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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A Bíblia refuta a escravidão — e também denuncia a escravidão “moderna” (trabalho análogo à escravidão)

16.01.2026

Publicado pelo pastor Irineu Messias

Artigo atualizado em 19.01.2026

A escravidão que marcou o Sul dos EUA (século XIX, com seus desdobramentos) e o Brasil (período colonial e imperial) buscou, muitas vezes, legitimação religiosa. Versículos foram usados como “prova” de que a escravidão seria parte da ordem de Deus.

Mas essa leitura falha porque trata a Bíblia como um conjunto de frases soltas. Quando olhamos o fio condutor das Escrituras — criação, êxodo, profetas, Jesus e a ética da igreja — a lógica escravagista (especialmente a racial, hereditária e baseada em tráfico humano) entra em choque com a revelação de Deus.

E mais: a Bíblia não é apenas um “debate histórico”. Ela também nos dá fundamentos para rejeitar a escravidão atual, inclusive o trabalho análogo à escravidão, que ainda existe de forma escondida em diferentes contextos.

 1) A base: a dignidade humana e a imagem de Deus

A primeira grande refutação bíblica contra qualquer ideologia escravagista está na criação: todo ser humano é imagem de Deus (Gn 1:26–27). Isso significa que ninguém pode ser reduzido a ferramenta, mercadoria ou propriedade.

Quando sistemas sociais tratam pessoas como “menos humanas”, “nascidas para servir” ou “inferiores por natureza”, eles não estão apenas cometendo injustiça social — estão atacando o próprio ensino bíblico sobre o valor da vida humana.

O Novo Testamento reforça essa visão ao afirmar que Deus fez a humanidade “de um só” (At 17:26) e que, em Cristo, distinções étnicas e sociais não podem ser base para opressão (Gl 3:28). A Bíblia não sustenta hierarquias raciais como destino moral.

 2) O coração moral do Antigo Testamento: o Êxodo e a ética da libertação

Deus se revela como aquele que vê a aflição, ouve o clamor e liberta (Êx 3:7–8). Não é um detalhe: o Êxodo é um dos pilares da identidade do povo de Deus.

Por isso, a memória da libertação vira ética: o povo que foi liberto não pode se tornar opressor. A lei e os profetas repetem esse princípio ao condenar exploração e injustiça, especialmente contra os vulneráveis (Êx 22:21; Dt 24:17–18; Am 5; Is 58).

👉 Em termos simples: a Bíblia não “normaliza” a opressão; ela a confronta e chama o povo de Deus à justiça.

 3) Um ponto decisivo: a Bíblia condena o sequestro e o comércio de pessoas

A escravidão atlântica (que alimentou o Sul dos EUA e o Brasil) foi sustentada por práticas como captura, compra, venda e transporte forçado. Isso toca diretamente no que a Bíblia condena:

  • “Quem furtar um homem… será morto” (Êx 21:16).
  • “Se alguém for encontrado… roubando… um de seus irmãos… então morrerá” (Dt 24:7)
  • O Novo Testamento inclui sequestradores/mercadores de gente entre práticas gravemente condenadas (1Tm 1:10).

Isso não é um detalhe interpretativo: é uma condenação direta ao tráfico humano, que foi a base econômica e logística da escravidão moderna.

 4) “Maldição de Cam” não justifica escravidão racial (e nem foi escrita para isso).

Um dos argumentos mais repetidos para defender a escravidão racial foi a chamada “maldição de Cam”. Essa leitura é exegese errada.

Em Gênesis 9, a maldição recai sobre Canaã, e não existe ali uma doutrina que associe cor de pele a destino de servidão. Além disso, transformar uma narrativa antiga em autorização moral para escravizar povos séculos depois é importar para o texto uma ideologia que ele não ensina.

⚠️ Quando alguém usa esse argumento, não está “defendendo a Bíblia”; está usando a Bíblia como pretexto.

 5) E o Novo Testamento? Ele não legitima a escravidão — ele a desmonta por dentro

Textos que mandam servos obedecer (como Ef 6:5 e Cl 3:22) foram usados como justificativa histórica. Mas o Novo Testamento não está “carimbando” o sistema; ele está implantando um padrão ético que torna a escravidão indefensável:

  • Senhores são confrontados a abandonar ameaças e a lembrar que Deus não faz acepção (Ef 6:9)
  • “Mercadores de gente” são condenados (1Tm 1:10)
  • Em Filemon, Paulo pede que Onésimo seja recebido “não como escravo, mas… como irmão amado” (Fm 16)

Quando alguém é recebido como irmão, ele não pode ser tratado como propriedade. A fraternidade cristã é uma revolução moral contra a desumanização.

