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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

As Linhagens Levíticas e Suas Funções no Tabernáculo: Ordem, Santidade e Serviço na Economia do Culto Israelita

31.12.2025

Postado pelo pastor Irineu Messias 

Introdução

O Tabernáculo ocupa lugar central na teologia do Antigo Testamento como o espaço da habitação simbólica de Deus no meio do povo de Israel (Êx 25.8). Para que o culto fosse realizado de maneira santa, organizada e fiel à vontade divina, Deus escolheu a tribo de Levi para o serviço sagrado. Contudo, esse serviço não foi homogêneo: as linhagens levíticas receberam funções distintas, revelando um princípio teológico fundamental — Deus é um Deus de ordem, santidade e vocação específica.

Este artigo analisa o papel das três linhagens de Levi — Gérson, Coate e Merari —, bem como a distinção entre levitas e sacerdotes, destacando o sacerdócio aarônico e sua relevância teológica.

1. A Escolha da Tribo de Levi

A tribo de Levi foi separada por Deus para o serviço do santuário em substituição aos primogênitos de Israel (Nm 3.12–13). Diferentemente das demais tribos, Levi não recebeu herança territorial, pois sua herança era o próprio Senhor (Nm 18.20; Dt 10.9).

 “Naquele tempo separou o Senhor a tribo de Levi para levar a arca da aliança do Senhor, para estar diante do Senhor, para o servir e para abençoar em seu nome.” (Deuteronômio 10.8).

2. Os Três Filhos de Levi e Suas Linhagens

Levi teve três filhos, dos quais se originaram as principais famílias levíticas:

“E os filhos de Levi foram: Gérson, Coate e Merari.” (Êxodo 6.16).

Cada linhagem recebeu atribuições específicas relacionadas ao Tabernáculo, conforme detalhado nos livros de Números e Êxodo.

3. A Linhagem de Gérson: As Cortinas e Coberturas

Os gersonitas ficaram responsáveis pelos elementos móveis e têxteis do Tabernáculo:

Cortinas

Coberturas

Véus

Cordas

Números 3.25–26; 4.24–28

Esses elementos delimitavam e protegiam o espaço sagrado, indicando que o acesso à presença de Deus era regulado e santo.

Ênfase teológica:

A linhagem de Gérson cuidava daquilo que separava o sagrado do comum, ressaltando a santidade divina.

4. A Linhagem de Coate: Os Objetos Santíssimos

Os coatitas receberam a função mais sensível: o transporte dos objetos sagrados do santuário:

Arca da Aliança

Mesa dos pães

Candelabro

Altares

Utensílios do culto

 Números 3.31; 4.4–15

Esses objetos só podiam ser transportados após serem cobertos pelos sacerdotes, e jamais tocados diretamente, sob pena de morte (Nm 4.15).

Ênfase teológica:

Os coatitas simbolizam o centro do culto, a proximidade com a presença divina, que exige reverência e obediência absoluta.

5. A Linhagem de Merari: A Estrutura do Tabernáculo

Os meraritas eram responsáveis pela estrutura física:

Tábuas

Colunas

Bases

Barras

Estacas

📖 Números 3.36–37; 4.29–33

Esses elementos garantiam estabilidade e sustentação ao Tabernáculo.

Ênfase teológica:

A linhagem de Merari revela que o serviço aparentemente “pesado” ou menos visível é igualmente essencial para a obra de Deus.

6. O Sacerdócio: A Casa de Arão

Embora todos os sacerdotes fossem levitas, nem todos os levitas eram sacerdotes. O sacerdócio foi concedido exclusivamente à família de Arão, descendente de Coate.

 Êxodo 28.1; Números 3.10

 “Faze chegar a ti Arão, teu irmão, e seus filhos, para que me sirvam no sacerdócio.” (Êxodo 28.1)

Os sacerdotes eram responsáveis por:

Oferecer sacrifícios

Ensinar a Lei

Interceder pelo povo

Ministrar no Lugar Santo

O sumo sacerdote, em especial, entrava no Santo dos Santos uma vez por ano (Lv 16).

7. Moisés e Arão: Chamados Distintos na Mesma Linhagem

Moisés e Arão pertenciam à linhagem de Coate (Êx 6.18–20). Contudo, seus chamados eram distintos:

Moisés: profeta, mediador da Lei e líder nacional (Dt 34.10)

Arão: sacerdote e mediador cultual (Êx 28.1)

Essa distinção reforça que autoridade espiritual não é uniforme, mas distribuída segundo o propósito divino.

8. Síntese Teológica e Aplicação Cristã

O sistema levítico revela princípios teológicos permanentes:

1. Deus é um Deus de ordem e santidade (1Co 14.40)

2. O serviço a Deus envolve diversidade de dons

3. Nenhuma função no culto é irrelevante

No Novo Testamento, o sacerdócio levítico encontra seu cumprimento em Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote eterno (Hb 4.14; 7.23–28), e a Igreja é chamada a viver o sacerdócio universal dos crentes (1Pe 2.9).

