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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A Desconstrução Teológica da Escravidão: Uma Análise na Perspectiva Ortodoxa Assembleiana

15.01.2026

Publicado pelo pastor Irineu Messias

A escravidão, em sua configuração colonial e racial, não representa apenas um erro histórico ou um desvio ético; ela constitui uma heresia antropológica. Para a ortodoxia assembleiana, a legitimação de qualquer sistema que reduza o ser humano à condição de objeto nega os pilares da criação, da queda e da redenção.
1. A Dignidade Ontológica na Declaração de Fé
O ponto de partida para qualquer análise social no campo assembleiano reside em sua Declaração de Fé das Assembleias de Deus. O documento oficial estabelece que a natureza humana é dotada de uma dignidade que transcende estruturas políticas ou econômicas.
No Capítulo X, que trata da Criação do Homem, a Declaração afirma:
"Cremos que o homem foi criado por Deus [...] dotado de inteligência, consciência e livre-arbítrio. [...] A dignidade humana baseia-se no fato de que o homem foi feito à imagem de Deus, e isso o coloca acima de toda a criação material."
Sob essa ótica, a escravidão é uma tentativa violenta de apagar a Imago Dei. Ao transformar um portador da imagem divina em mercadoria (chattel), o sistema escravista comete um ato de rebelião contra o Criador.
2. A Distorsão Exegética e a Crítica à "Escravidão Racial"
Um dos maiores desafios teológicos é responder àqueles que, em meados do século XIX, utilizaram a Bíblia para defender o cativeiro no Sul dos EUA e no Brasil. O teólogo assembleiano Douglas Baptista, em sua análise sobre a moral cristã, explica que tais defensores operavam em profunda cegueira exegética.
Em sua obra Valores Cristãos, Baptista destaca:
"A tentativa de fundamentar a escravidão moderna nas Escrituras é uma fraude exegética. Enquanto a 'servidão' bíblica possuía mecanismos de proteção, libertação e dignidade, a escravidão colonial baseou-se no 'roubo de homens', um crime que a Lei de Moisés punia com a morte (Êxodo 21:16)."
Essa distinção é crucial: a ortodoxia assembleiana reconhece que o texto bíblico regulou formas de servidão antigas para mitigar a barbárie, mas nunca outorgou o direito de um homem possuir a alma e o corpo de outro de forma absoluta e racial.
3. A Soberania de Deus e a Injustiça Social em Amós e Tiago
A hermenêutica assembleiana, conforme expressa no Dicionário Bíblico Wycliffe (publicado pela CPAD), enfatiza que a justiça social é um imperativo da santidade. O silêncio diante da escravidão é interpretado como conivência com o pecado.
O comentário sobre o profeta Amós nas Lições Bíblicas de adultos reforça:
"O juízo divino sobre as nações vizinhas e sobre Israel (Amós 1-2) decorre da desumanização do próximo. Deus não ignora o clamor daqueles que são vendidos por um par de sandálias. O Evangelho não é apenas espiritual; ele é transformador das relações humanas."
Do mesmo modo, a abordagem assembleiana de Tiago 5:4 serve como uma condenação direta aos protestantes que enriqueceram à custa do suor e do sangue de africanos e seus descendentes. Reter a liberdade e o salário é, na ótica pentecostal, um pecado que "clama aos ouvidos do Senhor dos Exércitos".
4. A Unidade em Cristo: O Golpe Final no Sistema de Castas
A eclesiologia assembleiana fundamenta-se na unidade do corpo de Cristo. Se o batismo no Espírito Santo é acessível a "toda carne" (Atos 2:17), não há espaço teológico para a segregação ou para o senhorio de um crente sobre outro.
Conforme o pensamento de Stanley Horton, em sua Teologia Sistemática:
"O Novo Testamento introduz um princípio que torna a escravidão obsoleta: a fraternidade em Cristo. Ao tratar o escravo como 'irmão amado' (Filemom 1:16), o Evangelho remove a base de sustentação da instituição escravista, desmoronando o orgulho racial e social."
Conclusão: A Responsabilidade do Pensamento Ortodoxo
Conclui-se que a defesa da escravidão por protestantes do passado não foi um erro de "leitura literal", mas sim uma apostasia ética. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus e a produção literária da CPAD convergem para um ponto comum: a liberdade é o estado natural do homem criado por Deus.
Qualquer sistema que negue essa liberdade deve ser rejeitado não apenas como injustiça social, mas como uma afronta doutrinária à obra de Cristo, que veio para "pregoar liberdade aos cativos" (Lucas 4:18).
Referências Bibliográficas e Fontes Oficiais:
  • Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD.
  • BAPTISTA, Douglas. Valores Cristãos. Rio de Janeiro: CPAD.
  • HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
  • SOARES, Esequias. O Ministério Profético em Amós. Rio de Janeiro: CPAD.
  • Wycliffe. Dicionário Bíblico. Rio de Janeiro: CPAD.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A Inabalável Âncora da Alma: A Esperança da Vida Eterna em Cristo

