica ao relativismo moral que permeia a cultura ocidental contemporânea. Entre suas obras mais influentes, destaca-se A Morte da Razão, uma análise profunda das crises intelectuais e espirituais que marcam a modernidade. Neste artigo, exploraremos os principais argumentos de Schaeffer e avaliaremos sua relevância à luz da teologia pentecostal clássica, conforme historicamente defendida pelas Assembleias de Deus no Brasil.

A Crise entre Fé e Razão

O ponto central de A Morte da Razão reside na denúncia de uma dicotomia que passou a dominar o pensamento ocidental: a separação entre fatos e valores. Schaeffer argumenta que, com o advento do humanismo autônomo, a razão foi reduzida ao campo do empiricamente verificável, enquanto questões de fé, moral e significado existencial foram relegadas ao âmbito do subjetivo. Esse processo culminou em uma “morte da razão”, onde a racionalidade perde sua capacidade de oferecer explicações coerentes sobre a realidade humana.

Para Schaeffer, o cristianismo bíblico apresenta uma solução robusta para essa crise, pois fornece uma base racional suficiente para compreender o mundo, a história e a ética. Ele aponta que, ao rejeitar essa base, a sociedade não se torna mais racional, mas profundamente contraditória e irracional.

Raízes Histórico-Filosóficas da Crise

Schaeffer traça as origens dessa ruptura ao longo da história do pensamento ocidental, destacando momentos como o Renascimento, o Iluminismo e o Existencialismo. Ele observa que o humanismo tentou sustentar a dignidade humana sem Deus, mas falhou em fornecer um fundamento último para valores morais e significado existencial. Essa falha culminou na filosofia relativista, na arte fragmentada e na teologia liberal, que negou a revelação proposicional das Escrituras.

Essa análise histórica é particularmente relevante para o cristianismo contemporâneo, pois demonstra como a negação da verdade objetiva conduz à perda de coerência teológica e à dissolução da autoridade espiritual.

Fé Cristã e Racionalidade: Um Diálogo Pentecostal

Um dos grandes méritos de A Morte da Razão é sua defesa de que o cristianismo não se opõe à razão, mas a sustenta. Para Schaeffer, a revelação bíblica fornece respostas consistentes para questões fundamentais da existência, como a origem do universo, o problema do mal e a dignidade humana. Contudo, quando analisamos essa obra sob uma perspectiva pentecostal clássica, percebemos que ela pode ser enriquecida pela ênfase na ação do Espírito Santo.

Teólogos como Antônio Gilberto e Stanley M. Horton oferecem importantes contribuições nesse diálogo. Gilberto destaca que “a verdade bíblica não está sujeita às mudanças culturais nem às pressões filosóficas do tempo, reforçando o argumento de Schaeffer sobre a imutabilidade da verdade divina. Horton complementa ao afirmar que o Espírito Santo não contradiz a razão, mas a ilumina”, apontando para uma integração harmoniosa entre racionalidade e espiritualidade.

Além disso, Gordon D. Fee desenvolve uma epistemologia pneumatológica que aprofunda essa discussão. Segundo ele, o conhecimento cristão não é meramente dedutivo ou lógico; ele é essencialmente relacional e pneumatológico”. Essa perspectiva pentecostal valoriza o papel ativo do Espírito Santo na comunicação e confirmação da verdade divina, ampliando o alcance apologético das críticas culturais de Schaeffer.

Relevância Pastoral e Apologética

Para líderes e estudiosos pentecostais brasileiros, A Morte da Razão oferece uma análise cultural extremamente relevante. Embora não seja uma obra originalmente pentecostal, seu conteúdo dialoga diretamente com os princípios teológicos defendidos pelas Assembleias de Deus, especialmente quando interpretado à luz da pneumatologia bíblica.

A obra é particularmente útil para professores de Escola Bíblica Dominical e estudantes de teologia interessados em compreender os desafios intelectuais e morais do mundo contemporâneo. Ao integrar razão submissa às Escrituras, experiência espiritual autêntica e compromisso ético cristão, ela reflete o ideal teológico promovido pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) ao longo de décadas.

Conclusão

Francis Schaeffer nos oferece em A Morte da Razão uma análise indispensável sobre os dilemas filosóficos e espirituais da modernidade. Sua denúncia do relativismo moral e sua defesa da verdade objetiva são profundamente compatíveis com a teologia pentecostal clássica. Contudo, ao incorporar a perspectiva pneumatológica — que enfatiza a ação iluminadora do Espírito Santo — podemos enriquecer ainda mais suas reflexões.