Conclusão

As linhagens levíticas e suas funções no Tabernáculo demonstram que o culto verdadeiro exige santidade, obediência e vocação específica. Cada família serviu conforme o chamado recebido, cooperando para que a presença de Deus permanecesse no meio do povo. Esse modelo continua a instruir a Igreja quanto à importância da fidelidade, da diversidade ministerial e da centralidade da presença divina.

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sábado, 27 de dezembro de 2025

O Tempo na Época de Jesus: Uma comparação entre o calendário bíblico e o nosso sistema moderno

 26.12.2025

Postado pelo pastor Irineu Messias

O modo como o tempo era contado na época de Jesus é bem diferente do que usamos hoje. Entender esse sistema nos ajuda a compreender melhor as Escrituras e, ao mesmo tempo, nos lembra que o tempo tem um significado espiritual profundo na vida cristã.

Como o Dia Era Contado

Na tradição judaica, o dia começava ao pôr do sol, conforme Gênesis 1.5: “Houve tarde e manhã, o primeiro dia”. Assim, a sequência era noite → manhã → dia completo. Esse detalhe mostra que a vida, segundo a perspectiva bíblica, começa no descanso e na confiança em Deus.

Divisão das Horas do Dia

O período de luz era dividido em 12 horas, que variavam conforme a estação do ano. Aproximadamente, iam das 6h às 18h. Por isso, quando os Evangelhos mencionam a “sexta hora” ou a “nona hora”, podemos relacionar com momentos específicos do nosso relógio moderno.

Tabela das Horas Bíblicas

Para facilitar a compreensão, veja a equivalência aproximada:

  • 1ª hora ≈ 6h
  • 3ª hora ≈ 9h
  • 6ª hora ≈ 12h
  • 9ª hora ≈ 15h
  • 10ª hora ≈ 16h
  • 11ª hora ≈ 17h
  • 12ª hora ≈ 18h

Assim, quando Marcos 15.25 afirma que Jesus foi crucificado “na terceira hora”, entendemos que isso aconteceu por volta das 9h da manhã.

As Vigílias da Noite

Além das horas do dia, havia a divisão da noite em vigílias. O sistema judaico contava três vigílias, enquanto o romano, presente no Novo Testamento, falava em quatro. É nesse contexto que Mateus 14.25 registra que Jesus veio andando sobre o mar “na quarta vigília da noite”, ou seja, entre 3h e 6h da manhã.

Comparação com o Sistema Atual

Hoje, nosso dia começa à meia-noite e as horas são fixas, reguladas por relógios precisos. Essa diferença mostra como o tempo foi padronizado ao longo da história, mas também nos lembra que, na Bíblia, o tempo era percebido de forma mais orgânica, ligada ao ritmo da natureza.

O Significado Teológico do Tempo

A Bíblia distingue entre dois tipos de tempo:

  • Chronos: o tempo cronológico, que marca minutos e horas.
  • Kairós: o tempo oportuno de Deus, o momento certo em que Ele age.

Em Marcos 1.15, Jesus proclama: Cumpriu-se o tempo. Aqui, não se trata apenas de cronologia, mas da intervenção divina na história.

Aplicação Cristã

O estudo do tempo bíblico nos ensina que Deus pode nos chamar em qualquer hora. Sua graça se estende até a “undécima hora” (Mt 20.6), mostrando que nunca é tarde para responder ao Seu convite. Como Paulo exorta em Efésios 5.16, devemos “remir o tempo”, aproveitando cada oportunidade para viver conforme a vontade do Senhor.

Conclusão

Compreender como o tempo era contado na época de Jesus nos ajuda a ler a Bíblia com mais clareza. Mas, acima de tudo, nos lembra que o tempo não é apenas uma medida humana: é um dom de Deus. Cabe a nós vivermos cada hora como oportunidade de fé, serviço e esperança.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O Evangelho e o Esquadro: Por que a Fé Cristã é Incompatível com a Maçonaria

19.12.2025
Postado por pastor Irineu Messias

Introdução

Ao longo da história do protestantismo no Brasil, um tema tem gerado debates acalorados e divisões profundas: a relação entre a igreja e a maçonaria. Embora muitos tentem conciliar a caminhada cristã com os ritos das lojas maçônicas, um olhar atento às Escrituras e à própria história das denominações revela um abismo intransponível. O que começou como uma aliança estratégica no século XIX tornou-se um fardo espiritual que muitas igrejas ainda lutam para remover de seu meio. Este artigo explora as raízes históricas dessa união, a evolução das decisões eclesiásticas e, acima de tudo, a gritante contradição entre os pilares da Reforma Protestante e o esoterismo maçônico.

