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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Conflitos entre a Teologia do Domínio e a Teologia Pentecostal Clássica

07.02.2026
Publicado pelo pastor Irineu Messias


A teologia evangélica pentecostal clássica, fundamentada na autoridade das Escrituras Sagradas e nos princípios do movimento pentecostal histórico, iniciado por avivamentos como o de Azusa Street em 1906, deve delinear os principais pontos de conflito entre a Teologia do Domínio (ou Dominion Theology) e a visão doutrinária pentecostal clássica. Essa análise baseia-se na interpretação bíblica à luz dos originais em grego e hebraico, enfatizando a Bíblia como única regra de fé e prática, a salvação pela graça, a santificação e a Grande Comissão, sem agendas de dominação terrena.

A Teologia do Domínio promove a ideia de que os cristãos devem exercer domínio sobre as esferas sociais (governo, educação, etc.) para "cristianizar" o mundo agora, preparando um reino terreno. Isso colide frontalmente com o cerne pentecostal clássico, que é pré-milenista, evangelístico e separado do poder mundano. Abaixo, os conflitos principais de forma sistemática:

1. Visão Escatológica: Pré-Milenismo vs. Pós-Milenismo
 
Conflito Principal: O pentecostalismo clássico adota o pré-milenismo dispensacionalista, que vê o Reino de Deus como futuro e literal, inaugurado apenas com o retorno de Cristo (Apocalipse 20:1-6, no grego: "χιλιετία" – *chili-etia*, "mil anos" após a Segunda Vinda). O foco é no arrebatamento da Igreja (1 Tessalonicenses 4:16-17, grego: "ἁρπαγησόμεθα" – *harpagēsometha*, "seremos arrebatados") e na expectativa de um Milênio futuro, não em construí-lo agora.  

Contraste com Dominion: Essa teologia é pós-milenista, assumindo que a Igreja deve "construir" o Milênio por meio de influência cultural e política antes do retorno de Cristo. Isso ignora o ensino pentecostal clássico de que o mundo piorará antes da Tribulação (2 Timóteo 3:1-5), e o Reino é espiritual, não terreno (João 18:36, grego: "ἡ βασιλεία ἡ ἐμὴ οὐκ ἔστιν ἐκ τοῦ κόσμου τούτου" – *hē basileia hē emē ouk estin ek tou kosmou toutou*, "o meu reino não é deste mundo").  

Referência Pentecostal Clássica: Declarações de fé pentecostais históricas afirmam a Segunda Vinda pre-milenial de Cristo, rejeitando qualquer otimismo utópico de "domínio" atual.

2. Mandato Cultural e Dominação: Mordomia vs. Conquista 

Conflito Principal: No pentecostalismo clássico,Gênesis 1:28 (hebraico: "וְכִבְשׁוּהָ" – *ve-kivshuha*, "e subjugai-a") é interpretado como um mandato de mordomia responsável sobre a criação, exercido por toda a humanidade, com os cristãos vivendo como sal e luz (Mateus 5:13-16) por meio de testemunho pessoal e evangelização, não por imposição.  

Contraste com Dominion: Ela transforma isso em uma agenda de "conquista das sete montanhas" (esferas sociais), promovendo dominação cultural e teonomia (aplicação de leis mosaicas à sociedade). Isso conflita com o ensino pentecostal clássico de que as armas da Igreja são espirituais, não carnais (2 Coríntios 10:4, grego: "τὰ ὅπλα ἡμῶν οὐ σαρκικὰ" – *ta hopla hēmōn ou sarkika*, "as armas da nossa milícia não são carnais").  

Referência Pentecostal Clássica: Ênfase na Bíblia para fé e conduta pessoal, não para legislação social; o foco é na Grande Comissão (Mateus 28:18-20), discipulando nações espiritualmente, não as dominando.


3. Separação entre Igreja e Estado: Neutralidade vs. Politização
  
Conflito Principal: O pentecostalismo clássico mantém neutralidade política, vendo a Igreja como um corpo espiritual separado do mundo (Romanos 12:2, grego: "μὴ συσχηματίζεσθε τῷ αἰῶνι τούτῳ" – *mē syschēmatizesthe tō aiōni toutō*, "não vos conformeis com este século"). Pastores e membros podem votar, mas o púlpito não é para agendas partidárias, priorizando a santificação e a unidade da Igreja.  

Contraste com Dominion: Encoraja alianças políticas para "dominar" o governo, o que leva à idolatria do poder e à confusão entre Reino de Deus e reinos humanos. Isso ecoa erros históricos como o constantinianismo, rejeitados pela Reforma e pelos avivamentos pentecostais.  

Referência Pentecostal Clássica: Princípios históricos proíbem o uso de templos para propaganda política, alinhando-se ao princípio de submissão às autoridades seculares (Romanos 13:1-7) sem buscar controlá-las.

4. Foco Espiritual: Evangelização e Santificação vs. Ativismo Cultural
  
Conflito Principal: O pentecostalismo clássico enfatiza a salvação individual pela fé (Efésios 2:8-9), a santificação (Hebreus 12:14, hebraico: "קְדֻשָּׁה" – *qedushah*, "santidade") e os dons do Espírito para edificação da Igreja (1 Coríntios 12:7-11, grego: "πνευματικῶν" – *pneumatikōn*, "dons espirituais"). É sobre avivamento pessoal e missões, não sobre reforma social como fim em si.  

Contraste com Dominion: Desvia o foco para ativismo cultural, priorizando "influência" sobre conversão e arrependimento (Atos 2:38, grego: "μετανοήσατε" – *metanoēsate*, "arrependei-vos"). Isso pode levar a um evangelicalismo superficial, sem ênfase na depravação total e na necessidade de regeneração (Romanos 3:23).  

Referência Pentecostal Clássica: Ênfase na salvação e no batismo no Espírito Santo para empoderamento missionário, não para dominação terrena.

5. Implicações Históricas e Práticas  

Historicamente, o pentecostalismo clássico cresceu por meio de pregação pura e avivamentos, não por estratégias de poder. A Teologia do Domínio, infiltrada via neo-pentecostalismo, tem causado divisões em igrejas, promovendo escândalos políticos que mancham o testemunho evangélico. Isso contraria o legado pentecostal de humildade e serviço (Filipenses 2:5-8).

Em resumo, esses conflitos revelam que a Teologia do Domínio distorce o Evangelho pentecostal clássico, substituindo a cruz pela coroa e o discipulado pela dominação. Recomenda-se uma leitura atenta de declarações de fé pentecostais históricas e de obras sobre escatologia bíblica para aprofundar. 

Que o Senhor nos mantenha fiéis à Sua Palavra (2 Timóteo 3:16-17)!

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