Assim, conclui-se que A Morte da Razão, quando lida criticamente e complementada pela ênfase pentecostal no Espírito Santo, torna-se um instrumento apologético e pastoral eficaz. Essa integração fortalece a Igreja em sua missão de proclamar a verdade do evangelho em um mundo marcado pelo relativismo e pela confusão moral.

Referências

- FEE, Gordon D. *Paulo, o Espírito e o povo de Deus*. São Paulo: Vida Nova, 1997.
- GILBERTO, Antônio. *Teologia Sistemática Pentecostal*. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
- HORTON, Stanley M. *O que a Bíblia diz sobre o Espírito Santo*. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
- SCHAEFFER, Francis A. *A morte da razão*. São Paulo: Cultura Cristã, 2005.
- CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL (CGADB). *Declaração de Fé das Assembleias de Deus*. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A Desconstrução Teológica da Escravidão: Uma Análise na Perspectiva Ortodoxa Assembleiana

15.01.2026

Publicado pelo pastor Irineu Messias

A escravidão, em sua configuração colonial e racial, não representa apenas um erro histórico ou um desvio ético; ela constitui uma heresia antropológica. Para a ortodoxia assembleiana, a legitimação de qualquer sistema que reduza o ser humano à condição de objeto nega os pilares da criação, da queda e da redenção.
1. A Dignidade Ontológica na Declaração de Fé
O ponto de partida para qualquer análise social no campo assembleiano reside em sua Declaração de Fé das Assembleias de Deus. O documento oficial estabelece que a natureza humana é dotada de uma dignidade que transcende estruturas políticas ou econômicas.
No Capítulo X, que trata da Criação do Homem, a Declaração afirma:
"Cremos que o homem foi criado por Deus [...] dotado de inteligência, consciência e livre-arbítrio. [...] A dignidade humana baseia-se no fato de que o homem foi feito à imagem de Deus, e isso o coloca acima de toda a criação material."
Sob essa ótica, a escravidão é uma tentativa violenta de apagar a Imago Dei. Ao transformar um portador da imagem divina em mercadoria (chattel), o sistema escravista comete um ato de rebelião contra o Criador.
2. A Distorsão Exegética e a Crítica à "Escravidão Racial"
Um dos maiores desafios teológicos é responder àqueles que, em meados do século XIX, utilizaram a Bíblia para defender o cativeiro no Sul dos EUA e no Brasil. O teólogo assembleiano Douglas Baptista, em sua análise sobre a moral cristã, explica que tais defensores operavam em profunda cegueira exegética.
Em sua obra Valores Cristãos, Baptista destaca:
"A tentativa de fundamentar a escravidão moderna nas Escrituras é uma fraude exegética. Enquanto a 'servidão' bíblica possuía mecanismos de proteção, libertação e dignidade, a escravidão colonial baseou-se no 'roubo de homens', um crime que a Lei de Moisés punia com a morte (Êxodo 21:16)."
Essa distinção é crucial: a ortodoxia assembleiana reconhece que o texto bíblico regulou formas de servidão antigas para mitigar a barbárie, mas nunca outorgou o direito de um homem possuir a alma e o corpo de outro de forma absoluta e racial.
3. A Soberania de Deus e a Injustiça Social em Amós e Tiago
A hermenêutica assembleiana, conforme expressa no Dicionário Bíblico Wycliffe (publicado pela CPAD), enfatiza que a justiça social é um imperativo da santidade. O silêncio diante da escravidão é interpretado como conivência com o pecado.
O comentário sobre o profeta Amós nas Lições Bíblicas de adultos reforça:
"O juízo divino sobre as nações vizinhas e sobre Israel (Amós 1-2) decorre da desumanização do próximo. Deus não ignora o clamor daqueles que são vendidos por um par de sandálias. O Evangelho não é apenas espiritual; ele é transformador das relações humanas."
Do mesmo modo, a abordagem assembleiana de Tiago 5:4 serve como uma condenação direta aos protestantes que enriqueceram à custa do suor e do sangue de africanos e seus descendentes. Reter a liberdade e o salário é, na ótica pentecostal, um pecado que "clama aos ouvidos do Senhor dos Exércitos".
4. A Unidade em Cristo: O Golpe Final no Sistema de Castas
A eclesiologia assembleiana fundamenta-se na unidade do corpo de Cristo. Se o batismo no Espírito Santo é acessível a "toda carne" (Atos 2:17), não há espaço teológico para a segregação ou para o senhorio de um crente sobre outro.
Conforme o pensamento de Stanley Horton, em sua Teologia Sistemática:
"O Novo Testamento introduz um princípio que torna a escravidão obsoleta: a fraternidade em Cristo. Ao tratar o escravo como 'irmão amado' (Filemom 1:16), o Evangelho remove a base de sustentação da instituição escravista, desmoronando o orgulho racial e social."
Conclusão: A Responsabilidade do Pensamento Ortodoxo
Conclui-se que a defesa da escravidão por protestantes do passado não foi um erro de "leitura literal", mas sim uma apostasia ética. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus e a produção literária da CPAD convergem para um ponto comum: a liberdade é o estado natural do homem criado por Deus.
Qualquer sistema que negue essa liberdade deve ser rejeitado não apenas como injustiça social, mas como uma afronta doutrinária à obra de Cristo, que veio para "pregoar liberdade aos cativos" (Lucas 4:18).
Referências Bibliográficas e Fontes Oficiais:
  • Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD.
  • BAPTISTA, Douglas. Valores Cristãos. Rio de Janeiro: CPAD.
  • HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
  • SOARES, Esequias. O Ministério Profético em Amós. Rio de Janeiro: CPAD.
  • Wycliffe. Dicionário Bíblico. Rio de Janeiro: CPAD.