Uma Herança Traída: A Contradição com os Pilares da Reforma

Existe uma contradição dolorosa na história da Igreja Presbiteriana no Brasil. Como uma das herdeiras da Reforma Protestante, essa denominação nasceu da resistência contra as heresias e tradições humanas do catolicismo que obscureciam o Evangelho. No entanto, por mais de um século, essa mesma linhagem reformada demonstrou uma "flacidez espiritual" ao permitir que heresias maçônicas coexistissem em seu seio. Ao aceitar membros e oficiais vinculados à ordem, a prática eclesiástica caminhou na contramão das cinco Solas, que são o fundamento da fé protestante:

  • Sola Scriptura (Somente a Escritura): Enquanto a Reforma ensina que a Bíblia é a única autoridade final, na maçonaria ela é tratada como um mero símbolo ou peça de mobiliário, podendo ser substituída por qualquer outro livro sagrado.
  • Sola Fide e Sola Gratia (Somente a Fé e a Graça): A maçonaria prega que o homem é aperfeiçoado por seus próprios esforços e ensinos filosóficos para entrar na "Loja Celestial", uma clara doutrina de salvação pelas obras que anula o sacrifício de Cristo e a gratuidade da graça.
  • Solus Christus (Somente Cristo): Nas lojas, Jesus não é reconhecido como o único mediador; as orações não são feitas em seu nome para não "ofender" seguidores de outras divindades.
  • Soli Deo Gloria (Somente a Deus a Glória): Ao cultuar o "Grande Arquiteto do Universo" — um conceito vago que pode representar qualquer divindade como Alá ou Shiva — a glória que pertence exclusivamente ao Deus Triuno é diluída em um panteão universalista.

As Raízes de uma Aliança por Conveniência

A entrada da maçonaria nas igrejas evangélicas brasileiras ocorreu por um contexto político turbulento no século XIX. Com a unificação da Itália, o Papa rompeu com a maçonaria, proibindo católicos de participarem da ordem. No Brasil, a elite maçônica buscou refúgio nas igrejas protestantes para ganhar força contra a hegemonia católica. Muitos missionários americanos, já influenciados pela maçonaria em seu país, facilitaram essa entrada, chegando a pregar dentro de lojas maçônicas em São Paulo. Esse "cadastro do diabo" infiltrou-se por falta de opção dos maçons e por uma busca de proteção política por parte dos protestantes.

O Longo Caminho das Resoluções e a Cisão de 1903

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) levou décadas para enfrentar o problema. Em 1900, o Sínodo decidiu que o crente era livre para ser maçom, o que gerou uma cisão histórica em 1903. Um grupo descontente com essa omissão fundou a Igreja Presbiteriana Independente (IPI), que já nasceu proibindo a maçonaria. Somente em 1994, uma comissão paritária foi formada para estudar a incompatibilidade doutrinária. O Reverendo Hernandes Dias Lopes teve um papel fundamental nessa comissão, lutando pela pureza da igreja mesmo diante de tradições familiares, já que seu próprio pai teria sido mestre maçom. Finalmente, em 2006, a IPB aprovou uma resolução declarando a incompatibilidade oficial entre a fé cristã e a maçonaria, mas ainda permite os que já são membros, diáconos, presbíteros, pastores maçons, a exercerem seus ofícios e continuarem membros da igreja, inclusive participando normalmente da Santa Ceia do Senhor.

A Firmeza Histórica da Assembleia de Deus

Diferente das igrejas históricas que atravessaram séculos de ambiguidades, a Assembleia de Deus sempre manteve uma posição de rejeição absoluta e firme contra a maçonaria. Desde suas raízes pentecostais, a denominação identificou que a natureza secreta e os ritos de iniciação — onde o candidato afirma vir "das trevas para a luz" — são uma afronta a quem já foi iluminado pelo Espírito Santo. Nas Assembleias de Deus, a separação entre o altar e a loja maçônica sempre foi clara, tratando o envolvimento com sociedades secretas como uma prática incompatível com a transparência e a exclusividade do senhorio de Cristo. 

Se algum membro das Assembleias de Deus no Brasil pertencer à maçonaria, pertencerá de forma oculta, visto que a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) estabelece claramente sua posição sobre a maçonaria na Declaração de Fé das Assembleias de Deus, publicada oficialmente em 2017. No capítulo sobre A Igreja e a Sociedade, há uma seção específica que trata da incompatibilidade entre a fé cristã e a maçonaria.

A Declaração afirma:

“A Assembleia de Deus não aprova o envolvimento de seus membros com sociedades secretas, como a maçonaria, por serem incompatíveis com os princípios bíblicos e doutrinários da fé cristã.”