Some-se a isso a regra de ouro (Mt 7:12), o amor ao próximo (Mt 22:39) e a condenação da acepção de pessoas (Tg 2:1–9): a escravidão como instituição se torna incompatível com o evangelho.

 6) A escravidão atual: trabalho análogo à  escravidão e o chamado bíblico da igreja

Muita gente pensa em escravidão apenas como “correntes e senzalas”. Mas hoje ela aparece em formas como trabalho análogo ao escravo: jornada exaustiva, servidão por dívida, condições degradantes, retenção de documentos, ameaça, isolamento e coerção.

Ainda que as formas mudem, a essência é a mesma: tirar a dignidade, a liberdade e a segurança do próximo para lucrar.

A Bíblia tem linguagem direta para isso:

  • Deus rejeita religiosidade que convive com injustiça: “solta as correntes da injustiça” (Is 58:6–7)
  • Explorar e reter o salário do trabalhador é denunciado como pecado: (Tg 5:4)
  • O amor ao próximo exige prática, não discurso (Mt 22:39; 1Jo 3:18)

A igreja, portanto, não pode tratar esse tema como “política” ou “assunto secundário”. É discipulado e fidelidade ao caráter de Deus: o Deus que liberta, protege e chama seu povo a agir com justiça.

👉 Em termos práticos, combater a escravidão atual inclui: não compactuar com exploração, apoiar ações de justiça, orientar vítimas, e promover cultura de trabalho digno, salário justo e cuidado com os vulneráveis.

Conclusão: a fé bíblica não sustenta escravidão — ela sustenta libertação e dignidade


A Bíblia foi usada para justificar a escravidão, mas seu eixo — imagem de Deus, Êxodo, profetas, Jesus e a irmandade em Cristo — aponta na direção oposta: dignidade, justiça, misericórdia e libertação.

Por isso, um cristão não deve apenas rejeitar as antigas ideologias escravagistas do Sul dos EUA e do Brasil. Deve também reconhecer e enfrentar as formas modernas de escravidão, especialmente o trabalho análogo à  escravidão, como parte do compromisso com o evangelho.

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Leia Mais:

E. C. Pereira: A Religião Cristã em suas Relações com a Escravidão (1886)

A Igreja Presbiteriana do Brasil e a Escravidão: Breve Análise Documental

A escravidão e a dificuldade de interpretar a Bíblia

William Wilberforce: Sua alegria obstinada derrubou a escravidão 

 Gavin Ortlund: Por que é Errado Dizer que a Bíblia é a Favor da Escravidão?

A Desconstrução Teológica da Escravidão: Uma Análise na Perspectiva Ortodoxa Assembleiana