15.01.2025

Publicado pelo pastor Irineu Messias

A vida é uma jornada complexa, marcada por incertezas, desafios e a inevitável consciência de nossa finitude. Em meio a tantas indagações sobre o propósito da existência e o destino final da humanidade, o coração humano anseia por algo que transcenda o tempo e o espaço. Para o crente, essa profunda busca encontra sua gloriosa e segura resposta na esperança da vida eterna, um dom inestimável concedido por nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.


Vamos explorar essa esperança em alguns pontos essenciais:


1. A Condição Humana e a Realidade do Pecado


  • A Queda e suas Consequências: A Bíblia nos revela que, desde a queda da humanidade no Éden, o pecado entrou no mundo. Como resultado, todos os seres humanos nascem com uma natureza pecaminosa, separados de Deus.
  • A Sentença de Morte: A consequência mais grave do pecado é a morte, não apenas física, mas principalmente espiritual, que nos impede de ter comunhão plena com nosso Criador. A Escritura declara: "Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram" (Romanos 5:12). E mais diretamente: "Porque o salário do pecado é a morte..." (Romanos 6:23a). Esta seria a nossa sentença final, não fosse a intervenção divina.

2. A Solução Divina em Jesus Cristo


  • O Amor de Deus em Ação: Felizmente, a narrativa bíblica não termina no desespero. Em seu infinito amor e misericórdia, Deus proveu um caminho de redenção e vida. Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, veio ao mundo.
  • O Sacrifício e a Ressurreição: Ele viveu uma vida perfeita, sem pecado, e voluntariamente entregou-se como sacrifício na cruz, levando sobre Si a penalidade de nossos pecados. Sua morte não foi o fim, mas o meio para a vitória. No terceiro dia, Ele ressuscitou dos mortos, triunfando sobre o pecado, a morte e o diabo (1 Coríntios 15:3-4, 54-57).
  • A Promessa da Vida Eterna: A ressurreição de Cristo é o pilar de nossa fé e a garantia de que nós também ressuscitaremos para uma nova vida. O evangelho de João resume essa esperança: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16).

3. A Natureza da Vida Eterna


  • Não Apenas Duração, mas Qualidade: A vida eterna não é meramente uma existência prolongada sem fim, mas uma qualidade de vida em profunda e ininterrupta comunhão com Deus. Ela começa no momento em que cremos em Cristo e se concretiza plenamente após nossa jornada terrena.
  • Uma Herança Incorruptível: É a promessa de uma herança divina que é incorruptível, imaculada e imperecível, reservada para nós nos céus (1 Pedro 1:3-4).
  • A Certeza Presente: O apóstolo João nos assegura: "E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna" (1 João 5:11-13).
  • O Futuro Glorioso: A Bíblia nos descreve um futuro glorioso: Deus enxugará toda lágrima de nossos olhos, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor (Apocalipse 21:4). Viveremos em novos céus e nova terra, na eterna e perfeita presença de Deus (Apocalipse 21:1-3). Nosso Senhor Jesus prometeu: "Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar" (João 14:2).