Conclusão

A história revela que a tolerância à maçonaria foi uma mancha na herança reformada brasileira, uma tentativa de servir a dois senhores que durou tempo demais. O rompimento radical, embora tardio em muitas frentes, é necessário porque a luz não pode ter comunhão com as trevas. Como uma bússola que só funciona se estiver livre de interferências metálicas, a fé cristã só pode guiar o crente se estiver livre do sincretismo e do esoterismo das lojas. A igreja deve, finalmente, honrar as Solas de seus antepassados, proclamando que somente a Escritura, somente a Graça e somente Cristo são suficientes para a vida e para a eternidade.

Nota: Artigo produzido(com acréscimos do editor do blog) com base no vídeo do canal CACP APOLOGÉTICA, do pastor Martinez. Clique aqui e assista o vídeo  

O Fantasma de John Brown no Brasil: Quando o Zelo pela "Causa" Atropela o Genuíno Evangelho de Cristo

19.12.2025

Postado por pastor Irineu Messias(Artigo atualizado em 22.12.2025)

Introdução: A Justiça que se Torna Ídolo

O Brasil vive um tempo de paixões extremas. No centro desse turbilhão, muitos cristãos evangélicos têm abandonado a mansidão de Cristo em favor de uma retórica de confronto. O personagem histórico John Brown (1800-1859) serve como um espelho de advertência: ele era um homem que amava a justiça, mas que permitiu que esse amor se transformasse em um ídolo violento.

Hoje, ao ouvirmos frases como "bandido bom é bandido morto" ou ao vermos o apoio a atos de vandalismo e golpes em nome de Deus, percebemos que o erro de Brown — o de achar que a causa justifica o pecado — continua vivo em nossos púlpitos e redes sociais.

1. "Bandido bom é bandido morto" vs. O Coração do Pai

John Brown acreditava que a morte dos escravagistas era o único caminho para a justiça. No Brasil atual, a teologia do extermínio substituiu a teologia da regeneração. Suas ações em muito se parecem, se adaptado com o bordão atual: " escravista bom é escravista morto".

Biblicamente, porém, o veredito de Deus é outro: “Desejaria eu, de qualquer modo, a morte do ímpio? diz o Senhor Deus; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” (Ezequiel 18:23). Quando um cristão clama pela morte de alguém, ele está usurpando o lugar do Juiz Eterno e negando o poder transformador do Evangelho. Se acreditamos que "bandido bom é morto", estamos admitindo que o sacrifício de Jesus não é suficiente para salvar o "pior dos pecadores".

2. O Erro da Invasão e da Depredação: O Reino não é deste Mundo

Assim como John Brown tentou assaltar um Forte Militar (Harpers Ferry) para forçar uma mudança social através das armas, vimos recentemente cristãos evangélicos brasileiros invadindo e depredando prédios públicos sob o pretexto de "salvar a nação".

O apóstolo Paulo, escrevendo sob o domínio do terrível Império Romano, instruiu: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores” (Romanos 13:1). A desordem, o caos e o vandalismo não são frutos do Espírito, mas obras da carne (Gálatas 5:19-21). Defender golpes de Estado ou depredar o patrimônio público em nome de uma ideologia é uma afronta direta ao princípio bíblico de submissão e ordem. Deus não é autor de confusão, mas de paz (1 Coríntios 14:33).

3. A Língua que Amaldiçoa: Um Veneno no Corpo de Cristo

Brown amaldiçoava seus oponentes antes de executá-los. No cenário brasileiro, o hábito de amaldiçoar autoridades, opositores políticos e "inimigos da fé" tornou-se comum.

Tiago 3:9-10 nos confronta severamente: “Com ela [a língua] bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus... Meus irmãos, não convém que isto se faça assim”. Um cristão que usa o nome de Deus para proferir maldições e ódio político está com a fonte de sua espiritualidade contaminada. O mandamento de Cristo é claro: “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis” (Romanos 12:14).

4. Ideologia vs. Evangelho: A Mistura Mortal

O maior erro de John Brown foi fundir sua fé com uma militância armada radical. Hoje, o risco é a "ideologização" da fé, onde a Bíblia é lida através das lentes de um partido, de uma ideologia ou de um líder político.

Ademais, ideologias (qualquer que seja ela), partidos ou líderes não têm compromisso com os valores do Reino de Deus. O foco destes sempre foi, é, e sempre será a busca pelo poder; e se puder usar a religião (qualquer seja ela, inclusive a cristã, evangélica, católica, etc.), dela fará uso até quando lhes for conveniente. Ainda que, se for preciso, "converte-se" a algumas delas para alcançar seus objetivos.