15.01.2026

Publicado pelo pastor Irineu Messias

A escravidão, em sua configuração colonial e racial, não representa apenas um erro histórico ou um desvio ético; ela constitui uma heresia antropológica. Para a ortodoxia assembleiana, a legitimação de qualquer sistema que reduza o ser humano à condição de objeto nega os pilares da criação, da queda e da redenção.
1. A Dignidade Ontológica na Declaração de Fé
O ponto de partida para qualquer análise social no campo assembleiano reside em sua Declaração de Fé das Assembleias de Deus. O documento oficial estabelece que a natureza humana é dotada de uma dignidade que transcende estruturas políticas ou econômicas.
No Capítulo X, que trata da Criação do Homem, a Declaração afirma:
"Cremos que o homem foi criado por Deus [...] dotado de inteligência, consciência e livre-arbítrio. [...] A dignidade humana baseia-se no fato de que o homem foi feito à imagem de Deus, e isso o coloca acima de toda a criação material."
Sob essa ótica, a escravidão é uma tentativa violenta de apagar a Imago Dei. Ao transformar um portador da imagem divina em mercadoria (chattel), o sistema escravista comete um ato de rebelião contra o Criador.
2. A Distorsão Exegética e a Crítica à "Escravidão Racial"
Um dos maiores desafios teológicos é responder àqueles que, em meados do século XIX, utilizaram a Bíblia para defender o cativeiro no Sul dos EUA e no Brasil. O teólogo assembleiano Douglas Baptista, em sua análise sobre a moral cristã, explica que tais defensores operavam em profunda cegueira exegética.
Em sua obra Valores Cristãos, Baptista destaca:
"A tentativa de fundamentar a escravidão moderna nas Escrituras é uma fraude exegética. Enquanto a 'servidão' bíblica possuía mecanismos de proteção, libertação e dignidade, a escravidão colonial baseou-se no 'roubo de homens', um crime que a Lei de Moisés punia com a morte (Êxodo 21:16)."
Essa distinção é crucial: a ortodoxia assembleiana reconhece que o texto bíblico regulou formas de servidão antigas para mitigar a barbárie, mas nunca outorgou o direito de um homem possuir a alma e o corpo de outro de forma absoluta e racial.
3. A Soberania de Deus e a Injustiça Social em Amós e Tiago
A hermenêutica assembleiana, conforme expressa no Dicionário Bíblico Wycliffe (publicado pela CPAD), enfatiza que a justiça social é um imperativo da santidade. O silêncio diante da escravidão é interpretado como conivência com o pecado.
O comentário sobre o profeta Amós nas Lições Bíblicas de adultos reforça:
"O juízo divino sobre as nações vizinhas e sobre Israel (Amós 1-2) decorre da desumanização do próximo. Deus não ignora o clamor daqueles que são vendidos por um par de sandálias. O Evangelho não é apenas espiritual; ele é transformador das relações humanas."
Do mesmo modo, a abordagem assembleiana de Tiago 5:4 serve como uma condenação direta aos protestantes que enriqueceram à custa do suor e do sangue de africanos e seus descendentes. Reter a liberdade e o salário é, na ótica pentecostal, um pecado que "clama aos ouvidos do Senhor dos Exércitos".
4. A Unidade em Cristo: O Golpe Final no Sistema de Castas
A eclesiologia assembleiana fundamenta-se na unidade do corpo de Cristo. Se o batismo no Espírito Santo é acessível a "toda carne" (Atos 2:17), não há espaço teológico para a segregação ou para o senhorio de um crente sobre outro.
Conforme o pensamento de Stanley Horton, em sua Teologia Sistemática:
"O Novo Testamento introduz um princípio que torna a escravidão obsoleta: a fraternidade em Cristo. Ao tratar o escravo como 'irmão amado' (Filemom 1:16), o Evangelho remove a base de sustentação da instituição escravista, desmoronando o orgulho racial e social."
Conclusão: A Responsabilidade do Pensamento Ortodoxo
Conclui-se que a defesa da escravidão por protestantes do passado não foi um erro de "leitura literal", mas sim uma apostasia ética. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus e a produção literária da CPAD convergem para um ponto comum: a liberdade é o estado natural do homem criado por Deus.
Qualquer sistema que negue essa liberdade deve ser rejeitado não apenas como injustiça social, mas como uma afronta doutrinária à obra de Cristo, que veio para "pregoar liberdade aos cativos" (Lucas 4:18).
Referências Bibliográficas e Fontes Oficiais:
  • Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD.
  • BAPTISTA, Douglas. Valores Cristãos. Rio de Janeiro: CPAD.
  • HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
  • SOARES, Esequias. O Ministério Profético em Amós. Rio de Janeiro: CPAD.
  • Wycliffe. Dicionário Bíblico. Rio de Janeiro: CPAD.

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quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Nem Todo Evangélico Segue a Mentira: Um Chamado à Verdade Bíblica e à Responsabilidade Digital

04.11.2025
postado por pastor Irineu Messias

Introdução: Um Pastor Preocupado com a Verdade


Como pastor evangélico, formado em Teologia Sistemática e Aconselhamento Pastoral, vejo com dor no coração a epidemia de fake news que se alastra entre nós. Não é exagero: em 2025, Tiago Cavaco, pastor batista português, em artigo na Folha de S.Paulo, revela que os evangélicos são os que mais compartilham fake news.(Folha de S.Paulo, 3 de abril de 2025)

Mas nem todo evangélico abraçou a mentira.
Este texto é um grito de alerta triplo:

À sociedade: “Nós não somos isso.”

À igreja: “Voltemos à Palavra.”

A todos: “Não troquem a verdade por ideologia.”