4. Como Abraçar a Vida Eterna


  • Pela Graça, Mediante a Fé: Essa esperança gloriosa não é conquistada por méritos ou obras humanas, mas é um dom gratuito de Deus, recebido pela fé em Jesus Cristo.

  • Arrependimento e Entrega: Para abraçá-la, somos chamados ao arrependimento de nossos pecados e a uma entrega sincera a Jesus como nosso Senhor e Salvador. A Palavra de Deus é clara: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9). Ao crermos, o Espírito Santo habita em nós, transformando nossas vidas e nos dando um antegozo dessa vida eterna.

5. O Impacto da Esperança Eterna na Vida Presente


  • Nova Perspectiva para o Agora: A esperança da vida eterna não nos distancia da realidade presente, mas nos capacita a vivê-la com um propósito renovado e uma perspectiva divina.
  • Força para as Adversidades: Ela nos concede coragem para enfrentar as provações (Romanos 8:18), paciência nas dificuldades (Romanos 5:3-5) e uma alegria inabalável, sabendo que nossa verdadeira cidadania e nosso lar estão nos céus (Filipenses 3:20).
  • Motivação para a Santidade: Essa esperança nos motiva a viver vidas que glorifiquem a Deus, servindo ao Jesus Cristo pela ação do Espírito Santo, amando ao próximo, buscando a justiça e testemunhando da maravilhosa graça que Cristo nos concedeu.

Conclusão:


Que possamos, como seguidores de Cristo, manter firmemente essa gloriosa esperança em nossos corações. Ela é, de fato, a âncora de nossa alma, firme e segura, que nos penetra até o Santo dos Santos (Hebreus 6:19). É a inabalável certeza de que o melhor ainda está por vir, e que nossa jornada culminará em uma eternidade na amorosa presença Daquele que nos amou primeiro. 

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Verdadeiro Conhecimento à Luz da Palavra de Deus

12.01.2026

Publicado pelo pastor Irineu Messias


Vivemos em uma época de excesso de informações, opiniões e teorias. Mas afinal, o que é conhecimento verdadeiro? Filósofos como Platão, Kant e Popper refletiram sobre isso em seus tempos. E, surpreendentemente, suas ideias podem nos ajudar a compreender melhor o que a Bíblia já nos ensina há séculos.

Platão: das sombras para a luz

Platão dizia que conhecer é sair das sombras da caverna e enxergar a realidade. A Bíblia nos mostra que essa realidade é Cristo: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (João 8:12)

Assim como Platão falava das sombras, a Escritura revela que sem Jesus vivemos em trevas. O verdadeiro conhecimento é andar na luz que vem de Cristo.

Kant: razão iluminada pelo temor do Senhor

Kant acreditava que o conhecimento nasce da interação entre experiência e razão. A Bíblia valoriza a razão, mas ensina que ela deve ser guiada pelo temor do Senhor“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento.” (Provérbios 9:10)

Ou seja, não basta organizar dados com a mente. A verdadeira sabedoria vem de Deus e é dada àqueles que O buscam: “Se alguém dentre vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente.” (Tiago 1:5)

Popper: o limite humano e a eternidade da Palavra

Popper dizia que o conhecimento humano é sempre provisório e precisa ser testado. A Bíblia confirma que nosso saber é limitado, mas aponta para a verdade eterna: “Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.” (Isaías 40:8)

Enquanto as teorias mudam, a Palavra de Deus permanece firme. “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente.” (Hebreus 13:8)

Conclusão

Platão nos lembra da necessidade de sair das sombras → Cristo é a luz. Kant valoriza a razão →, mas a Bíblia ensina que ela deve ser guiada pelo temor do Senhor. Popper mostra a limitação humana → e a Escritura revela a eternidade da Palavra de Deus.

