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sábado, 10 de janeiro de 2026

Entendendo e Resistindo ao Gnosticismo: Lições da Igreja Primitiva para Hoje

10.01.2026

Postado por pastor Irineu Messias

Nos primeiros séculos do cristianismo, a Igreja enfrentou inúmeros desafios — não apenas perseguições externas, mas também ameaças internas à pureza do evangelho. Entre essas ameaças, uma das mais sutis e perigosas foi o gnosticismo. Embora tenha surgido há quase dois mil anos, seus ecos ainda ressoam em muitos ensinos contemporâneos que prometem “conhecimento secreto”, experiências místicas ou uma espiritualidade desvinculada da verdade bíblica.

Neste artigo, vamos explorar três pilares essenciais para compreender e resistir ao gnosticismo:

  1. O que é o gnosticismo?
  2. Qual o seu contexto histórico e por que ele é enganoso?
  3. Como os primeiros cristãos responderam a essa ameaça?

Que estas reflexões nos ajudem a permanecer firmes na fé que “foi entregue aos santos de uma vez por todas” (Judas 1:3).

1. O Que É o Gnosticismo?

O gnosticismo (do grego gnōsis, que significa “conhecimento”) era um movimento religioso-filosófico que surgiu no século I d.C., especialmente nas regiões do Império Romano onde culturas judaica, grega e oriental se encontravam. Seus seguidores acreditavam que a salvação não vinha pela fé em Cristo, mas por meio de um conhecimento esotérico e secreto, acessível apenas a uma elite espiritual.

Características principais:

  • Dualismo radical: o mundo material é mau; só o espiritual é bom.
  • Rejeição da criação física: Deus verdadeiro não criaria um mundo “sujo” — logo, o mundo teria sido feito por um deus inferior (chamado Demiurgo).
  • Cristo sem corpo real: muitos gnósticos negavam que Jesus tivesse vindo “em carne” (1 João 4:2–3), pois achavam impossível que o divino se unisse à matéria.
  • Salvação elitista: só os “iluminados” seriam salvos, enquanto os demais permaneceriam presos na ignorância.

Por que isso importa hoje?

Embora o gnosticismo antigo tenha sido condenado pelos pais da Igreja, suas ideias persistem. Hoje, vemos traços dele em:

  • Ensinos que valorizam “revelações pessoais” acima da Bíblia;
  • Movimentos que desprezam o corpo, a criação ou a vida cotidiana como “menos espirituais”;
  • Correntes que prometem acesso a “mistérios ocultos” ou níveis superiores de espiritualidade.

A Palavra de Deus, porém, afirma que a salvação é pela graça, mediante a fé em Cristo — e não por conhecimento secreto (Efésios 2:8–9).

2. O Contexto Histórico da Gnose: Origens e Enganos

O gnosticismo não surgiu do nada. Ele foi fruto de uma mistura sincretista de ideias:

  • Filosofia grega (especialmente o platonismo, com sua visão negativa do corpo);
  • Religiões de mistério (que prometiam salvação por rituais secretos);
  • Elementos do judaísmo apocalíptico e até do zoroastrismo persa.

Essa “sopa cultural” gerou sistemas complexos, com deuses, eons, anjos caídos e narrativas mitológicas — tudo apresentado como a “verdadeira” interpretação do cristianismo.

As falácias centrais do gnosticismo:

  1. Negava a bondade da criação — contradizendo Gênesis 1:31 (“Deus viu tudo o que havia feito, e eis que era muito bom”).
  2. Desumanizava Jesus — negando Sua encarnação real, Sua morte redentora e Sua ressurreição corporal.
  3. Criava divisões na Igreja — entre “espirituais” (os que tinham gnosis) e os “simples fiéis”.
  4. Substituía a cruz por um sistema de iluminação intelectual — tirando o foco da graça e colocando-o no mérito humano.

Por que combatê-lo?
Porque o gnosticismo corrompe o evangelho. Ele transforma o Cristo crucificado e ressurreto — Salvador de todos os que creem — em um mero transmissor de sabedoria oculta. E isso é outro evangelho, que Paulo advertiu ser anátema (Gálatas 1:8).