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domingo, 11 de janeiro de 2026

A Relação Teológica, Doutrinária, Ortodoxa e Histórica entre o Pentecostalismo Clássico e a Patrística

11.01.2026


O período patrístico se refere à era dos pais da Igreja, sucessores dos apóstolos, seus escritos e pensamentos, que formam a literatura cristã antiga. A expressão “teologia patrística” foi criada pelos teólogos do século XVIII, quando expuseram a doutrina dos pais da Igreja, distinguindo-a da “teologia bíblica, escolástica, simbólica e especulativa”.

A patrística tem caráter doutrinal, se relacionando também com a teologia moral, teologia espiritual, a Sagrada Escritura e a liturgia. A patrística teve sua origem na necessidade urgente de consolidar a tradição ortodoxa, tendo assim um peso de autoridade (não absoluto) para validar as doutrinas ou opor-se a elas.

O termo “pai” ou “padre”, de onde se origina “patrística”, é um título já encontrado entre os filósofos gregos e entre os judeus para indicar o mestre que se ocupa da instrução e formação e que faz com que o discípulo nasça para uma nova vida.

A relação teológica e doutrinária entre o Pentecostalismo Clássico e a teologia ortodoxa dos Pais da Igreja, pode ser constatada através das inúmeras citações feitas a esse período por teólogos pentecostais. Observemos alguns exemplos:

Myer Pearlman

“Como foi preservada a doutrina da Trindade de não deslocar para os extremos, nem para o lado da Unidade (sabelianismo) nem para o lado da Tri-unidade (triteísmo)? Foi pela formulação de dogmas, isto é, interpretações que definissem a doutrina e a protegessem contra o erro. O seguinte exemplo de dogma acha-se no Credo de Atanásio formulado no quinto século […].” (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Vida, 1987, p. 52).
“Embora as seguintes palavras do credo de Niceia (século quarto) tenham sido, como ainda são, recitadas por muitos de maneira formalista, não obstante, elas expressam fielmente sincera convicção da igreja primitiva […].” (Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Vida, 1987, p. 100)

Raimundo de Oliveira

“O primeiro concílio da Igreja que fez uma lista de vinte e sete livros do Novo Testamento, foi o Concílio de Cartago, na África, no ano 397, da nossa Era. Livros soltos do Novo Testamento já eram considerados como Escritura canônica bem antes desse tempo, enquanto que a maioria foi aceita nos anos posteriores aos apóstolos.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 36)

“O arianismo encontrou em Atanásio o seu mais corajoso oponente. Ao seu tempo escreveu Atanásio: ‘A verdade revela que o Logos não é uma dessas coisas criadas; ao invés disso, é seu Criador’ […]. Cirilo conseguiu a condenação de Nestório no Sínodo romano de agosto de 430, ratificada no Sínodo de Alexandria. […] Se alguém não confessar que o Verbo de Deus sogreu na carne e foi crucificado na carne… seja anátema. O Concílio de Éfeso, realizado em 431, aprovou esta carta contendo os doze anátemas de Cirilo. […] Numa tentativa de pôr fim às demandas cristológicas dos primeiros quinhentos anos da história da Igreja, o Concílio de Calcedônia, reunido em 451, firmou e aprovou o seguinte documento […].” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 95-98)

“Grandes vultos da Igreja Primitiva, comumente chamados de ‘Pais da Igreja’, tinham como ponto pacífico a crença quanto à imagem de Deus no homem, a qual consistia principalmente nas características racionais e morais do homem, e em sua capacidade de santificar-se. […] A distinção entre a imagem e a semelhança de Deus no homem, feita por alguns Pais da Igreja, foi aceita e seguida por muitas escolas de interpretações que iriam influir no pensamento cristão nos anos seguintes.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 163,164)