Tradução: "Eu, John Brown, estou bem certo de que os crimes desta terra culpada nunca serão expiados senão com sangue." John Brown, 1859

Cristãos que adotam tal postura estão apregoando um "outro evangelho", cujos ensinos apenas "parecem" com os do verdadeiro Evangelho de Cristo. É por esta razão que a Palavra de Deus severamente adverte:

"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." Gálatas 1:8,9

Neste sentido, tem sido usado sem muito alarde e subrepticiamente um conceito pouco conhecido, a agnotologia, que segundo o seu formulador, o professor da Universidade de Stanford, Califórnia, professor Robert N. Proctor, em 1995, pode ser compreendida assim: refere-se ao estudo cultural da ignorância, isto é, às formas pelas quais o desconhecimento é criado, mantido ou explorado intencionalmente por indivíduos, grupos ou instituições. 

No contexto religioso, isso ocorre quando ideologias, ou movimentos políticos utilizam narrativas simplistas, ou distorcidas para reinterpretar textos sagrados, promovendo uma leitura que serve aos seus próprios interesses. Tal prática cria uma "ignorância programada", onde o verdadeiro significado do Evangelho é obscurecido por agendas externas, levando muitos cristãos a abraçarem causas que contradizem os valores do Reino de Deus.

Quando um crime é cometido — seja ele de ódio, de invasão, de traição ou ao incitamento à convulsão social — e se tenta justificá-lo "em nome de Deus", estamos cometendo o pecado de tomar o Seu santo nome em vão. Jesus recusou o caminho do poder político romano e o caminho da espada dos zelotes. Seu Reino é de justiça, paz e alegria no Espírito Santo, não de bombas, invasões ou discursos de ódio.

Conclusão: De Volta ao Caminho Estreito

John Brown foi enforcado por seus crimes, mas acreditando ser um mártir, no entanto, a história o recorda como um homem que, embora tivesse uma causa nobre, escolheu o caminho errado para defendê-la. O Brasil cristão precisa decidir se seguirá o exemplo de Brown — o da força carnal e do "sangue pelo sangue" — ou o exemplo de Jesus — o do amor sacrificial e da obediência à  Sua Palavra.

Não podemos "salvar a família" destruindo o próximo. Não podemos "defender a liberdade" atacando as instituições, responsáveis por defendê-la. E, definitivamente, não podemos chamar Jesus de Senhor se nos recusamos a amar nossos inimigos. Que a igreja brasileira se arrependa de seu zelo sem entendimento e retorne à simplicidade e à mansidão do Evangelho.

Fonte Histórica sobre John Brown:

Carton, Evan. "Patriarch: John Brown and the American Civil War". University of Nebraska Press, 2006. (Análise sobre a radicalização religiosa e política de Brown).

John Brown (abolicionista)




Proctor, Robert N;SCHIEBINGER, Londa(orgs). The Making and Unmaking of Ignorance

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Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Brown_(abolicionista)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

As Três Escolhas de Ló e Suas Consequências

15.12.2025

"E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar." Gênesis 13:10

Introdução: 

Quando Nossas Escolhas Divergem da Vontade de Deus

Nesta poderosa mensagem, somos convidados a mergulhar na história de Abraão e seu sobrinho Ló, registrada no Livro de Gênesis, capítulo 13. Por meio desta narrativa bíblica, aprendemos lições valiosas sobre o perigo de decisões tomadas com base apenas em nossas próprias percepções e desejos, em vez de buscar a orientação divina.

Ló, um homem justo, acabou fazendo escolhas que o afastaram do propósito de Deus para sua vida, gerando consequências devastadoras não apenas para si, mas para toda a sua descendência. À medida que exploramos os três erros fatais cometidos por Ló, somos confrontados com a necessidade urgente de examinar nossas próprias decisões e nos alinharmos à vontade do Senhor.

Esta mensagem não é apenas uma lição do passado, mas um alerta crucial para a igreja de hoje, especialmente para famílias, jovens e lideranças. Ela nos desafia a não nos deixar seduzir pelas "campinas verdejantes" deste mundo, mas a andarmos pela fé, confiando na orientação divina, mesmo quando as situações abordam mais os nossos olhos.

O Perigo da "Meia Obediência"

Tudo começa quando Deus dá uma ordem clara a Abraão: "Saia da sua terra, da sua parentela e da casa de seu pai, para a terra que eu te mostrarei" (Gênesis 12:1). No entanto, o texto nos revela que Abraão não obedeceu completamente a essa instrução, pois "levou consigo a Ló, seu sobrinho" (Gênesis 12:5).

Essa "meia obediência" de Abraão é um alerta importante para nós. Muitas vezes, quando Deus nos dá uma ordem, nós aceitamos, mas acrescentamos nossa própria vontade, pensando que estamos fazendo algo benéfico. No caso de Abraão, ele queria levar Ló junto, talvez por amor ou por achar que pudesse cuidar melhor dele. Mas essa decisão acabou gerando contendas e atrapalhando o agir do Espírito Santo em sua vida.