3. A Apologética Cristã Contra a Gnose: A Resposta da Igreja Primitiva

Diante dessa ameaça, os primeiros cristãos não ficaram em silêncio. Eles levantaram a voz com clareza, coragem e fidelidade às Escrituras.

Grandes defensores da fé:

  • Irineu de Lyon (século II): escreveu Contra as Heresias, um dos mais importantes tratados contra o gnosticismo. Ele defendeu a encarnação real de Cristo, a unidade da Bíblia (Antigo e Novo Testamento) e a tradição apostólica como guardiã da verdade.
  • Tertuliano: usou lógica e ironia para expor as contradições dos sistemas gnósticos.
  • Hipólito de Roma e outros bispos: trabalharam para identificar e excluir falsos mestres das comunidades cristãs.

Estratégias eficazes:

  • Apelo à sucessão apostólica: a verdade não estava em revelações novas, mas naquilo que os apóstolos ensinaram.
  • Defesa da materialidade da salvação: se Cristo não assumiu verdadeiramente um corpo, “nossa fé é vã” (1 Coríntios 15:17).
  • Formação do cânon bíblico: a Igreja começou a definir quais escritos eram autenticamente apostólicos — justamente para combater textos gnósticos falsos (como o Evangelho de Tomé).

Lição para nós hoje:

Assim como os primeiros cristãos, somos chamados a “combater pelo evangelho” (Filipenses 1:27). Isso não significa agressividade, mas discernimento, estudo da Palavra e fidelidade à sã doutrina.

Em um mundo cheio de vozes que prometem “novas verdades”, precisamos voltar sempre à fonte: Jesus Cristo, a Palavra encarnada, revelada nas Escrituras.

Conclusão: Firmes, na Verdade, Livres da Ilusão

O gnosticismo antigo pode parecer distante, mas seus apelos — conhecimento exclusivo, espiritualidade sem encarnação, desprezo pelo mundo físico — continuam sedutores. Por isso, mais do que nunca, precisamos:

Conhecer bem a Bíblia — nossa única regra de fé e prática.
Valorizar a tradição cristã histórica — que preservou a fé contra erros antigos.
Viver uma espiritualidade encarnada — que ama a Deus com a mente, o coração e o corpo, e que cuida da criação como dom de Deus.

Que o Senhor nos conceda sabedoria para discernir o espírito da verdade do espírito do erro (1 João 4:6) — e que nossa fé seja sempre simples, bíblica e centrada em Cristo.

“Guardai-vos dos falsos profetas... Pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7:15–16)

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Saiba mais:  

Livro Gnosticismo: As Origens Gnósticas das Heresias na Igreja Primitiva A Verdade Revelada sobre as Heresias do Segundo Século

As Origens Gnósticas do Calvinismo

Por que deixei de ser calvinista (Parte 1): O calvinismo apresenta uma Bíblia descontextualizada da história

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Por que deixei de ser calvinista (Parte 1): O calvinismo apresenta uma Bíblia descontextualizada da história

09.01.2026

Do blog ORTHODOXY AND HETERODOXY, 09.01.2014

Por Robin Phillips

Introdução

Minha esposa e eu éramos calvinistas (ou "reformados", como gostávamos de dizer) e queríamos que nossos filhos crescessem da mesma forma. Frequentávamos uma igreja calvinista e ensinávamos teologia reformada aos nossos filhos. No entanto, a partir de 2012, começamos a nos sentir cada vez mais desconfortáveis ​​com os principais princípios doutrinários dessa perspectiva.

Ainda respeitamos o calvinismo e esperamos preservar muitos de seus pontos fortes em nossa vida familiar. No entanto, chegamos à conclusão de que a teologia reformada se baseia em fundamentos não bíblicos, que acrescenta algo ao evangelho e que, inadvertidamente, incorpora diversas crenças heterodoxas. Na série de publicações a seguir, identificarei cinco desses fundamentos falhos do calvinismo.

Antes de iniciar a discussão sobre os cinco pontos em que o calvinismo falha, é importante esclarecer que estou falando aqui sobre o "calvinismo" em geral, e não especificamente sobre os ensinamentos de João Calvino. É importante manter essa distinção, visto que há debate sobre se Calvino era de fato calvinista. No entanto, acredito que existam bons motivos para afirmar alguma continuidade entre os ensinamentos de Calvino e os tipos de ideias que criticarei, mas essa é, em última análise, uma questão histórica que está além do escopo desta discussão.