O verdadeiro conhecimento não está na filosofia ou na ciência, mas na revelação divina. Em meio às incertezas do mundo, podemos descansar na certeza de que a Palavra de Deus é eterna e suficiente.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2025

A Relevância da Licenciatura em Ciências da Religião para o ministro evangélico

28.11.2025

Por pastor Irineu Messias

A formação teológica é o alicerce do ministério pastoral. Para um pastor, comprometido com a ortodoxia bíblica e os princípios evangélicos, o estudo aprofundado das Escrituras é inegociável. No entanto, a busca por uma licenciatura em Ciências da Religião pode parecer, à primeira vista, um caminho divergente. Este artigo busca demonstrar por que essa formação é, na verdade, um complemento valioso, que aprimora a compreensão do fenômeno religioso em sua totalidade, sem exigir o abandono das convicções bíblico-evangélicas. Trata-se de adquirir ferramentas analíticas e contextuais para um ministério mais eficaz.

Aspectos relevantes: 

  1. Compreensão Ampliada do Fenômeno Religioso e do Contexto Cultural
    • As Ciências da Religião oferecem métodos científicos para analisar as manifestações religiosas globalmente, do ponto de vista histórico, sociológico e antropológico. Isso permite ao pastor assembleiano entender melhor as dinâmicas sociais e culturais que moldam as crenças, inclusive dentro de sua própria denominação e comunidade. Essa compreensão contextual aprimora a aplicação da mensagem bíblica, tornando-a mais relevante para o público contemporâneo.
  1. Desenvolvimento de Habilidades de Diálogo Inter-religioso e Apologética Eficaz
    • Aprender sobre outras tradições religiosas a partir de uma perspectiva acadêmica — e não apenas apologética — capacita o pastor a dialogar com respeito e conhecimento. Em uma sociedade pluralista, essa habilidade é crucial para a evangelização e para a defesa da fé (apologética). O conhecimento aprofundado das crenças alheias permite refutações mais precisas e um testemunho cristão mais sensível e inteligente, evitando caricaturas ou preconceitos.
  1. Reforço da Própria Ortodoxia Através do Contraste Analítico
    • O estudo acadêmico de diversas correntes teológicas e filosóficas, incluindo o liberalismo teológico e a heterodoxia, fornece um "laboratório" intelectual. Ao analisar criticamente essas perspectivas com as ferramentas da ciência da religião, o pastor pode, por contraste, reforçar sua adesão consciente à ortodoxia bíblica. Ele aprende a articular suas crenças de maneira mais robusta, sabendo exatamente por que sustenta sua posição diante de outras possibilidades interpretativas.
  1. Aprimoramento do Ensino e da Comunicação da Verdade Bíblica
    • A licenciatura aprimora as habilidades pedagógicas e de pesquisa do pastor. Métodos de estudo de caso, análise de texto e teoria social, aprendidos no curso, podem ser aplicados na pregação e no ensino dominical. Isso resulta em sermões e estudos bíblicos mais estruturados, envolventes e profundos, que conectam a verdade eterna da Bíblia com as realidades vividas pelos membros da igreja.
  1. Reconhecimento e Legitimidade no Espaço Público e Acadêmico
    • Uma titulação reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) confere ao pastor legitimidade no espaço público, acadêmico e institucional. Isso abre portas para o pastor atuar como capelão, professor de ensino religioso em escolas, ou mesmo para representar a igreja em fóruns de debate social, onde a credibilidade acadêmica é um diferencial. Ele se torna um agente de transformação social com reconhecimento formal, sem jamais abrir mão de sua identidade e missão pastoral.

Longe de ser uma ameaça à identidade evangélica ou à ortodoxia bíblica, a licenciatura em Ciências da Religião é um investimento estratégico para o ministério contemporâneo. Ela não substitui a teologia sistemática ou a piedade pessoal, mas as enriquece. Um pastor evangélico que abraça essa formação torna-se um líder mais preparado, capaz de navegar a complexidade do mundo moderno, dialogar com diferentes culturas e crenças, e, acima de tudo, comunicar os ensinamentos de Cristo com maior clareza, profundidade e eficácia. É a união da devoção com o conhecimento contextualizado, para a glória de Deus e o avanço do genuíno Evangelho de Cristo.