1. À Sociedade: “Nós Não Somos o Rótulo que Nos Deram”

A mídia secular pinta o evangélico como fanático, conspiracionista, anti-ciência.
Mas a Bíblia nos chama a ser sal e luz (Mt 5:13-16), não vetores de desinformação.


Nós somos milhões que oram, estudam a Bíblia e servem ao próximo – não robôs de WhatsApp.

Não nos julguem pelo pior. Conheçam o melhor.

2. À Igreja: “Voltemos aos Princípios Bíblicos – A Verdade Vos Libertará”

A fake news é pecado porque viola pelo menos 3 mandamentos:

9º Mandamento – “Não darás falso testemunho” (Êx 20:16).

Efésios 4:25 – “Deixai a mentira, falai a verdade.”

Provérbios 12:22 – “Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor.”

Desvios Doutrinários Comuns



Púlpito não é palanque de WhatsApp.

Pregue a Palavra, não o print.

3. A Todos: “Não Troquem a Verdade por Ideologia”

A fake news não tem lado.

Ela é ferramenta de poder – usada por esquerda, direita, centro, religião ou ateísmo.


Princípio Bíblico Universal:

“Examinai tudo. Retende o bem.” (1Ts 5:21)

Checklist Prático para o Cristão Digital:

  • Fonte confiável? (Agência Lupa, Aos Fatos, IBGE)
  • Versículo fora do contexto? (Leia o capítulo todo)
  • Emoção > Fato? (Ore antes de compartilhar)
  • Glória a Deus ou a mim? (Se for vaidade, delete)
  • Edifica? Consola? Exorta?(Se não atende a essas três condições, não compartilhe)

Conclusão: Um Chamado à Ação Triplo

À Sociedade:

Olhem para nós com justiça.

Conheçam igrejas que:
  • Doam cestas básicas
  • Acolhem dependentes químicos
  • Ensinam ética e cidadania
  • Ensinam somente a verdade da Palavra de Deus
Nós existimos. Somos a maioria silenciosa.

À Igreja:

Arrependei-vos da mentira.
  • Crie grupos de checagem bíblica na igreja.
  • Pregue séries sobre verdade (Jo 8:32).
  • Use o púlpito para desmentir, não disseminar.

A Todos:

Seja evangélico ou não, a verdade é de Cristo.

Não seja cúmplice da mentira por conveniência ideológica ou partidária.

Oração Final: 

“Senhor, perdoa-nos por compartilhar o que não examinamos.

Dá-nos discernimento para separar trigo do joio digital.

Que a Tua verdade prevaleça em nossos lábios e telas.

Em nome de Jesus, amém.”


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Leia mais: 




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

A Ética Cristã: Fundamentos, Principais Princípios e Sua Aplicação na Vida dos Fiéis

06.02.2025
Postado por pastor Irineu Messias


A ética cristã, um tema fundamental na vida da Igreja, é um chamado à reflexão sobre como devemos viver conforme os ensinamentos de Jesus Cristo e a sabedoria contida na Bíblia. Este sistema de valores morais, ensinadas pela Igreja Evangélica, não é apenas uma lista de regras, mas uma luz que orienta a conduta dos cristãos ao longo das gerações.

A Natureza Normativa e Absoluta da Ética Cristã

Em essência, a ética cristã é normativa e absoluta. Sua origem está no caráter imutável de Deus, que nos oferece mandamentos que se aplicam a todas as pessoas, em todos os tempos e lugares. Isso significa que as verdades morais que a ética cristã apresenta não são relativas, mas têm uma solidificação e uma certeza que podem orientar toda a nossa vida – em casa, no trabalho e na sociedade.

A Relação Entre Ética e Identidade Cristã

A ética não é apenas sobre o que é certo ou errado; ela é também um pilar da identidade cristã. Nossos valores e normas éticas moldam nossas ações e nos diferenciam como seguidores de Cristo em um mundo que muitas vezes se distancia da moralidade bíblica. A fé desempenha um papel crucial nesse processo, proporcionando um horizonte de sentido e motivação para nossas decisões morais.


Desafios na Reflexão Ética Cristã

Na busca por viver uma vida que reflita os ensinamentos de Cristo, enfrentamos diversos desafios éticos. É preciso garantir que a nossa fé permeie nosso comportamento moral, mantendo sempre a centralidade da relação com Cristo. A ética cristã deve também integrar valores que se alinhem à realidade atual, promovendo uma ação que seja tanto crítica quanto profética em relação aos padrões que nos cercam.

