Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador renascimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador renascimento. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A Morte da Razão, de Francis Schaeffer: Uma reflexão a partir da perspectiva pentecostal

06.02.2026
Publicado por pastor Irineu Messias

Francis A. Schaeffer, renomado teólogo e filósofo cristão, é amplamente reconhecido por suas contribuições ao pensamento evangélico, especialmente por sua defesa da verdade objetiva e sua crítica ao relativismo moral que permeia a cultura ocidental contemporânea. Entre suas obras mais influentes, destaca-se A Morte da Razão, uma análise profunda das crises intelectuais e espirituais que marcam a modernidade. Neste artigo, exploraremos os principais argumentos de Schaeffer e avaliaremos sua relevância à luz da teologia pentecostal clássica, conforme historicamente defendida pelas Assembleias de Deus no Brasil.

A Crise entre Fé e Razão

O ponto central de A Morte da Razão reside na denúncia de uma dicotomia que passou a dominar o pensamento ocidental: a separação entre fatos e valores. Schaeffer argumenta que, com o advento do humanismo autônomo, a razão foi reduzida ao campo do empiricamente verificável, enquanto questões de fé, moral e significado existencial foram relegadas ao âmbito do subjetivo. Esse processo culminou em uma “morte da razão”, onde a racionalidade perde sua capacidade de oferecer explicações coerentes sobre a realidade humana.

Para Schaeffer, o cristianismo bíblico apresenta uma solução robusta para essa crise, pois fornece uma base racional suficiente para compreender o mundo, a história e a ética. Ele aponta que, ao rejeitar essa base, a sociedade não se torna mais racional, mas profundamente contraditória e irracional.

Raízes Histórico-Filosóficas da Crise

Schaeffer traça as origens dessa ruptura ao longo da história do pensamento ocidental, destacando momentos como o Renascimento, o Iluminismo e o Existencialismo. Ele observa que o humanismo tentou sustentar a dignidade humana sem Deus, mas falhou em fornecer um fundamento último para valores morais e significado existencial. Essa falha culminou na filosofia relativista, na arte fragmentada e na teologia liberal, que negou a revelação proposicional das Escrituras.

Essa análise histórica é particularmente relevante para o cristianismo contemporâneo, pois demonstra como a negação da verdade objetiva conduz à perda de coerência teológica e à dissolução da autoridade espiritual.

Fé Cristã e Racionalidade: Um Diálogo Pentecostal

Um dos grandes méritos de A Morte da Razão é sua defesa de que o cristianismo não se opõe à razão, mas a sustenta. Para Schaeffer, a revelação bíblica fornece respostas consistentes para questões fundamentais da existência, como a origem do universo, o problema do mal e a dignidade humana. Contudo, quando analisamos essa obra sob uma perspectiva pentecostal clássica, percebemos que ela pode ser enriquecida pela ênfase na ação do Espírito Santo.

Teólogos como Antônio Gilberto e Stanley M. Horton oferecem importantes contribuições nesse diálogo. Gilberto destaca que “a verdade bíblica não está sujeita às mudanças culturais nem às pressões filosóficas do tempo, reforçando o argumento de Schaeffer sobre a imutabilidade da verdade divina. Horton complementa ao afirmar que o Espírito Santo não contradiz a razão, mas a ilumina”, apontando para uma integração harmoniosa entre racionalidade e espiritualidade.

Além disso, Gordon D. Fee desenvolve uma epistemologia pneumatológica que aprofunda essa discussão. Segundo ele, o conhecimento cristão não é meramente dedutivo ou lógico; ele é essencialmente relacional e pneumatológico”. Essa perspectiva pentecostal valoriza o papel ativo do Espírito Santo na comunicação e confirmação da verdade divina, ampliando o alcance apologético das críticas culturais de Schaeffer.

Relevância Pastoral e Apologética

Para líderes e estudiosos pentecostais brasileiros, A Morte da Razão oferece uma análise cultural extremamente relevante. Embora não seja uma obra originalmente pentecostal, seu conteúdo dialoga diretamente com os princípios teológicos defendidos pelas Assembleias de Deus, especialmente quando interpretado à luz da pneumatologia bíblica.

A obra é particularmente útil para professores de Escola Bíblica Dominical e estudantes de teologia interessados em compreender os desafios intelectuais e morais do mundo contemporâneo. Ao integrar razão submissa às Escrituras, experiência espiritual autêntica e compromisso ético cristão, ela reflete o ideal teológico promovido pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) ao longo de décadas.

Conclusão

Francis Schaeffer nos oferece em A Morte da Razão uma análise indispensável sobre os dilemas filosóficos e espirituais da modernidade. Sua denúncia do relativismo moral e sua defesa da verdade objetiva são profundamente compatíveis com a teologia pentecostal clássica. Contudo, ao incorporar a perspectiva pneumatológica — que enfatiza a ação iluminadora do Espírito Santo — podemos enriquecer ainda mais suas reflexões.

Assim, conclui-se que A Morte da Razão, quando lida criticamente e complementada pela ênfase pentecostal no Espírito Santo, torna-se um instrumento apologético e pastoral eficaz. Essa integração fortalece a Igreja em sua missão de proclamar a verdade do evangelho em um mundo marcado pelo relativismo e pela confusão moral.

Referências

- FEE, Gordon D. *Paulo, o Espírito e o povo de Deus*. São Paulo: Vida Nova, 1997.
- GILBERTO, Antônio. *Teologia Sistemática Pentecostal*. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
- HORTON, Stanley M. *O que a Bíblia diz sobre o Espírito Santo*. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
- SCHAEFFER, Francis A. *A morte da razão*. São Paulo: Cultura Cristã, 2005.
- CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL (CGADB). *Declaração de Fé das Assembleias de Deus*. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

******