Como o pastor enfatiza, "quando Deus nos dá uma ordem, nós não podemos acrescentar a essa ordem a nossa vontade. Não podemos adicionar qualquer coisa, por mais que tenhamos misericórdia, por mais que aparentemente acharmos correto aquilo que iremos fazer, mas nós temos que, obrigatoriamente, antes de dar qualquer passo, perguntar a Deus se é isso mesmo que Ele quer que nós façamos."

Andar por Vista vs. Andar por Fé

Após a separação entre Abraão e Ló, devido às disputas entre seus pastores, Ló se deparou com uma escolha crucial. Ao "levantar os olhos", ele vê "toda a campina do Jordão, que era toda bem regada" (Gênesis 13:10) e decide se estabelecer naquela região.

Aqui, vemos o contraste entre como Ló e Abraão tomam suas decisões. Enquanto Ló se guia pelo que seus olhos veem — a beleza e as incertezas aparentes naquela terra -, Abraão continua a "andar por fé" (2 Coríntios 5:7), esperando na orientação de Deus.

O pastor alerta sobre o perigo de ser guiado apenas pela "aparência" das coisas, ignorando a realidade oculta. Ló não se importou com que as cidades de Sodoma e Gomorra, "homens maus contra o Senhor", estavam perto da região. Ele se deixou levar pela beleza das "campinas verdejantes", sem considerar as consequências espirituais de sua escolha.

Essa é uma armadilha comum para os cristãos de hoje. Muitas vezes, somos seduzidos pelas "campinas" deste mundo — a prosperidade, o sucesso, a ascensão social — sem nos atentarmos para os perigos espirituais que podem estar ocultos. O desafio é aprender a andar pela fé, confiando na orientação de Deus, mesmo quando tudo parece perfeito aos nossos olhos.

Os Três Fatais de Ló

A história de Ló nos revela três escolhas desastrosas que ele fez, cada uma com consequências devastadoras:

  • Primeiro Erro: escolher habitar próximo ao pecado (Sodoma)
    Ló decidiu se estabelecer próximo de Sodoma e Gomorra, cidades conhecidas pela sua maldade. Essa escolha o levou a ser feito refém e a perder seus bens quando os reis dessas cidades invadiram: 

“Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os varões de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor.”Gênesis 13:11–13

 
  • Segundo Erro: voltar ao local de perdição
    Mesmo após ser liberto por Abraão, Ló voltou a se estabelecer em Sodoma, ignorando o aviso divino. Essa decisão custou-lhe a confiança, a riqueza e, posteriormente, a própria família:
Tomaram a Ló, filho do irmão de Abrão, que habitava em Sodoma, e os seus bens, e se foram.” (Gn 14:12)
“Trouxe de volta todos os bens, como também a Ló, seu irmão, com os seus bens...” (Gn 14:16)
“Os dois anjos chegaram a Sodoma à tarde; e Ló estava sentado à porta de Sodoma.” (Gn 19:1)

  • Terceiro Erro (Fatal): terminar em uma caverna, gerando futuros inimigos de Israel
    Quando os anjos foram resgatar Ló de Sodoma, ele relutou em sair, querendo ir para a cidade de Zoar. Acabou se refugiando em uma caverna, onde suas próprias filhas o embebedaram e cometeram incesto com ele, gerando os povos de Moabe e Amom, que se tornaram inimigos de Israel:
“E aconteceu que, tendo ele [Ló] saído, disse-lhe um dos anjos: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás... Mas Ló lhes disse: Eis agora, esta cidade está perto... não é pequena? Deixai-me escapar para lá...” (Gn 19:17–20)
“E Ló subiu da campina e habitou numa caverna, ele e as suas duas filhas com ele.” (Gn 19:30).

O reverendo enfatiza que, mesmo sendo um homem justo (2 Pedro 2:7-8), ele tomou decisões erradas que tiveram consequências devastadoras não apenas para sua própria vida, mas também para aqueles que o cercavam. Isso nos alerta para não nos gloriarmos em nossa justiça ou em nossa condição de servos de Deus, pois ainda podemos assim tomar decisões que nos afastem do propósito do Senhor Jesus Cristo.

A Remoção dos Obstáculos

Um dos pontos mais impactantes da mensagem é quando o pastor destaca que Deus só voltou a falar com Abraão e a expandir sua visão depois que Ló se apartou dele.

Gênesis 13:14 diz: "E disse o Senhor a Abraão, depois que Ló se apartou dele: 'Levanta agora os teus olhos e olha desde o lugar onde estás, para a banda do norte e do sul e do oriente e do ocidente."

Essa passagem nos revela uma verdade profunda: muitas vezes, Deus tem um propósito e uma visão específica para nossas vidas, mas existem pessoas ou situações que precisam ser removidas para podermos receber essa revelação divina. Assim como Ló era um obstáculo para que Deus falasse plenamente com Abraão, pode haver em nossas vidas elementos que estão impedindo que ouçamos a voz do Senhor e recebamos a direção que Ele deseja nos dar.