“Na igreja latina, porém, apareceu uma tendência diferente através da pessoa de Tertuliano, que segundo alguns teólogos, foi o homem que depois de Paulo teve maior senso a respeito do pecado. Tertuliano considerou o pecado original uma infecção hereditária. Ambrósio, outro famoso Pai da Igreja latina, foi além de Tertuliano na questão do pecado original e o descreveu como um estado, e fez uma distinção entre a corrupção inata e a resultante culpa do homem. Porém, foi através do talento e do espírito de Agostinho que a doutrina do pecado original alcançou um total desenvolvimento.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 199,200)

“Dos oitenta e quatro chamados Pais da Igreja primitiva, só dezesseis criam que o Senhor se referiu a Pedro, quando disse “essa pedra”. Os demais, uns diziam que a expressão se referia a Cristo mesmo, outros à confissão que Pedro acabara de fazer, ou, ainda, a todos os apóstolos.” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 257)

“De acordo com a História da Igreja, foram as congregações locais que escolheram espontaneamente, proeminentes bispos, como Atanásio (328- d.c), Ambrósio (374 d.C.) e Crisóstomo (398 d.C.).” (As Grandes Doutrinas da Bíblia, CPAD, 1987, p. 265).

Abraão de Almeida

“A mais famosa de todas as escolas patrísticas foi a de Alexandria, onde tiveram atuação destacada Clemente, Panteno e Orígenes. No período de apogeu, os filósofos patrísticos procuram esclarecer o sentido autêntico das verdades reveladas, aproveitando, para isso, a derrota do paganismo. Agostinho, representante do período de apogeu, foi o maior filósofo da época patrística e uma das mais profundas e luminosas inteligências de todos os tempos.” (Teologia Contemporânea: A Influência das Correntes Filosóficas e Teológicas na Igreja, 12ª impressão, CPAD, 2016, p. 19).

Gary B. McGee

“Quando o Concílio Geral (título abreviado do Concílio Geral das Assembleias de Deus) veio a existir, em Hot Springs, Estado de Arkansas, em abril de 1914, já havia entre os participantes um consenso doutrinário, edificado nas verdades históricas da fé […].” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 21)

John R. Higgins

“Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Gregório Nazianso, Justino o Mártir, Irineu, Tertuliano, Orígenes, Ambrósio, Jerônimo, Agostinho […], e um número incontável de outros gigantes da história da Igreja, reconhecem que a Bíblia foi, de fato, inspirada por Deus, e que é inteiramente verdade”. (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 108)

Kerry D. McRoberts

“Entramos no labirinto eclesiástico do desenvolvimento histórico da teologia trinitariana, seguindo nos passos de Irineu. Ele era bispo de Lião, na Gália, e discípulo de Policarpo que, por sua vez, era discípulo do apóstolo João. Em Irineu, portanto, temos um vínculo direto com a doutrina apostólica. […] Tertuliano, o ‘bispo pentecostal de Cartago’ (160-230), fez contribuições de valor inestimável para o desenvolvimento da ortodoxia trinitariana. […] A Igreja avançou ainda mais através do labirinto teológico da formulação doutrinária com o trabalho do célebre Orígenes (c. de 185-254). […] Trezentos bispos da Igreja Ocidental (alexandrina) e da Igreja Oriental (antioquiana) reuniram-se em Niceia, no grande concílio ecumênico, que procuraria definir com precisão teológica a doutrina da Trindade. […] Atanásio geralmente recebe o crédito de ter sido o grande defensor da fé no Concílio de Niceia. A parte maior da obra de Atanásio, porém, foi consumada depois desse grande concílio ecumênico.” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 165-175)

Carolyn Denise Baker e Frank D. Macchia

“Nos primeiros séculos depois de Cristo, os pais da igreja pouco disseram a respeito dos anjos. A maior parte de sua atenção era dedicada a outros assuntos, mormente à natureza de Cristo. Mesmo assim, todos eles acreditavam na existência dos anjos.” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal Clássica, Stanley Horton [E.], 11. ed. CPAD, 2008, p. 192)

Claudionor de Andrade

“Os ortodoxos afirmam que a Bíblia é a Palavra de Deus. […] Tertuliano escreveu Contra Marcião, numa apaixonada apologia do cânon atual da Bíblia Sagrada. Orígenes de Alexandria, nascido no Egito por volta de 185, também saiu com presteza, a fim de defender o cânon das Sagradas Escrituras. […] Nascido em 296, Atanásio tornou-se conhecido como o pai da ortodoxia em virtude de seu apaixonado zelo pela pureza doutrinária da fé cristã. À semelhança de seus predecessores, fez ele uma brilhante apologia da inspiração divina das Escrituras Sagradas como a Palavra de Deus.” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 24,25)