A Importância da Fé na Ética Cristã

A fé não só fundamenta a moralidade cristã, mas também nos estimula a buscar soluções que promovam a dignidade humana e respeitem os valores morais. Principais com o adventos das redes sociais, em que muitos ditos cristão, exalam ódio, acusações e espalha mentiras(fake news) sem levarem em consideração o compromisso que assumiram com Ele, quando O aceitaram como Senhor de suas vidas. Tal comportamento confronta-se com os seus princípios com Seus Santos e inerrantes ensinamentos

Seus ensinamentos atuam como luz em tempos de dúvida, confrontando nossas convicções pessoais com a Palavra de Deus e encorajando-nos a rejeitar o que não está alinhado com a revelação divina, inclusive a mentira, tal em voga hoje, nas redes sociais. Aliás, nunca é de mais lembra que o Pai da Mentira é o Diabo, como bem disse o Senhor Jesus: 

"Vós sois do pai, o diabo, e quereis satisfazer os desejos do vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e nunca se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira." João 8:44

Reflexões Finais

Ao abordarmos a ética cristã, somos desafiados a integrar nossos valores de fé na vida cotidiana. Questões profundas surgem, como: Qual é o papel da antropologia teológica na formação de nossa moralidade? Como podemos conciliar a ética cristã com a racionalidade humana? Essas perguntas nos levam a aprofundar nosso entendimento e práticas éticas.

Em suma, a ética cristã é uma bússola que nos guia em meio às complexidades da vida moderna. Ela nos convida a viver uma vida que não só glorifica a Deus, mas também é relevante e significativa em nosso contexto social. Que possamos, juntos, refletir sobre esses princípios e nos esforçar para vivê-los a cada dia, conforme os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus e sua infalível Palavra. Pois como o Mestre revelou:   

"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar." Mateus 24:35

Se você se sentiu tocado por essas reflexões ou tem dúvidas sobre a ética cristã, compartilhe suas ideias! Como você aplica esses princípios em sua vida?

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terça-feira, 16 de julho de 2019

CONDUTA CRISTÃ:Quando se perde o senso de humanidade, nada adianta dizer-se cristão

16.07.2019
Do portal BRASIL247


Uma das perplexidades de nosso Brasil atual é a quantidade de pessoas que se dizem cristãs com práticas absolutamente avessas ao que significa ser cristão. Afinal, a síntese última da pertença ao Reino de Deus - ou não - é o que a pessoa faz para quem mais tem necessidades ao longo da vida. O capítulo 25 de São Mateus resume muito bem o que Jesus estabelece para seus seguidores: tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, andava nu e me vestistes, etc.
Oras, se eu devo um copo de água a quem tem sede, como vou ser contra uma política pública que abastece milhões de pessoas com água? Como posso ser contra uma política pública que coloca alimentos na mesa de milhões de pessoas? Se devo cuidar dos doentes, como vou ser contra uma política pública de saúde que cuida de milhões de pessoas que não tem como pagar um médico particular? 
Agora, na reforma trabalhista e previdenciária se deu o mesmo fenômeno. Os jornais informam que de 104 deputados da chamada Bancada da Bíblia no Congresso, 100 votaram a favor da reforma da previdência. Acontece que ela retira da mesa dos mais vulneráveis até a migalha que eles precisam para sobreviver, como é o caso do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Aqueles que estão totalmente incapacitados de ganhar seu próprio pão, terão seu benefício reduzido de mil reais para quatrocentos reais.  É como se retirassem de Lázaro e do cachorro as migalhas que caiam da mesa dos poderosos. Até isso, até as migalhas disputadas pelos cães...Assim acontece com todos aqueles que se dizem cristãos e votam contra os mais necessitados. Ou não entendem nada de política, ou não entendem nada do Evangelho.
O Evangelho é o amor de Deus para cada criatura, exige amor e solidariedade de cada um de nós para com os outros, particularmente quem está mais vulnerável, o cuidado com todas as criaturas e com nossa Casa Comum, a Terra. Essa espiritualidade exige abertura, solidariedade, fraternidade, justiça, e tantas outras virtudes identificadas como sendo autenticamente cristãs. 
Por isso, quando se perde o senso de humanidade, de nada adianta dizer-se cristão. 