O desafio, então, é estarmos dispostos a nos afastar daquilo que nos impede de avançar na vontade de Deus, mesmo que isso seja doloroso. Pois, assim como Abraão, quando removemos os obstáculos, Deus pode nos revelar uma visão mais ampla e nos conduzir aos propósitos que Ele tem preparado para nós.

Conclusão: Aprendendo com os Erros de Ló

A história de Ló é um alerta poderoso para nós, especialmente em um mundo que constantemente nos seduz com a beleza e as ameaças aparentes das "campinas verdejantes". Ela nos desafia a não nos guiar apenas pelo que nossos olhos veem, mas a buscar a orientação de Deus em cada decisão que tomamos.

Se, como Ló, você já tomou decisões precipitadas no passado, esta mensagem traz uma palavra de esperança. Deus está pronto para que você dê a chance de renovar sua rota, pois você está disposto a se humilhar, se arrepender e colocar sua vida sob a vontade divina.

Não negocie seus princípios, não coloque sua família em risco. Ouça a voz de Deus, mesmo quando tudo parecer perfeito aos seus olhos. Pois, assim como Abraão, quando você se superar dos obstáculos que impedem a manifestação da vontade de Deus, Ele poderá revelar uma visão mais ampla e direcionar os propósitos que Ele preparou para sua vida.

Que esta mensagem seja um chamado urgente para que você examine suas escolhas e se alinhe à vontade de Deus. Não repita os erros de Ló, mas siga o exemplo de Abraão, andando pela fé e confiando na orientação divina.

Inscreva-se no canal do Pastor Irineu Messias e na ADEPLAN-DF para receber mais mensagens impactantes que podem transformar sua vida.

Assista o vídeo abaixo, cujo tema é sobre as escolhas de Ló, As Ilusórias Campinas do Jordão, de autoria pastor Irineu Messias: 

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Fontehttps://youtu.be/ycI6c1HUdRo

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Testemunhos Pagãos sobre a Historicidade de Jesus Cristo: Flávio Josefo, Plínio, o Jovem, e Luciano de Samósata

 09.12.2025

Postado pelo editor do blog

A historicidade de Jesus Cristo é confirmada não apenas pelos Evangelhos e pela tradição cristã, mas também por testemunhos externos, vindos de autores não cristãos. Entre os mais relevantes estão Flávio Josefo, historiador judeu do século I; Plínio, o Jovem, governador romano; e Luciano de Samósata, satirista grego do século II. Suas declarações, ainda que breves, são fundamentais para a historiografia cristã, pois confirmam a existência de Jesus e o impacto da fé cristã no mundo antigo.

1. Flávio Josefo (37–100 d.C.)

Em Antiguidades Judaicas (93 d.C.), Josefo faz duas referências a Jesus:

  • Testimonium Flavianum (Antiguidades 18.63–64): descreve Jesus como “um homem sábio” que realizou obras admiráveis, foi crucificado sob Pôncio Pilatos e teve seguidores que continuaram a crer nele após sua morte.
  • Antiguidades 20.200*: menciona “Tiago, irmão de Jesus, chamado Cristo”.

Embora haja debate sobre possíveis interpolações cristãs, a maioria dos estudiosos reconhece que Josefo fez referência histórica a Jesus como figura real¹.

2. Plínio, o Jovem (61–113 d.C.)

Em sua carta ao imperador Trajano (Epístolas 10.96, escrita por volta de 112 d.C.), Plínio descreve como tratava os cristãos na Bitínia. Ele afirma que os cristãos se reuniam “para cantar hinos a Cristo como a um deus”².

Esse testemunho mostra que, apenas décadas após a crucificação, comunidades cristãs já reverenciavam Jesus como divino, confirmando a centralidade da figura histórica de Cristo na fé.

3. Luciano de Samósata (125–181 d.C.)

Luciano, satirista grego, escreveu A Morte de Peregrino, onde zomba dos cristãos por seguirem “um homem que foi crucificado na Palestina” e que introduziu novas leis para seus discípulos³.

Embora hostil, sua menção confirma que Jesus era reconhecido como fundador do movimento cristão e que sua crucificação era fato conhecido até entre opositores.

Conclusão

Os testemunhos de Josefo, Plínio e Luciano convergem em um ponto: Jesus existiu historicamente e deixou seguidores que impactaram o mundo romano.

  • Josefo confirma sua vida e morte sob Pilatos.
  • Plínio atesta a prática de culto a Cristo como divino.
  • Luciano, mesmo em tom de escárnio, reconhece a crucificação e a fé dos cristãos.

Assim, mesmo fora da tradição cristã, há evidências sólidas de que Jesus não é mito, mas figura histórica cuja vida e obra transformaram a história.