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Irineu Messias, é ministro evangélico na Assembleia de Deus do Planalto Central - ADEPLAN/DF. Licenciado em Filosofia(2024) e em Ciências da Religião(2025). Bacharel em Teologia(2017). Pós-graduado em Filosofia, Sociologia, Ciências Sociais(2025) e Teologia Sistemática(2024).


terça-feira, 7 de outubro de 2025

De Leproso a Adorador: A Jornada de Transformação de Naamã e o Propósito de Deus

07.10.2025


A história de Naamã, o leproso, registrada em 2 Reis, capítulo 5, é uma narrativa poderosa que nos revela a grandeza e a misericórdia de Deus. Neste texto bíblico, acompanhamos a jornada de um homem que, apesar de sua posição de liderança e prestígio, enfrentou uma doença terrível que o afastou da sociedade. No entanto, por meio de uma série de eventos inesperados e da intervenção divina, Naamã experimentou uma transformação profunda,
não apenas em sua condição física, mas também em sua vida espiritual.

A Menina Cativa e o Início da Obra de Deus

A história de Naamã começa com um detalhe aparentemente insignificante, mas que se revela crucial para o desenrolar dos acontecimentos.  Conforme o Pr. Irineu Messias destaca em seu sermão que foi uma simples menina, capturada durante um ataque e levada para a casa de Naamã, que se tornou o instrumento utilizado por Deus para iniciar Sua obra na vida daquele homem.

Essa menina, apesar da sua condição de cativa, não demonstrou ódio ou ressentimento, mas, pelo contrário, demonstrou compaixão e preocupação com o sofrimento de Naamã. Ela disse à esposa de Naamã: "Tomara que o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria, ele o restauraria da sua lepra" (2 Reis 5:3).

  • A atitude dessa menina nos ensina uma lição valiosa sobre a importância de mantermos uma perspectiva espiritual, mesmo diante das adversidades da vida. Ela não se deixou dominar pelo ódio ou amargura, mas manteve sua fé e confiança no poder de Deus.
  • Essa menina nos inspira a sermos instrumentos de Deus, independentemente de nossa posição ou status social. Ela, uma simples cativa, foi usada por Deus para iniciar um processo de transformação na vida de Naamã.

A Resposta de Naamã e a Intervenção Divina

Ao ouvir a mensagem da menina, Naamã não a descartou, mas, pelo contrário, levou a informação ao rei da Síria. Isso demonstra que, mesmo em meio à sua lepra e posição social elevada, Naamã estava aberto a receber a orientação de Deus, mesmo que ela viesse de uma fonte inesperada.

O rei da Síria, então, enviou uma carta ao rei de Israel, solicitando que Naamã fosse curado. Essa ação desencadeou uma série de eventos que revelaram a soberania de Deus e Sua capacidade de operar milagres.

Quando o rei de Israel recebeu a carta, ficou desesperado, pois não tinha o poder de curar a lepra de Naamã. No entanto, como o Pr. Irineu Messias enfatiza em seu sermão que o profeta Eliseu, ouvindo sobre a situação, interveio e enviou uma mensagem ao rei, dizendo: "Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim e saberá que há profeta em Israel" (2 Reis 5:8).

Essa resposta de Eliseu demonstra a confiança de que ele não tinha o poder de Deus e na Sua capacidade de operar milagres. Eliseu não hesitou em receber Naamã, pois sabia que Deus não estava no controle da situação.

A Humildade e a Obediência de Naamã

Quando Naamã chegou à casa de Eliseu, esperava receber um tratamento especial, afinal, ele era um comandante do Exército da Síria. No entanto, Eliseu não saiu para recebê-lo pessoalmente, mas enviou um mensageiro com uma instrução simples: "Vai e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne te tornará e ficarão purificados" (2 Reis 5:10).