*Roberto Malvezzi

Graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Atualmente, integra Equipe CPP/CPT do São Francisco
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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Fé cristã e fake news

01.06.2018
Do portal GOSPEL PRIME
Por Alex Esteves

“Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (cf. I Jo 4.1).


Em meio a toda a discussão sobre pós-verdade e fake news, preocupa-me especialmente a facilidade com que muitos cristãos dão crédito a mensagens sem fundamento compartilhadas em mídias e redes sociais. Além da adesão a sites  especializados em espalhar mentiras, há o compartilhamento de textos, áudios e vídeos contendo histórias sem a mínima comprovação, e até falsas profecias.
É assim, por exemplo, que se espalham fotos de pessoas mortas dizendo tratar-se de missionários martirizados nesse ou naquele país, quando uma simples checagem na própria internet é suficiente para provar que a imagem se refere a coisa diversa; áudios com uma voz pesarosa diante do juízo apocalíptico que Deus supostamente enviaria ao Brasil por meio de uma tsunami contra várias cidades; vídeos com explicações duvidosas acerca da última “treta” do mundo gospel; textos sobre reuniões secretas da ONU, com a presença dos mais importantes líderes mundiais, destinadas a perseguir os cristãos de todas as nações; notícias infundadas de que o presidente é satanista…
Num tom afetado, de alegada espiritualidade, essas mensagens convocam à oração – quem, em sã consciência, sendo cristão, seria contra a necessidade de orar? Outros pensam: “Não sei se é verdade, mas poderia ser”. E espalham a mentira porque ela serve à narrativa, “cumpre a profecia” ou “tem a ver”.
Não é tão difícil constatar a falsidade de uma mensagem que recebemos: geralmente as notícias falsas são sensacionalistas, aproveitando-se do medo e da ansiedade para atrair seu público; citam fatos e pessoas reais, retalhos dos últimos acontecimentos, para adquirir uma aparência de plausibilidade, mas acrescentam informações que não podem ser comprovadas, porque desprovidas de fontes confiáveis; não é incomum essas postagens conterem erros gramaticais, históricos, geográficos ou de outra natureza.
A credulidade é um problema muito grave, não só do ponto de vista intelectual, educacional e cultural, mas principalmente espiritual, porque diz respeito ao modo como a pessoa constitui seu sistema de crenças e àquilo que considera fundamento da verdade.
Fico imaginando se as pessoas que depositam sua confiança em boatos de redes sociais usam a mesma disposição mental e os mesmos critérios para aferir o que é certo e o que é errado à luz da Bíblia. Como esses cristãos crédulos avaliam pregações? De que lhes serve uma pregação expositiva? É com a fé que se aproximam das Escrituras ou é com aquela credulidade que as torna presas fáceis das fake news?
A Bíblia exorta-nos à , não à credulidade: “O simples dá crédito a cada palavra, mas o prudente atenta para os seus passos” (cf. Pv 14.15); “O coração do sábio buscará o conhecimento, mas a boca dos tolos se apascentará de estultícia” (cf. Pv 15.14); “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (cf. At 17.11); “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (cf. I Jo 4.1).
Nós, cristãos, não fomos chamados a crer pura e simplesmente, mas a crer em Deus, na Pessoa de Cristo, conforme as Escrituras.
Fé é confiança na palavra de Deus (cf. Hb 11.1). Fé é uma resposta positiva à graça divina (cf. Ef 2.8). Credulidade, por sua vez, é a inclinação a acreditar celeremente no que se ouve ou lê, sem juízo crítico, sem capacidade de avaliação. Lembro, aqui, do interessante opúsculo de John Stott intitulado Crer é também pensar (publicado no Brasil pela ABU Editora), cujo título original é Your mind matters (“Sua mente importa”).
Os servos de Deus, os quais têm “a mente de Cristo” (cf. I Co 2.16), devem examinar todas as coisas (cf. I Ts 5.21) e ser “sóbrios” (cf. I Pe 4.7; “criteriosos”, na versão Almeida Revista e Atualizada). Acreditar facilmente em qualquer coisa atenta contra o caráter de Cristo. A fé cristã produz no convertido uma disposição mental renovada, a restauração progressiva de sua capacidade intelectiva, até que ele seja completamente liberto dos efeitos noéticos da Queda, o que acontecerá quando da glorificação prometida ao que crê (cf. Rm 8.23; I Jo 3.2).
Temo sinceramente que muitos cristãos recebam as pregações da mesma forma como recebem (e depois espalham) notícias falsas disseminadas na internet: se a pregação compartilhada for bíblica, não haverá o que objetar, senão pelo exíguo benefício que poderão extrair da palavra aqueles que forem deficientes em sua análise; o problema é que, em virtude do juízo crítico pouco aguçado, os crédulos costumam ser atraídos por pregadores sensacionalistas, triunfalistas, de autoajuda, promotores de “eisegese” em lugar de exegese, o que talvez explique, ao menos em parte, a crise em que se acha (e se perde) a Igreja evangélica brasileira.
*Alex Esteves Ministro do Evangelho em Salvador/BA. Membro do Conselho de Educação e Cultura da CONFRAMADEB. Bacharel em Direito. Casado e pai de três filhos
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Fonte:https://artigos.gospelprime.com.br/fe-crista-e-fake-news/