Os 5 pontos que irei explorar são os seguintes:

  • O calvinismo apresenta uma Bíblia descontextualizada da história.
  • O calvinismo destrói a justiça de Deus.
  • O calvinismo distancia Deus da nossa experiência com Ele.
  • O calvinismo ensina a heresia do monergismo.
  • O calvinismo apresenta uma cristologia deformada.

Para este primeiro ponto de discussão, sugiro que a abordagem calvinista das escrituras está radicalmente desconectada do contexto histórico em que a Bíblia foi escrita.

Uma Bíblia Desistoricizada

Na segunda metade do século XX, houve grandes avanços em nossa compreensão do judaísmo do primeiro século, em grande parte como resultado da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto e de toda a pesquisa que ela gerou. Essas descobertas nos proporcionaram uma apreciação muito melhor dos tipos de debates teológicos que fervilhavam na época do apóstolo Paulo. Isso significa que estamos em uma posição melhor para reconstruir cuidadosamente os tipos de argumentos que os oponentes judeus de Paulo provavelmente usavam contra o evangelho de Cristo.

Ao analisarmos esses estudos, torna-se cada vez mais evidente que os debates tradicionais entre calvinistas e não calvinistas sobre temas como predestinação e depravação total simplesmente não existiam na época de Paulo.

Quando deixamos de ler Paulo à luz dos debates posteriores entre Agostinho e os pelagianos, ou entre calvinistas e arminianos, e passamos a lê-lo à luz do conhecimento atual dos historiadores sobre o judaísmo do Segundo Templo, torna-se evidente que, na maioria das passagens consideradas textos bíblicos padrão para o calvinismo, Paulo estava, na verdade, abordando as relações entre judeus e gentios e outras questões correlatas. Da mesma forma, muitas das passagens que imediatamente assumimos tratar de questões de salvação individual, na realidade, possuíam uma nuance mais relacionada à aliança, incluindo grande parte do arsenal de passagens prediletas do calvinismo. Tudo isso emerge à medida que reconstruímos cuidadosamente o contexto histórico de Paulo à luz do conhecimento atual dos historiadores sobre o judaísmo do primeiro século.

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Para quem quiser aprofundar este assunto, recomendo o seguinte:

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Fonte: https://blogs.ancientfaith.com/orthodoxyandheterodoxy/2014/01/09/why-i-stopped-being-a-calvinist-part-1-calvinism-presents-a-dehistoricized-bible/

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

MINDFULNESS E A FÉ CRISTÃ

23.10.2024

Postado por pastor Irineu Messias

Afinal o que é Mindfulness?

"Mindfulness é uma prática que consiste em focar a atenção no momento presente, sem julgamentos, e a observar os pensamentos, sentimentos e emoções. Também é conhecida como atenção plena"

Origem e Contexto da Prática

Mindfulness, ou atenção plena, tem raízes nas tradições budistas, onde é parte de um sistema de meditação que busca a iluminação e a libertação do ciclo de reencarnações (samsara). A prática está intimamente ligada a conceitos budistas como o desapego e a não-dualidade, que são diferentes das crenças centrais do Cristianismo, que enfatizam a relação pessoal com Deus, a redenção por meio de Jesus Cristo e a vida eterna.

Conflitos com Princípios Cristãos

  1. A Natureza de Deus: No Cristianismo, Deus é visto como um ser pessoal e relacional, enquanto no Budismo, muitas vezes, não há um deus pessoal central. A prática do mindfulness, que muitas vezes enfatiza o "eu" e a consciência, pode levar a uma abordagem mais individualista que não se alinha com a visão cristã da submissão a Deus.

  2. Desapego e Pecado: O mindfulness busca o desapego das emoções e dos pensamentos, fazendo com que os praticantes observem sua experiência sem julgamento. No entanto, o Cristianismo ensina a necessidade de lidar com o pecado e as emoções de maneira diferente: reconhecer nossos pecados, buscar perdão e transformação mediante Cristo.

  3. Redenção em Cristo: A centralidade da redenção em Jesus Cristo é um pilar do Cristianismo. A prática do mindfulness, ao se concentrar na experiência imediata e na auto-observação, pode desviar a atenção da necessidade de redenção e do relacionamento com Deus. Em vez de se voltar para Cristo, a prática pode incentivar uma busca por autossuficiência.