Essa resposta de Eliseu revelou a importância da humildade e da obediência na jornada de fé.  Como o Pr. Irineu Messias destacou em seu sermão, Naamã ficou indignado, pois esperava um tratamento diferenciado, e não uma simples instrução de lavar-se no rio Jordão.

  • Naamã queria que Deus agisse de acordo com suas próprias expectativas, mas Deus planejou que ele se humilhasse e obedecesse.
  • Essa é uma lição importante para todos nós: muitas vezes, queremos que Deus esteja conforme nossos desejos, mas Ele deseja que nos submetamos a Sua vontade e Seus caminhos, mesmo que não os compreendamos plenamente.

Felizmente, os servos de Naamã aconselharam-no a obedecer à instrução de Eliseu, pois, se o profeta lhe tivesse pedido algo difícil, ele o teria feito. Então, Naamã se humilhou e obedeceu, mergulhando sete vezes no rio Jordão, conforme a palavra do homem de Deus.

A Transformação de Naamã

Ao obedecer à instrução de Eliseu, Naamã experimentou uma transformação milagrosa. A Bíblia relata que “a sua carne tornou-se como a carne de um menino e ficou purificada” (2 Reis 5:14). Essa cura física foi acompanhada de uma profunda transformação espiritual.

Ao retornar a Eliseu, Naamã fez uma declaração impressionante: “Eis que tenho conhecido que em toda a terra não há Deus senão em Israel” (2 Reis 5:15). Essa confissão demonstra que Naamã não foi apenas curado de sua lepra, mas também experimentou uma transformação em sua compreensão de Deus.

  • Naamã, que antes era um idólatra, soube que o Deus de Israel era o único Deus verdadeiro, aquele que tinha o poder de curar e transformar vidas.
  • Sua humildade e obediência o levaram a uma experiência profunda com o Senhor, que o restaurou não apenas fisicamente, mas também espiritualmente.

A história de Naamã nos ensina que Deus pode usar qualquer pessoa, independentemente de sua posição ou status social, para realizar Seus propósitos. Até mesmo uma menina cativa foi utilizada por Deus para iniciar a obra de transformação na vida de Naamã.

Aplicações Práticas para Nossas Vidas

A história de Naamã possui lições valiosas que podem ser aplicadas em nossas próprias vidas:

  1. Humildade e obediência: assim como Naamã, precisamos estar interessados ​​em nos humilhar e obedecer à orientação de Deus, mesmo que ela não faça sentido para nós. Muitas vezes, Deus nos pede que façamos algo simples, mas que exige nossa submissão e confiança nEle.
  2. Abertura a orientações inesperadas: devemos estar atentos a Deus, pois Ele pode usar pessoas e situações inesperadas para nos guiar e transformar. Assim como a menina cativa foi usada por Deus para iniciar a obra em Naamã, Deus pode se valer de fontes surpreendentes para nos alcançar.
  3. Transformação espiritual: A cura física de Naamã foi acompanhada de uma profunda transformação espiritual. Da mesma forma, Deus deseja nos restaurar não apenas em nossos problemas físicos, mas também em nossa vida espiritual, livrando-nos da "lepra" do pecado e nos aproximando d'Ele.
  4. Testemunho e gratidão: assim como Naamã, após sua transformação, reconheceu que o Deus de Israel era o único verdadeiro Deus. Nós também devemos ser testemunhas do poder e da misericórdia de Deus, expressando nossa gratidão por Sua obra em nossas vidas.

A história de Naamã é um poderoso lembrete de que Deus está sempre à procura de pessoas dispostas a se humilhar, obedecer e confiar nEle, para que Ele possa realizar Seus milagres e transformar vidas. Que possamos aprender com a jornada de Naamã e permitir que Deus esteja em nossa vida, levando-nos a uma profunda experiência de restauração e transformação.

Inscreva-se no canal do Pastor Irineu Messias para mais mensagens antigas e compartilhe com amigos que precisam ouvir essa mensagem de esperança e transformação. Visite também o canal da Assembleia de Deus do Planalto Central para mais conteúdo edificante.

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Fonte: https://youtu.be/o8EjcMGYFoM