“Jerônimo (331-414) jamais deixará de ser honrado como um dos mais notáveis eruditos da Igreja Cristã. Designado por Dâmaso (305-384), bispo de Roma, a revisar a Vetus Latina, entregou aos cristãos do Império Romano uma tradução primorosa da Bíblia Sagrada em latim (Vulgata).” (A Bíblia: A sempre atual Palavra de Deus, Edições Bernhard Johnson, 2021, p. 81)

“Os mais conceituados teólogos aceitam, defendem e proclamam a inerrância da Bíblia Sagrada como a inspirada e infalível Palavra de Deus. Têm-na eles como uma das colunas do Cristianismo; sem ela, nossa fé não teria qualquer razão de ser. Agostinho (354-430) também é firme no que concerne à inerrância bíblica: ‘Creio firmemente que nenhum daqueles autores errou em qualquer aspecto do que escreveu.’” (A Bíblia: A sempre atual Palavra de Deus, Edições Bernhard Johnson, 2021, p. 115)

Esequias Soares

“Muitos afirmam que Mateus escreveu o seu evangelho originalmente em hebraico e que depois ele foi traduzido para o grego. Isso com base na declaração dos pais da igreja, principalmente Papias (70-155), conforme registrada por Eusébio de Cesareia (264-340), historiador da igreja (história Eclesiástica, Livro III.39). […] Marcos não foi testemunha ocular dos fatos que escreveu. Segundo Irineu de Lião (125-202), Marcos ouviu de Pedro o que registrou em seu evangelho (Contra as Heresias 3.1), o que parece ter a confirmação em 1 Pedro 5.13. […] Lucas, o médico amado (Cl 4.14), foi companheiro de Paulo e dele certamente ouviu muitas coisas sobre Jesus (2 Tm 4.11). Irineu afirma que Lucas registrou o que ouviu nas pregações do apóstolo Paulo (Contra as Heresias, 3.1). […] Irineu afirma que João escreveu o seu evangelho em Éfeso (Contra as heresias, 3.1).” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 15-17)

“Justino, o Mártir (100-165), afirmava que as sementes da sabedoria divina foram semeadas por todo o mundo, portanto os cristãos podiam encontrar lampejos da verdade divina por toda parte, ou seja, na filosofia secular da Grécia. […] resumindo: nem tudo que foi ensinado pelos filósofos estava fora das Escrituras.” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 20,21)

“Os pais da igreja rebateram as heresias gnósticas, entre eles, Irineu de Lião, o principal expositor cristão que combateu o gnosticismo em sua obra Adversus Haerese (Contra as Heresias). […] Tertuliano (145-220), de Cartago, reconhecido como o Pai do Cristianismo Latino, refutou outras heresias e, entre elas, o gnosticismo em Contra Marcião e Contra Valentino. Hipólito de Roma (170-236), discípulo de Irineu, combateu o gnosticismo bem como outras heresias em Contra Todas as Heresias.” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 63)

“Atanásio (296-373) foi o inimigo implacável da doutrina arianista, dizia que o Filho é eterno e da mesma substância do Pai, ou seja, (homoousios), ‘da mesma substância; consubstancial’. O termo é central para o argumento de Atanásio contra Ário e a solução do problema trinitariano oferecido no Concílio de Niceia (325 d.C).” (Cristologia: A Doutrina de Jesus Cristo, Hagnos, 2008, p. 67)

“Os escritores cristãos, até o século III, referiram-se ao termo ‘teologia’ de forma negativa, como mitologia pagã. Orígenes foi o primeiro a emprega-lo no contexto cristão como ‘a sublimidade e a majestade da teologia’ (Contra Celso, 6.18). […] Qual é a fonte da teologia cristã? A própria palavra de Deus. […] É de Agostinho de Hipona a expressão: ‘creio para compreender’ […].” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 51,52).

“A religiosidade humana é um fato universal e incontestável. Agostinho de Hipona declarou: ‘Ó Deus! Tu nos fizeste para ti mesmo, e a nossa alma não achará repouso, até que volt a ti’ (Confissões I.I)”. (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 51,52, p. 55)

“[…] Tertuliano chamou-os de monarquianistas – gr. monarchia, ‘governo exercido por um único soberano’ […]. Práxeas foi discípulo de Noet, e o seu principal opositor foi Tertuliano. […] Hipólito, em Contra Todas as Heresias, refutou essas ideias, que hoje são defendidas pelos unicistas. […] Atanásio (296-373), o inimigo implacável da doutrina de Ário, dizia que o Filho é eterno e da mesma substância do Pai, ou seja, (homoousios), ‘da mesma substância; consubstancial’. O termo é central para o argumento de Atanásio contra Ário e a solução do problema trinitariano oferecido no Concílio de Niceia (325 d.C).” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 93-95)