  4. O Papel da Oração: A oração cristã é um meio de comunicação com Deus, que envolve não apenas a meditação, mas também a intercessão, a adoração e a confissão. Em contraste, o mindfulness muitas vezes se concentra na autorreflexão e na meditação silenciosa, que pode não levar a um engajamento ativo com a divindade.

Considerações Finais

Embora seja possível argumentar que a prática de mindfulness pode oferecer benefícios como redução do estresse e maior autoconsciência, esses aspectos não compensam as preocupações teológicas e filosóficas mais profundas que surgem de suas raízes budistas. Como cristãos, é fundamental discernir entre práticas que promovem um crescimento espiritual alinhado com a Palavra de Deus e aquelas que podem desviar os fiéis de uma compreensão mais profunda de sua fé em Cristo e da intimidade com Deus que se dá tão-somente pela não oração e não pela meditação focada em si mesmo.

Portanto, a adoção de práticas como o mindfulness, a partir de uma clara compreensão teológica cristã, tem implicações espirituais, visto que se confronta com a centralidade da fé cristã e no relacionamento com Deus. A meditação se concentra no próprio indivíduo e não em Cristo. Ademais tem a ver, como foi dito acima, com meditação que busca a iluminação e a libertação do ciclo de reencarnações (samsara). Sendo a reencarnação, uma doutrina refutada pelas Escrituras Sagradas, em que um de seus textos diz: 


"E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo". Hebreus 9:27 (grifo nosso)

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sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Refutações Teológicas à Antroposofia: Uma Perspectiva do Cristianismo Bíblico

04.10.2024
Postado por Irineu Messias

A análise da antroposofia à luz da Escritura e da teologia cristã tradicional revela várias preocupações e refutações. A antroposofia propõe uma visão holística do ser humano e do universo que pode entrar em conflito com a revelação bíblica e os princípios fundamentais da fé cristã. Eis alguns pontos de vista e refutações:

1. Visão do Ser Humano

Ponto de Vista Bíblico:

A Bíblia ensina que o ser humano é criado à imagem de Deus (Gênesis 1:27) e que a essência do ser humano é a relação com o Criador. A separação entre corpo, alma e espírito, conforme mencionado em 1 Tessalonicenses 5:23, é reconhecida, mas tal divisão não implica uma abordagem holística que seja não bíblica.

Refutação Teológica:

A antroposofia enfatiza a influência de esferas espirituais e seres superiores que moldam a vida humana. Isso pode levar à promoção de um humanismo espiritual que desconsidera a soberania de Deus sobre a criação. O cristianismo bíblico sustenta que a salvação e a verdadeira transformação do ser humano vêm apenas através da fé em Cristo (João 14:6), e não pela ascensão espiritual mediante caminhos esotéricos ou práticas antroposóficas.

2. Natureza Espiritual e Esoterismo

Ponto de Vista Bíblico:

A Escritura afirma a triunidade de Deus e a suficiência de Sua Revelação (Hebreus 1:1-2). A crença em esoterismo e em verdades ocultas, como propõe a antroposofia, vai contra a ideia de que a verdade divina é revelada claramente na Bíblia.

Refutação Teológica:

A antroposofia promove a ideia de uma sabedoria oculta e conhecimentos que devem ser desvendados por meio da meditação e da pesquisa espiritual. Essa abordagem pode ser vista como uma nova forma de gnosticismo, que a Carta de Colossenses refuta claramente (Colossenses 2:8). Os cristãos são advertidos contra filosofias que se baseiam em tradições humanas e não na verdade do Evangelho.

3. Visão de Deus e da Criação

Ponto de Vista Bíblico:

A teologia cristã ortodoxa defende que Deus é um ser pessoal, não uma força ou princípio impessoal. Ele é o Criador do universo, que se relaciona com a criação de uma maneira direta e pessoal (Salmo 19:1-4).

Refutação Teológica:

A antroposofia, em muitos aspectos, apresenta uma visão panteísta, onde a divindade está presente na natureza de forma difusa. Tal perspectiva não se alinha com a doutrina cristã que ensina que Deus transcende Sua criação e que a relação com Ele é mediada por Jesus Cristo (João 1:1-14). Panteísmo nega as distinções claras entre Criador e criatura propostas nas Escrituras.