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Victor Frankenstein

20.01.2016

Do portal ULTIMATO ON LINE, 18.01.16
Por Carlos R. Caldas Filho*

“Frankenstein, ou o Prometeu moderno”, publicado em 1818, da autora britânica Mary Shelley, é considerado o primeiro livro de ficção científica da história. Alguém já disse, parafraseando Alfred Whitehead, que todas as demais obras de ficção científica não passam de notas de rodapé ao livro de Mary Shelley. Pode ser que haja um exagero – perdoável – nesta afirmação. 

A história tornou-se conhecida por demais: um cientista, por nome Victor Frankenstein, faz com que uma criatura construída a partir de pedaços de cadáveres ganhe vida. Só que a invenção perde o controle, e a criatura se volta contra o criador. A obra já foi adaptada várias vezes para a tela grande. O Frankenstein clássico do cinema é interpretado por Boris Karloff, em 1931. A imagem de Frankenstein que muita gente tem até hoje é de Karloff, a de um “homem” muito alto com a cabeça quadrada, presa ao pescoço por um parafuso. O muito bom Mel Brooks dirigiu em 1974 “O Jovem Frankenstein”, uma comédia deliciosa que esculhambou com a seriedade e a dramaticidade da obra original. O ótimo Gene Wilder é o Dr. Frederick Frankenstein, neto do Dr. Victor, que, a seu modo, tenta refazer a experiência do avô. Mas os críticos dizem que a adaptação mais fiel ao livro de Shelley é a de Kenneth Branagh, de 1993, com o próprio Branagh no papel do Dr. Frankenstein, e Robert De Niro como a criatura. O filme é denso e tenso, sinistro de tudo. A criatura vivida por De Niro é trágica, pensante, tem plena consciência de seus atos. Detalhe: popularmente, a criatura é conhecida como “Frankenstein”, mas no livro de Mary Shelley ela não tem nome, sendo chamada simplesmente de “demônio”, “criatura” ou “monstro”.

E eis que no final de 2015 surge mais uma adaptação da fantástica obra de Shelley: “Victor Frankenstein”, do diretor escocês Paul McGuigan, tendo o também escocês James McAvoy como o personagem título, e Daniel Redcliff (o Harry Potter) como Igor, seu assistente. McAvoy é tão belo quanto talentoso: fez um adorável Sr. Tumnus em “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa”, saiu-se muito bem como o Dr. Nicholas Garrigan em “O Último Rei da Escócia” e está brilhando como o jovem Professor Charles Xavier na franquia “X Men”. Ele trabalha maravilhosamente bem no filme de McGuigan. Talvez esta tenha sido a melhor intepretação de McAvoy até agora. O Dr. Frankenstein de McAvoy é o estereótipo perfeito do cientista louco, brilhante, genial, completamente pirado, todavia, sem ser ridículo.

O filme é contado na perspectiva de Igor, bem interpretado por Radcliff. A trama mostra o que aconteceu até a criação da criatura, que, em duas horas de filme, aparece por cinco, no máximo dez minutos. Todo mundo no filme é obcecado: Frankenstein, obcecado em criar vida a partir da morte; Igor, em ajudar seu benfeitor; o policial Turpin, agente da Scotland Yard, obcecado em deter o que entende ser um grande sacrilégio; o milionário Finnegan, obcecado em obter poder a partir da utilização da criação de Frankenstein. A única personagem com a cabeça no lugar, por assim dizer, é Lorelei, a bela trapezista do circo onde também trabalhava o infeliz corcunda sem nome, que será chamado de Igor pelo Dr. Frankenstein, que o sequestra, resgatando-o das condições humilhantes e subumanas às quais esteve sujeito durante toda sua vida.