Bibliografia

  • JOSEFO, Flávio. Antiguidades Judaicas. Traduções diversas.
  • PLÍNIO, o Jovem. Epístolas. Livro 10.
  • LUCIANO de Samósata. A Morte de Peregrino.
  • HABERMAS, Gary. The Historical Jesus: Ancient Evidence for the Life of Christ. College Press, 1996.
  • WRIGHT, N.T. Jesus and the Victory of God. Fortress Press, 1996.

Saiba Mais: 

Josefo sobre Jesus: Evidências da existência de Jesus?

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

“Vocês Estão Me Roubando?” – O Chamado Urgente de Malaquias à Fidelidade

08.12.2025
Postado pelo editor do blog


Você já parou para pensar que reter o que pertence a Deus pode ser considerado roubo?

É exatamente isso que o Senhor declara em Malaquias 3:8:

“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais... Nos dízimos e nas ofertas.”

Essa pergunta não foi feita a um povo pagão, mas a Israel — o povo escolhido, que já havia retornado do exílio, reconstruído o templo e retomado os sacrifícios. Tudo parecia certo por fora... mas por dentro, o coração estava frio.

Quando a religião vira rotina

Malaquias foi escrito por volta de 450–430 a.C., num tempo em que o povo de Deus vivia em apatia espiritual.

  • Os sacerdotes ofereciam sacrifícios defeituosos (Ml 1:8);
  • As famílias estavam quebrando alianças (Ml 2:14);
  • E o povo dizia: “Inútil é servir a Deus” (Ml 3:14).

Era uma fé vazia. Tudo virou formalidade.
Até o dízimo, que era sinal de confiança em Deus, passou a ser visto como obrigação pesada — ou pior, como algo dispensável.

Mas Deus não aceita essa indiferença. Ele confronta:

“Em que te roubamos?”, perguntavam eles.
“Nos dízimos e nas ofertas”, responde o Senhor (v. 8).

Não era só sobre dinheiro — era sobre o coração

No Antigo Testamento, o dízimo pertencia a Deus (Levítico 27:30). Não era uma doação opcional, mas parte da aliança:

  • Era santo ao Senhor;
  • Sustentava os levitas, que não tinham herança (Números 18:21);
  • Garantia o cuidado com os pobres (Deuteronômio 14:28–29).

Quando Israel reteve o dízimo, não apenas interrompeu o sustento do templo, mas negou o senhorio de Deus sobre sua vida e recursos.
Era como dizer: “Confio mais no meu bolso do que na tua fidelidade, Senhor.”

Jesus também condenou essa hipocrisia:

“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Mateus 15:8)

O problema nunca foi o dinheiro — foi a falta de amor.

Deus responde com graça... e uma promessa audaciosa

Apesar da desobediência, Deus não desistiu deles. Ele fez um convite surpreendente:

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro... e depois fazei prova de mim nisto... se eu não vos abrir as janelas do céu e derramar bênção sem medida!” (Malaquias 3:10)

Essa é uma das únicas vezes na Bíblia em que Deus diz: “Faça prova de mim.”
Não é um contrato mágico, mas um convite à fé prática.

Ele promete:

  • Provisão sobrenatural (“abrir as janelas do céu”);
  • Proteção divina (“repreenderei o devorador”);
  • Testemunho público (“todas as nações vos chamarão bem-aventurados”).

E hoje? O que isso tem a ver com a igreja?

Embora não estejamos sob a Lei de Moisés, o princípio permanece:

  • Jesus não rejeitou o dízimo, mas o chamou de parte da justiça (Mateus 23:23);
  • O Novo Testamento ensina dar com regularidade, generosidade e alegria (2 Coríntios 9:7; 1 Coríntios 16:2);
  • A igreja primitiva sustentava os apóstolos e os necessitados com fidelidade (Atos 4:34–35).

Na tradição evangélica, o dízimo é entendido como:

  • Um ato de adoração, não de obrigação;
  • Um testemunho de que Cristo é Senhor de tudo — até da nossa carteira;
  • Uma participação na missão do Reino.

Não damos para receber — damos porque já recebemos

A motivação do crente não é: “Se eu der, Deus vai me abençoar.”
É: “Deus já me abençoou em Cristo — por isso, quero honrá-Lo com tudo o que tenho.”

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.” (Efésios 1:3)

Quando entregamos o dízimo, não estamos “pagando a Deus”. Estamos declarando que Ele é nosso tesouro supremo.

“Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda.” (Provérbios 3:9)
“Deus ama ao que dá com alegria.” (2 Coríntios 9:7)

Pense nisso:

A pergunta de Malaquias ainda ecoa hoje:

“Vocês estão me roubando?”

Não por legalismo — mas por amor.
Porque um coração grato não retém, libera.
E quando liberamos o que é do Senhor, Ele abre o céu.

“Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6:21).

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