“O credo de Atanásio ou Atanasiano. […] Mais longo que o Niceno, trata-se de um credo que enfatiza, de modo mais pormenorizado, a Trindade. […] Na verdade, o Credo Atanasiano traz esse nome porque Atanásio defendeu tenazmente a ortodoxia cristã; no entanto, o autor do tal credo é desconhecido. […] Cada uma das três Pessoas desempenha um papel na igreja. Essa verdade ensinada primeiramente aos crentes de Éfeso, consta também do Credo de Atanásio […].” (Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, Antonio Gilberto [E.], 2. ed. CPAD, 2008, p. 96,97,101)

“Muitos documentos foram produzidos através dos séculos com o propósito de simplificar e facilitar a compreensão do pensamento cristão para o crescimento espiritual da Igreja, para protegê-la das heresias e para atender a necessidade regional de uma denominação. Os credos e confissões de fé ocupam um espaço importante na vida das igrejas, daí a importância de conhecer sua história e seu desenvolvimento.” (Credos e Confissões de Fé, Editora Bereia, 2013, p. 11)

William W. Menzies e Stanley Horton

“Em 367 d. C., o mais ortodoxo dos teólogos da época, o grande campeão da verdade bíblica, Atanásio, fez uma seleção de todos os livros que até então circulavam no mundo mediterrâneo, e que se diziam documentos apostólicos. Seu exame concluiu que apenas 27 livros (os mesmos que temos hoje no Novo Testamento) podiam ser considerados de fato como a infalível e inspirada Palavra de Deus.” (Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé, CPAD, 2011, p. 25)

Além da aprovação do Conselho de Doutrina da CGADB em todas as obras da CPAD aqui citadas, a ligação teológica, doutrinária, ortodoxa e histórica inequívoca entre o Pentecostalismo Clássico e a Patrística, e isso em relação aos pontos cardeais ou centrais da fé cristã, foi consolidada no Brasil através da Declaração de Fé das Assembleias de Deus (2. ed., CPAD, 2017, p. 217-220), que publicou em seu apêndice os Credos Ecumênicos (o Credo dos Apóstolos, o Credo Niceno, o Credo Niceno-Constantinopolitano, o Credo de Calcedônia e o Credo de Atanásio ou Atanasiano):

“Os credos considerados universais são conhecidos como “credos ecumênicos”, visto que a sua aceitação é ampla e não se restringe a uma ou outra região. […] Seu conteúdo consta aqui neste apêndice, demonstrando que temos muitos pontos em comum com os primeiros cristãos. Esses credos são geralmente aceitos por católicos romanos, ortodoxos gregos e protestantes, pois seu conteúdo é comum às principais religiões que ostentam a bandeira de Cristo. […] A Comissão Especial pesquisou os credos ecumênicos e as principais confissões de fé históricas durante mais de um ano inteiro examinando seu conteúdo, forma e apresentação.” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus , 2. ed., CPAD, 2017, p. 16-18)

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Fonte: https://altairgermano.com.br/a-relacao-teologica-doutrinaria-ortodoxa-e-historica-entre-o-pentecostalismo-classico-e-a-patristica/

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

"Abreu e Lima: Uma Cidade de Joelhos". Documentário

27.12.2024
Postado por Pr Irineu Messias

Documentário "Abreu e Lima: Uma cidade de Joelhos", foi exibido nesta segunda-feira (23). Foto: Cortesia
O documentário "Abreu e Lima: Uma Cidade de Joelhos", contemplado pela Lei Paulo Gustavo, foi exibido ao público no dia 23 de dezembro de 2024, a partir das 19h, no auditório do Cineteatro da Secretaria de Cultura, localizado no bairro da Boa Esperança, na Região Metropolitana do Grande Recife. A exibição foi gratuita, permitindo que todos pudessem participar desse momento especial.

Um Olhar Sobre a Fé em Abreu e Lima

Este curta-metragem, com duração de 24 minutos, apresenta entrevistas realizadas nas comunidades religiosas locais, buscando entender as razões por trás da intensa busca pela fé entre os moradores de Abreu e Lima. É uma oportunidade valiosa para refletirmos sobre a espiritualidade que permeia a vida de tantas pessoas.

Contexto Religioso

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Abreu e Lima abriga uma porcentagem de evangélicos que supera a média nacional, indicando uma transformação significativa no cenário religioso do município. Com uma rica diversidade de crenças, cerca de 35% da população se declara protestante, enquanto a média nacional é de 32%.