A obra de Shelley tem sido extremamente influente na cultura pop. Não apenas pela quantidade de adaptações para o cinema que já teve. A mencionada adaptação para o cinema de 1931 transforma o livro de Shelley em uma história de terror, e é assim que desde então Frankenstein tem sido entendido. Todavia, creio que não é por aí que se deva fazer a leitura desta obra1, pois Frankenstein fala do sonho do homem de criar a humanidade à sua imagem e semelhança. 

É ficção científica, com perdão do trocadilho, em estado quimicamente puro, mas que provoca questionamentos éticos e teológicos sérios. Robôs e androides, de certa forma, são extensões ou aplicações do sonho de Frankenstein. No caso, não evidentemente com matéria orgânica, mas sintética. Mas em ambos os casos, é o sonho do homem criar um ser semelhante a si. No caso do androide, um velho sonho humano, o exemplar mais perfeito na ficção científica é o Tenente Data, o “androide sensciente” da Federação de Planetas Unidos, da tripulação da Enterprise em “Jornada nas Estrelas: A nova geração”. Outra variação do tema de Frankenstein está nos seres humanos geneticamente modificados. Neste caso, não seria criação de vida a partir da morte, como na história de Shelley, mas a tentativa de melhorar a vida já existente. O mais famoso exemplo da ficção de seres humanos geneticamente modificados, conhecido por todos os nerds e geeks do planeta, é Steve Rogers, o Capitão América da Marvel. Ele é mais rápido, mais ágil, mais forte que os seres humanos comuns. 

Um filme como “Victor Frankenstein” permite discussões bioéticas, filosóficas e teológicas complexas e cada vez mais pertinentes, haja vista o avanço da engenharia genética. Até que ponto é lícito avançar em pesquisas científicas que envolvem a vida? Esta pergunta, e outras dela derivadas, precisam ser encaradas, à medida que o tempo passa e o que parece ser “coisa de filme” se torna parte do dia a dia. Recentes reportagens já divulgaram que há pesquisas em andamento para modificar embriões humanos, o que poderá, em um futuro não muito distante, possibilitar o nascimento de bebês com características físicas escolhidas por seus pais. Ou, tal como o Capitão América, bebês que, crescidos, serão mais rápidos, mais fortes e mais ágeis que os demais. Não estamos falando de enredo de filme, inspirado em menor ou maior grau, pela ficção de Mary Shelley, mas sim de algo que tem tudo para acontecer, e em pouco tempo. Neste caso, estes “super humanos” poderiam participar de competições esportivas, disputando contra os humanos “normais”? 

Há quem defenda manipulação genética com fins nobres, como por exemplo, evitar manifestação de alguns tipos de câncer ou de doenças degenerativas. Se (ou quando) isto acontecer, quem teria acesso a este tipo de medicina? Só quem puder pagar? Ainda mais importante: quem controlaria este tipo de pesquisa? E se algo desta natureza for usado com fins militares? Que resposta a ética teológica cristã poderia dar a perguntas como estas? Sei que para muitos estas questões poderão soar como distantes da realidade. Mas quanta coisa que parecia tão distante da realidade hoje faz parte do nosso dia a dia. Por isso os cristãos conscientes devem se preparar para responder perguntas complexas do campo da bioética, tais como as suscitadas por Victor Frankenstein. 

Prometeu, o do mito grego, roubou o segredo do fogo dos deuses e o deu aos humanos, possibilitando assim o avanço da tecnologia e da própria civilização humana. O Prometeu moderno, Frankenstein, fala de roubar de Deus o segredo da própria vida, e dá-lo ao homem. A que preço? Com que consequências? E o que os cristãos dirão quando estas coisas começarem a acontecer (se é que já não começaram)?

Nota:

1. Para um estudo de manifestações da cultura pop estilo “terror” em perspectiva da teologia cristã, a obra definitiva é “Sacred Terror: Religion and Horror on the Silver Screen”, de Douglas Cowan(Waco: Baylor University Press, 2008).

Carlos R. Caldas Filho É doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo e bolsista do PNPD-CAPES na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte (MG).

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Fonte:http://www.ultimato.com.br/conteudo/victor-frankenstein