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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A Desconstrução Teológica da Escravidão: Uma Análise na Perspectiva Ortodoxa Assembleiana

15.01.2026

Publicado pelo pastor Irineu Messias

A escravidão, em sua configuração colonial e racial, não representa apenas um erro histórico ou um desvio ético; ela constitui uma heresia antropológica. Para a ortodoxia assembleiana, a legitimação de qualquer sistema que reduza o ser humano à condição de objeto nega os pilares da criação, da queda e da redenção.
1. A Dignidade Ontológica na Declaração de Fé
O ponto de partida para qualquer análise social no campo assembleiano reside em sua Declaração de Fé das Assembleias de Deus. O documento oficial estabelece que a natureza humana é dotada de uma dignidade que transcende estruturas políticas ou econômicas.
No Capítulo X, que trata da Criação do Homem, a Declaração afirma:
"Cremos que o homem foi criado por Deus [...] dotado de inteligência, consciência e livre-arbítrio. [...] A dignidade humana baseia-se no fato de que o homem foi feito à imagem de Deus, e isso o coloca acima de toda a criação material."
Sob essa ótica, a escravidão é uma tentativa violenta de apagar a Imago Dei. Ao transformar um portador da imagem divina em mercadoria (chattel), o sistema escravista comete um ato de rebelião contra o Criador.
2. A Distorsão Exegética e a Crítica à "Escravidão Racial"
Um dos maiores desafios teológicos é responder àqueles que, em meados do século XIX, utilizaram a Bíblia para defender o cativeiro no Sul dos EUA e no Brasil. O teólogo assembleiano Douglas Baptista, em sua análise sobre a moral cristã, explica que tais defensores operavam em profunda cegueira exegética.
Em sua obra Valores Cristãos, Baptista destaca:
"A tentativa de fundamentar a escravidão moderna nas Escrituras é uma fraude exegética. Enquanto a 'servidão' bíblica possuía mecanismos de proteção, libertação e dignidade, a escravidão colonial baseou-se no 'roubo de homens', um crime que a Lei de Moisés punia com a morte (Êxodo 21:16)."
Essa distinção é crucial: a ortodoxia assembleiana reconhece que o texto bíblico regulou formas de servidão antigas para mitigar a barbárie, mas nunca outorgou o direito de um homem possuir a alma e o corpo de outro de forma absoluta e racial.
3. A Soberania de Deus e a Injustiça Social em Amós e Tiago
A hermenêutica assembleiana, conforme expressa no Dicionário Bíblico Wycliffe (publicado pela CPAD), enfatiza que a justiça social é um imperativo da santidade. O silêncio diante da escravidão é interpretado como conivência com o pecado.
O comentário sobre o profeta Amós nas Lições Bíblicas de adultos reforça:
"O juízo divino sobre as nações vizinhas e sobre Israel (Amós 1-2) decorre da desumanização do próximo. Deus não ignora o clamor daqueles que são vendidos por um par de sandálias. O Evangelho não é apenas espiritual; ele é transformador das relações humanas."
Do mesmo modo, a abordagem assembleiana de Tiago 5:4 serve como uma condenação direta aos protestantes que enriqueceram à custa do suor e do sangue de africanos e seus descendentes. Reter a liberdade e o salário é, na ótica pentecostal, um pecado que "clama aos ouvidos do Senhor dos Exércitos".
4. A Unidade em Cristo: O Golpe Final no Sistema de Castas
A eclesiologia assembleiana fundamenta-se na unidade do corpo de Cristo. Se o batismo no Espírito Santo é acessível a "toda carne" (Atos 2:17), não há espaço teológico para a segregação ou para o senhorio de um crente sobre outro.
Conforme o pensamento de Stanley Horton, em sua Teologia Sistemática:
"O Novo Testamento introduz um princípio que torna a escravidão obsoleta: a fraternidade em Cristo. Ao tratar o escravo como 'irmão amado' (Filemom 1:16), o Evangelho remove a base de sustentação da instituição escravista, desmoronando o orgulho racial e social."
Conclusão: A Responsabilidade do Pensamento Ortodoxo
Conclui-se que a defesa da escravidão por protestantes do passado não foi um erro de "leitura literal", mas sim uma apostasia ética. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus e a produção literária da CPAD convergem para um ponto comum: a liberdade é o estado natural do homem criado por Deus.
Qualquer sistema que negue essa liberdade deve ser rejeitado não apenas como injustiça social, mas como uma afronta doutrinária à obra de Cristo, que veio para "pregoar liberdade aos cativos" (Lucas 4:18).
Referências Bibliográficas e Fontes Oficiais:
  • Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD.
  • BAPTISTA, Douglas. Valores Cristãos. Rio de Janeiro: CPAD.
  • HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
  • SOARES, Esequias. O Ministério Profético em Amós. Rio de Janeiro: CPAD.
  • Wycliffe. Dicionário Bíblico. Rio de Janeiro: CPAD.

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quarta-feira, 5 de março de 2014

Baldes cheios de lágrimas

05.03.2014
Do portal ULTIMATO ON LINE
Por Elben César

quarta-feira

Agora, ricos, escutem! Chorem e gritem pelas desgraças que vocês vão sofrer. (Tg 5.1)
Tiago se sente na obrigação de avisar: uma carga enorme de angústias, calamidades, desgraças, desventuras e misérias está para chegar aos ricos. Naturalmente, não é para todos os ricos. Esse pacote vem para os ricos que enriqueceram de maneira duvidosa, criminosa ou injusta. Para os ricos que não pagam salários justos nem no dia certo. Para os ricos que mentem, brigam e matam. Para os ricos que deixam os Lázaros da vida tirando restos de comida de suas latas de lixo. Para os ricos que exploram a terra e danificam a criação de Deus. Para os ricos latifundiários e acumuladores de dinheiro (Is 5.8). Para os ricos sovinas do tipo de Nabal, incapazes de socorrer um grupo de errantes que está passando necessidade (1Sm 25.10-11). Para os ricos corruptos do tipo do rei Acabe, que calunia e manda matar o vizinho de seu palácio só para ficar com a plantação de uvas dele (1Rs 21.14).
Para os ricos do tipo daquele rico da parábola de Natã, que tomou a ovelha de estimação do vizinho pobre para dar de comer ao seu próprio hóspede (2Sm 12.2-4). Para os ricos que não têm a menor consciência social e que dizem em seu íntimo que os pobres não são problema deles. Para os ricos que se ajoelham diante do cifrão e prestam culto a ele.
Especialmente a estes, Tiago recomenda: chorem em altos brados, gemam, gritem, lamentem, rompam em prantos. Não depois, mas agora. Esse choro seria apenas uma antecipação do choro escatológico. Na paráfrase de Eugene Peterson, a fraseologia é mais provocativa: “Preparem baldes para as lágrimas que irão derramar”.
A palavra de Tiago não é original. Poucos anos antes dele, o próprio Jesus Cristo mandou chorar: “Ai de vocês que agora são ricos, pois já tiveram a sua vida boa. Ai de vocês que agora têm tudo, pois vão passar fome. Ai de vocês que agora estão rindo, pois vão chorar e se lamentar” (Lc 6.24-25).
– Se sou rico, esta é a hora de me autoexaminar e chorar, se preciso for!

>> Retirado de Refeições Diárias com os Discípulos. Editora Ultimato.
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Fonte:http://ultimato.com.br/sites/devocional-diaria/2014/03/05/autor/elben-cesar/baldes-cheios-de-lagrimas/