O Que Esperar do Documentário

As filmagens, realizadas ao longo deste ano, incluem depoimentos de pastores que compartilham sobre a espiritualidade dos membros de suas igrejas e a busca incessante pela palavra de Deus. O documentário retrata momentos de consagração através dos louvores e o profundo arrependimento dos pecadores, oferecendo um retrato sincero do universo da fé.

Produção

A direção, produção e roteiro do documentário são de responsabilidade do jornalista Gamal Nasser, que traz à luz a riqueza da experiência religiosa em Abreu e Lima.
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Nota: Matéria elaborada a partir do texto escrito no jornal FOLHA DE PERNAMBUCO. Clique aqui e leia a matéria original.
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Fonte:https://www.folhape.com.br/cultura/documentario-abreu-e-lima-uma-cidade-de-joelhos-sera-exibido-nesta/380358/

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Declaração de Fé das ASSEMBLEIAS DE DEUS

15.05.2024


Em um mundo em transformações que frequentemente modifica suas premissas e valores, os princípios absolutos da Bíblia Sagrada permanecem inabaláveis, evidenciando o propósito divino para a humanidade. Temos a Bíblia como a revelação de Deus, dada a santos homens por inspiração do Espírito Santo e a reconhecemos como autoridade única e infalível quanto a fé e conduta. Dessa divisa deriva nosso “Cremos” que consta de 16 pontos doutrinais publicados e praticados pelas Assembleias de Deus no Brasil. Para maior entendimento do posicionamento doutrinário das Assembleias de Deus no Brasil esses dezesseis artigos de fé estão sistemática e didaticamente explicados na Declaração de Fé aprovada em 2017, seguindo a mesma sequência dos assuntos do “Cremos”, acrescidos de outros temas ensinados pela Igreja. Clique aqui para ler a Declaração de Fé.

1) Na inspiração divina, verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão (2 Tm 3.14-17);

2). Em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas distintas que, embora distintas, são iguais em poder, glória e majestade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; Criador do Universo, de todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, e, de maneira especial, os seres humanos, por um ato sobrenatural e imediato, e não por um processo evolutivo (Dt 6.4; Mt 28.19; Mc 12.29; Gn 1.1; 2.7; Hb 11.3 e Ap 4.11);

3) No Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, plenamente Deus, plenamente Homem, na concepção e no seu nascimento virginal, em sua morte vicária e expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e em sua ascensão vitoriosa aos céus como Salvador do mundo (Jo 3.16- 18; Rm 1.3,4; Is 7.14; Mt 1.23; Hb 10.12; Rm 8.34 e At 1.9);

4). No Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, consubstancial com o Pai e o Filho, Senhor e Vivificador; que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo; que regenera o pecador; que falou por meio dos profetas e continua guiando o seu povo (2 Co 13.13; 2 Co 3.6,17; Rm 8.2; Jo 16.11; Tt 3.5; 2 Pe 1.21 e Jo 16.13);

5) Na pecaminosidade do homem, que o destituiu da glória de Deus e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e redentora de Jesus Cristo podem restaurá-lo a Deus (Rm 3.23; At 3.19);

6) Na necessidade absoluta do novo nascimento pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus para tornar o homem aceito no Reino dos Céus (Jo 3.3-8, Ef 2.8,9);

7) No perdão dos pecados, na salvação plena e na justificação pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor (At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26; Hb 7.25; 5.9);

8) Na Igreja, que é o corpo de Cristo, coluna e firmeza da verdade, una, santa e universal assembleia dos fiéis remidos de todas as eras e todos os lugares, chamados do mundo pelo Espírito Santo para seguir a Cristo e adorar a Deus (1 Co 12.27; Jo 4.23; 1 Tm 3.15; Hb 12.23; Ap 22.17);
9) . No batismo bíblico efetuado por imersão em águas, uma só vez, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo (Mt 28.19; Rm 6.1-6; Cl 2.12);

10) Na necessidade e na possibilidade de termos vida santa e irrepreensível por obra do Espírito Santo, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas de Jesus Cristo (Hb 9.14; 1 Pe 1.15);

11) No batismo no Espírito Santo, conforme as Escrituras, que nos é dado por Jesus Cristo, demonstrado pela evidência física do falar em outras línguas, conforme a sua vontade (At 1.5; 2.4; 10.44-46; 19.1-7);

12) Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme sua soberana vontade para o que for útil (1 Co 12.1-12);

13) Na segunda vinda de Cristo, em duas fases distintas: a primeira — invisível ao mundo, para arrebatar a sua Igreja antes da Grande Tribulação; a segunda — visível e corporal, com a sua Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil anos (1 Ts 4.16, 17; 1 Co 15.51-54; Ap 20.4; Zc 14.5; Jd 1.14);

14) No comparecimento ante o Tribunal de Cristo de todos os cristãos arrebatados, para receberem a recompensa pelos seus feitos em favor da causa de Cristo na Terra (2 Co 5.10);

15) No Juízo Final, onde comparecerão todos os ímpios: desde a Criação até o fim do Milênio; os que morrerem durante o período milenial e os que, ao final desta época, estiverem vivos. E na eternidade de tristeza e tormento para os infiéis e vida eterna de gozo e felicidade para os fiéis de todos os tempos (Mt 25.46; Is 65.20; Ap 20.11-15; 21.1-4).