4. Cura e Saúde

Ponto de Vista Bíblico:

Embora a Bíblia reconheça a importância da saúde física e emocional, ela também enfatiza que a verdadeira cura e restauração vêm da fé e da oração (Tiago 5:14-15). A prática da medicina deve ser à luz da soberania de Deus e da confiança em Seu poder.

Refutação Teológica:

A medicina antroposófica propõe métodos e remédios que muitas vezes são baseados em princípios não científicos ou místicos, o que pode levar à dependência de práticas que desconsideram a eficácia e a provisão de Deus através dos meios tradicionais de cuidado. A Bíblia, embora não reprove a medicina científica, não valida práticas que se afastam da dependência em Deus e da verdade revelada.

Conclusão:

A antroposofia apresenta uma visão da vida e do ser humano que, embora holística e atraente para alguns, se desvia fundamentalmente da revelação bíblica e da doutrina cristã ortodoxa. O cristão é chamado a discernir essas influências à luz das Escrituras e a permanecer firme na fé que foi uma vez para todos entregue aos santos (Judas 1:3), confiando na suficiência de Cristo e, na verdade da Palavra de Deus.

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terça-feira, 2 de julho de 2024

Entrevista com Ravi Zacharias - A supremacia da cosmovisão cristã

 2.07.2024

Do blog do INSTITUTO CRISTÃO DE PESQUISAS  - ICP

Tradução: Elvis Brassaroto Aleixo
Frederick Antony Ravi Kumar Zacharias (Chenai, 1946), evangelista e apologista cristão nascido na Índia, emigrou para o Canadá aos vinte anos e, atualmente, vive nos EUA. Ravi Zacharias, como é conhecido, é autor de vários livros, incluindo o premiado Pode o homem viver sem Deus? e Por que Jesus é diferente? Zacharias apresentou, durante vários anos, o programa semanal de rádio “Deixe meu povo pensar”, preside o Ministério Internacional Ravi Zacharias e é professor visitante do Wycliffe Hall of Oxford, onde leciona apologética e evangelismo. Defensor diligente da cosmovisão cristã, a entrevista que nos concedeu é sobre o assunto em referência.

Defesa da Fé: O que uma pessoa deve considerar ao julgar a validade de uma cosmovisão?

Ravi Zacharias: Como a própria palavra revela, “cosmovisão” nada mais é do que uma “concepção do mundo”. Acredito que uma cosmovisão coerente deve ser capaz de responder satisfatoriamente a quatro questões: a origem, o significado, a moralidade e o destino do homem. É muito comum nos depararmos com pensamentos religiosos que respondem a essas perguntas em meio a contradições ou invenções. Embora todas as principais religiões façam declarações exclusivas sobre a verdade, a fé cristã é a única capaz de responder plenamente a todas as quatro questões sem se contradizer.

Defesa da Fé: Em que termos o senhor apresenta a singularidade da cosmovisão cristã?

Ravi Zacharias: Estou totalmente convencido de que a fé cristã detém a concepção de um mundo mais coerente que poderia ser assumida por qualquer pessoa. Todos eles: panteístas, ateístas, céticos e politeístas são incapazes de responder a questões como: “De onde viemos?”. “Qual é o sentido da vida?”. “Como podemos definir o que é certo ou errado?”. E: “O que nos acontecerá quando morrermos?”. Tais indagações se relacionam com fatores primordiais da nossa existência. Ao apresentar a cosmovisão cristã, sempre considero os aspectos culturais envolvidos, esteja eu no Oriente Médio, no Ocidente ou na Ásia. Minha estratégia é fazer as perguntas existenciais no contexto da cultura em que estou inserido e, após isso, apresentar todas as respostas cristãs, salientando sua plausibilidade.

Defesa da Fé: Entre as dezenas de livros que o senhor já escreveu, Por que Jesus é diferente? é considerado o seu trabalho mais significativo. Qual é a razão disso?