16) Cremos, também, que o casamento foi instituído por Deus e ratificado por nosso Senhor Jesus Cristo como união entre um homem e uma mulher, nascidos macho e fêmea, respectivamente, conforme o definido pelo sexo de criação geneticamente determinado (Gn 2.18; Jo 2.1,2; Gn 2.24; 1.27).
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Fonte:https://assembleia.org.br/em-que-cremos/

terça-feira, 11 de abril de 2023

A importância dos evangélicos pentecostais na construção da religiosidade cristã brasileira, principalmente as Assembleias de Deus

11.04.2023

Editado por Irineu Messias*

Assembleia de Deus do Planalto Central, em Brasília/DF, presidida pelo pastor Rinaldo Alves dos Santos. Reunião de ministros evangélicos em um dos eventos da igreja, 2017

As Assembleias de Deus são uma denominação evangélica pentecostal que surgiu no Brasil no início do século XX. Desde então, essa igreja tem desempenhado um papel fundamental na construção da religiosidade cristã no país. Neste artigo, discutiremos a importância dos evangélicos pentecostais, com foco nas Assembleias de Deus, na formação da religiosidade brasileira.

Logotipo da Assembleia de Deus Ebenézer em Pernambuco, presidida pelo pastor Robenildo Lins
Uma das principais contribuições dos evangélicos pentecostais foi a introdução de uma forma mais emotiva de culto. Antes da chegada dos pentecostais, uma religião no Brasil era dominada pelo catolicismo, que enfatizava a liturgia e a reverência ao clero. Os pentecostais trouxeram uma nova abordagem, que valorizou a participação ativa dos fiéis no culto, incluindo orações em línguas estranhas, e manifestações de cura divina. Esse estilo de culto mais emocional teve um grande apelo entre a população brasileira, especialmente entre os pobres e marginalizados.

Logotipo da Assembleia de Deus em Pernambuco, presidida pelo pastor Ailton José Alves 
Além disso, os evangélicos pentecostais tiveram um papel importante na promoção da alfabetização e educação em áreas remotas do país. Em muitas comunidades rurais, as Assembleias de Deus estabeleceram escolas para ensinar crianças a ler e escrever. Esse esforço educacional teve um impacto significativo no desenvolvimento dessas comunidades, ajudando a preparar uma nova geração de brasileiros para enfrentar os desafios do mundo moderno.

Outra contribuição importante dos evangélicos pentecostais foi a promoção da igualdade racial e social. No Brasil, uma religião sempre esteve ligada à estratificação social, com uma elite branca geralmente ocupando as posições mais altas na hierarquia da igreja. Os evangélicos pentecostais, no entanto, promoveram uma mensagem de igualdade e inclusão, acolhendo pessoas de todas as raças e classes sociais em suas igrejas. Isso teve um impacto significativo na construção de uma sociedade mais justa e democrática no país.

Logotipo da Assembleia de Deus em Abreu e Lima, Pernambuco. presidida pelo pastor José Roberto dos Santos
As Assembleias de Deus também foram pioneiras na utilização da mídia para evangelização. Através de programas de rádio e televisão, essa igreja alcançou milhões de pessoas em todo o Brasil e além. Isso ajudou a disseminar a mensagem do evangelho para uma audiência mais ampla, permitindo que pessoas em áreas remotas ou pacientes com deficiência tenham acesso à palavra de Deus.

Por fim, os evangélicos pentecostais, inclusive as Assembleias de Deus, tiveram um papel fundamental na construção da identidade religiosa brasileira. O pentecostalismo trouxe uma abordagem mais dinâmica e participativa para a religião, incentivando os fiéis a se envolverem mais profundamente com sua fé. Isso ajudou a criar uma comunidade religiosa unida, que compartilha valores e objetivos comuns.

Em resumo, os evangélicos pentecostais, especialmente as Assembleias de Deus, tiveram um impacto significativo na construção da religiosidade cristã no Brasil.

*Irineu Messias, é pastor e vice-presidente da Assembleia de Deus Ebenézer em Pernambuco.

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