Ravi Zacharias: Jamais houve e nunca haverá uma história de vida tão impecável quanto à de Jesus. Muitos reivindicaram alguma posição religiosa diferenciada, mas possuem um testemunho de vida no mínimo dúbio. Com Cristo, por outro lado, isso não ocorre. Em sua biografia, nunca o vemos coadunando com situações imorais ou antiéticas ou sequer qualquer sombra de impureza em seu caráter. Depois de cerca de dois mil anos, ninguém tem sido mais criticado ou desafiado pela mídia que Jesus. Nesse contexto, existem muitos jornalistas ocidentais publicando artigos com posicionamentos imparciais e sem fundamentação científica. Esses mesmos jornalistas nunca submeteriam Maomé àquilo que submetem a Jesus. Nenhum outro personagem de qualquer religião poderia resistir a tantos ataques e permanecer inabalável ao longo dos séculos. Isso ocorre porque Jesus não é um mito!

Defesa da Fé: Por que as pessoas no ocidente estão tão fascinadas pelas religiões do oriente?

Ravi Zacharias: É simples. A cosmovisão das religiões orientais está sendo buscada pelos ocidentais porque elas concedem aos seus adeptos a possibilidade de seguirem uma moralidade sem ter um Deus a quem se reportar. Muitas práticas do movimento Nova Era, por exemplo, dependem de uma filosofia moralizante sem o posicionamento de uma divindade central. O budismo também proporciona essa espécie de relação. O bahaísmo admite uma concepção plural, descomprometida com um posicionamento específico e norteador, apenas tangenciando vários conceitos religiosos, mas sem a necessidade de assumir uma posição clara. O hinduísmo, por sua vez, propicia uma fundamentação moral sem qualquer responsabilidade que vá além da doutrina cármica, segundo a qual as pessoas são castigadas por ações que elas não se recordam terem cometido em uma vida passada. Em todos esses casos, não existe responsabilidade para com um Deus pessoal.

Defesa da Fé: Como tem sido suas experiências nas universidades norte-americanas?

Ravi Zacharias: Quando palestro nas universidades sobre hinduísmo, budismo, islamismo ou qualquer outro tema, faço sabendo que não haverá qualquer repercussão. Mas, quando falo da fé cristã, sempre sou questionado sobre os motivos de se discutir esse tema. Qualquer pessoa pode questionar os grupos cristãos em qualquer grande universidade norte-americana, e eles dirão o quanto são intimidados nesse ambiente. Isso é triste! Eu vivi na Índia, depois no Canadá e, após, cheguei aos EUA. Em certo sentido, a América parece contradizer toda a liberdade que os próprios americanos apregoam. Mas, coisas piores podem ser feitas em outras partes do mundo e sem impunidade. Por exemplo, o racismo. Existem países no mundo atual em que o racismo é horrível e descarado. Percebo que, pelo fato de estarmos muito acostumados a viver sob os parâmetros da cosmovisão cristã, enfrentamos mais facilmente a autocrítica e o escrutínio. Outras cosmovisões não estão dispostas a se abrir para esse enfrentamento. Por isso, quando o assunto na universidade é cristianismo, os estudantes não ficam indiferentes e os debates se tornam mais acalorados.

Defesa da Fé: Qual é a liberdade que existe nos países muçulmanos no tocante à adesão de uma cosmovisão religiosa diferente da islâmica?

Ravi Zacharias: Em muitos desses países, os muçulmanos alegam não haver uma religião obrigatória. Certa vez, estive com uma autoridade religiosa de uma das maiores nações muçulmanas do mundo, cuja identidade prefiro não revelar. Ele foi bastante cortez ao conversar comigo e me explicou muita coisa sobre o trabalho que ele estava realizando. Contou-me que tinha acabado de participar de um encontro na Malásia cujo teor tratou sobre a imagem do islamismo no mundo.

Eu lhe perguntei:

— Por que vocês entendem que um evento assim seria necessário?

Ao que ele me respondeu:

— Bem, 11 de setembro. Somos freqüentemente vistos no Ocidente como nações que obrigam seus filhos a adesão religiosa.

Então, lhe disse:

— Eu não quero ser ofensivo, mas se eu estivesse no seu país e fosse um muçulmano, eu seria livre para discordar de alguns pontos do islamismo?

A resposta foi:

— Por que faria algo assim?

Retruquei:

— Apenas estou lhe perguntando teologicamente se os muçulmanos são livres para abandonar sua fé quando assim entenderem.

Ele retornou:

— Bem, essas coisas são mais complicadas porque temos de ponderar sobre as leis do país e outros fatores complicadores.

Então, eu disse:

— Quando você diz que não há religião obrigatória nos países muçulmanos, está apenas analisando um lado da moeda, o qual lhe diz que nunca forçará alguém a acreditar no que você acredita. Isso é muito lógico, pois alguém que nasça num país assim natural e culturalmente torna-se um muçulmano sem precisar ser forçado, pois as pessoas não têm escolha. Por outro lado, quando falamos sobre religião compulsória, isto vai muito além, pois quer dizer também que o Estado não deveria compelir alguém a permanecer acreditando em algo quando esta pessoa quer se tornar um descrente ou “apóstata”. Este é o maior teste para saber se há ou não religião compulsória no mundo árabe. Não existe qualquer lei no país onde eu vivo que me obrigue a permanecer cristão pelo resto da minha vida. Mas, em seu país, se alguém decidir desacreditar o islamismo, terá antes de enfrentar o tribunal de justiça e explicar as razões de sua postura. Como tal pessoa pode resistir a tamanha intimidação, ao mesmo tempo ser honesta consigo mesma e não sofrer com isso?

Francamente, o ministro islâmico não pôde me responder. Quando o islamismo conseguir superar esse problema, então, e só então, o mundo poderá conhecer quem de fato é muçulmano, pois quando isso acontecer, estaremos diante de fiéis livres para professar sua fé. Se hoje a religião muçulmana não fosse obrigatória no mundo árabe, ainda seriam eles bilhões de adeptos?

Defesa da Fé: Como a cosmovisão cristã pode satisfazer as necessidades de um lugar como a Índia?

Ravi Zacharias: Eu nasci e cresci em Bombain e costumo visitar a Índia duas vezes por ano. Em muitos sentidos, a Índia me deixa angustiado. Caminhe pelas ruas de Calcutá e entenderá o que estou dizendo. Ao mesmo tempo, Calcutá é o centro educacional da Índia. Alguns dos maiores filósofos do país são provenientes de Calcutá. Penso que a primeira coisa que a cosmovisão cristã pode fazer pelos indianos é elevar a auto-estima deles, explicando que existe uma dignidade essencial em cada ser humano. A segunda coisa é demonstrar o amor que permeia as relações cristãs e todas as suas implicações e frutos. Sabendo disso, as organizações missionárias costumam estar nos orfanatos, nos hospitais e nos asilos. Há alguns anos, palestrei no centésimo aniversário do Hospital Missionário Americano, na cidade de Bahrain, fundado na Arábia Saudita, com extensão na Índia. Muitos xeques nasceram ali e representavam o islamismo naquela platéia para a qual me dirigi. Queriam saber de onde veio o ímpeto necessário para um empreendimento duradouro como aquele, ao que respondi: “Do amor de Cristo”.

Defesa da Fé: O que os norte-americanos precisam aprender com tudo isso?

Ravi Zacharias: A América precisa reconhecer que não pode existir sem a cosmovisão que a levou a ser o que é hoje. Estou falando da cosmovisão judaica-cristã. Também, precisa reconhecer que foi a liberdade da fé cristã que proporcionou, nas instituições, o acesso que os outros tipos de fé usufruem. É muito sintomático observar que, quando a corrente principal dos seminários teológicos é conservadora, sempre há espaço para os teólogos liberais. Mas, quando o contrário ocorre, os conservadores são totalmente desprezados e ridicularizados. Esse tipo de comportamento ocorre em diversas esferas nos EUA. O cristianismo, que muitos renegam hoje, é justamente o fundamento para essa liberdade crítica que os americanos possuem e que podem perder! Que a Igreja brasileira aprenda com os erros dos irmãos norte-americanos e prossiga por caminhos mais aprazíveis ao Senhor.


Nota: Embora o entrevistado, tenha falhado na sua conduta cristã, o que escreveu e defendeu nos escritos, palestras ,etc, continuam válidos, mesmo que o mesmo tenha falhado diante de Deus.Na eternidade , todos nós, inclusive o entrevistado, prestarão contas a Deus.

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Fonte:https://www.icp.com.br/entrevista005.asp